O que é discriminação racial e como ela se apresenta no dia a dia?

O que é discriminação racial e como ela se apresenta no dia a dia?

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A discriminação racial é um tema que está em alta nos últimos anos. Amplamente debatido em universidades e redes sociais, essa forma de discriminação está cada vez mais sendo compreendida pelos brasileiros. Entretanto, ainda há muito o que dizer sobre este assunto.

O que é discriminação racial?

Qualquer comportamento ou fala de distinção, exclusão, restrição ou preferência por determinada raça, nacionalidade, ascendência, cor ou ética é considerado discriminação racial. 

No Brasil, muitas vezes esse termo é substituído pela palavra “racismo” e relacionado somente às pessoas negras. Isso se deve à construção histórica e social da discriminação contra africanos e descendentes, que se iniciou no século 16 com o transporte de escravos oriundos de países africanos comandado por portugueses. 

Todavia, esse termo também pode ser aplicado a outras etnias.  

O Brasil é um país formado por uma rica diversidade cultural. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística (2019), cerca de 42% da população se domina branca, 46% se declara como parda, 9,4% como negros e 1,1% como indígenas ou asiáticos. Embora o cenário ideal seja de convivência harmônica, a realidade não é bem assim.

Apesar da discriminação racional ser crime no Brasil, ainda há muitos casos de repúdio e de violência contra expressões culturais e religiosas diferentes. A cor da pele é outro motivo para preconceito, em particular contra pessoas negras. 

Quais são as formas de discriminação racial?

A discriminação racial não se manifesta somente através de atos violentos ou de aversão pública, embora esses sejam os casos que costumam ser noticiados. Esta forma de discriminar é abrangente, manifestando-se até mesmo nas mínimas palavras e ações. 

Por essa mesma razão muitas pessoas não enxergam atitudes suas ou de terceiros como discriminatórias. Às vezes, acreditam se passar de um “comentário infeliz” ou de um comportamento rude, mas que não tem associação direta com a raça dos envolvidos. 

A lei considera discriminação de raça, ou racismo, os seguintes elementos:

  • Recusa de fornecimento de bens ou serviços;
  • Impedimento ou limitação a uma atividade econômica;
  • Recusa de aceso a locais públicos ou abertos ao público;
  • Constituição de turmas ou a adoção de medidas de organização interna nas instituições de ensino usando critérios de raça;
  • Condicionamento ou limitação de direitos;
  • Emissão de declarações que visam ameaçar ou insultar um indivíduo ou um grupo por razões de raça.

Entretanto, existem outras formas de discriminação racial. Um indivíduo pode ser discriminado em razão de suas crenças, expressões religiosas, idioma, roupas, costumes e tradições. 

Qualquer demonstrar de aversão, seja por meio de palavras ou de ações, em relação à cultura particular de uma determinada população étnica ou de um único indivíduo é discriminação. A incitação do ódio e o isolamento social em razão da etnia também. 

Tratar alguém com base em estereótipos é uma conduta igualmente discriminatória. Não se pode resumir características e vivências de uma etnia em pequenos rótulos, por isso, não é certo utilizar estereótipos para embasar conhecimento de outras raças. 

Por fim, também há a discriminação de raça cometida por instituições. Esta é percebida através da relação desproporcional de nacionalidades e de etnias em organizações e órgãos públicos. 

O que deixamos passar no dia a dia

O choque inicial com pessoas cuja raça é distinta da sua é esperada. Nós vivemos acostumados com determinados hábitos, práticas, crenças e costumes. Quando encontramos indivíduos que vivem de modo completamente distinto, é normal ficar surpreso. 

Buscar conhecimento é essencial para dar fim a esse sentimento. O receio e a aversão contra raças diferentes são combatidos com a compreensão de que, apesar das diferenças, temos muito em comum. As distinções entre hábitos, costumes e crenças são mínimas se comparadas às semelhanças. 

Afinal, todos nós, independente de onde viemos, de nossas crenças e de nossa aparência, temos sentimentos e desejamos viver com felicidade. Esse anseio é, sem dúvidas, compartilhado pelos seres humanos ao redor do Brasil e do mundo. 

O que é discriminação racial e como ela se apresenta no dia a dia?

Mas, como vivemos em um país ainda bastante racista e discriminatório, por vezes deixamos passar determinadas atitudes no dia a dia. 

Existem pessoas maliciosas que discriminam conscientemente. Movidas por sua aversão e preconceito contra o diferente, não medem esforços para maltratar quem acreditam não se encaixar no padrão estabelecido por elas.  

Por outro lado, existem pessoas que soltam comentários ou agem de maneira imprópria sem ter conhecimento de que estão fazendo algo inapropriado. Como ainda há muito racismo no Brasil, algumas falas e crenças são passadas de geração em geração sem que sejam analisadas criticamente. 

Abaixo, veja algumas formas de discriminação racial que podem passar despercebidas (ou não) no dia a dia: 

  • Expressões racistas, como “ter um pé na senzala”, “denegrir”, “a coisa tá preta”, “lista negra”, “pastel de flango” e “cor do pecado”;
  • Comentários sobre a aparência de outra pessoa, como “cabelo ruim ou duro” ou “olho rasgado”;
  • Fazer afirmações com base em estereótipos disseminados pela mídia ou em conversas casuais, como “asiáticos não sabem dirigir” ou “negros tem porte de criminoso”;
  • Tirar conclusões precipitadas sobre alguém devido a pré-conceitos; 
  • Afirmar que possui amigos de determinadas etnias, por isso, não pode ser preconceituoso;
  • Desrespeitar o sofrimento de ancestrais.

Como lidar com a discriminação racial?

Aprender a lidar com a discriminação racial é essencial para o bem-estar e a saúde mental. Como é impossível erradicar esse mal da sociedade brasileira de uma hora para outra, é importante saber lidar com situações desagradáveis sem que isso cause impactos emocionais. 

Não traga para você

Se você é alvo ou já foi alvo deste tipo de discriminação, saiba que o problema não é você. Não importante se a discriminação partiu de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Quem está agindo com ignorância é a pessoa que não sabe lidar com o diferente. 

Não desista perante o preconceito

O preconceito constante pode fazer as pessoas desistirem de seus sonhos. É compreensível que esse desejo exista. Porém, não deixe os seus sonhos para trás por causa de outros indivíduos. Lembre-se que quem vive a sua vida é você, ou seja, é o único que precisa estar satisfeito com a qualidade dela. Se você desistir de algo importante, pode se arrepender amargamente.

Pratique o amor-próprio

Batalhe contra as incertezas que surgem a partir de comentários e atitudes maldosas sobre o seu caráter ou a sua personalidade. Não dê ouvido para falas discriminatórias. Não importa, de fato, se as outras pessoas gostam ou não de você. O que é realmente importante é se você se ama do jeito que é. Reconheça a sua força e as suas qualidades e siga em frente, se afastando de quem lhe causa mal.

Faça terapia

A terapia é uma grande fonte de ajuda para quem sofre discriminação. Não é fácil aguentar a carga de emoções negativas direcionadas a você. Para não se deixar abater e não cultivar sentimentos ruins, como ressentimento, raiva ou angústia, converse com um psicólogo.

A terapia ajuda também a fortalecer a autoestima e o amor-próprio. Quem sofre discriminação de raça pode ter dificuldade em ver o próprio potencial em razão de comentários, exclusões e condutas alheias. Na psicoterapia, você vai aprender que o importante é ter uma opinião positiva de si mesmo.  

Eduque o próximo

Muitos indivíduos, como negros e asiáticos, não gostam de educar os outros. Afirmam que não é a sua função fazer isso, e eles estão certos. Todavia, quando você encontrar alguém disposto a ouvir sobre discriminação de raça, diferenças culturais e empatia, procure não deixar essa oportunidade passar. 

Como combater a discriminação de raça?

A discriminação racial é combatida com conhecimento e empatia. No cenário ideal, quem não possui informações suficientes para formar uma opinião exata sobre determinada etnia deveria buscar conhecê-la. Na vida real, contudo, sabemos que não é bem assim que acontece.

A maioria das pessoas que discrimina acredita estar certa em tomar essa posição. Mediante diálogo, algumas podem se mostrar interessadas em aprender sobre o outro. Já outras podem ser irredutíveis. Somente a visão delas importa, mesmo que não seja a correta ou desconsidere sentimentos alheios. 

Para combater o racismo ou a discriminação e ainda manter a saúde mental, é preciso saber escolher batalhas. Vale mais a pena conversar com quem está disposto a ouvir que tentar mudar a opinião de indivíduos inflexíveis, certo? 

Com o tempo, quem acredita estar sempre certo pode perceber que suas opiniões não são populares e tentar modificar o seu modo de pensar. 

O que é discriminação racial e como ela se apresenta no dia a dia?

De acordo com as direções da Organização das Nações Unidas (ONU), educar a sociedade está em posição de prioridade no combate à discriminação. Ela pode ser disseminada de diversas formas. Veja abaixo!

Linguagem sem preconceito: Substituir termos preconceituosos criados a partir de eventos históricos, como a escravidão; 

Livros e filmes que retratam outras vivências: Conhecer produções culturais de outros países ou de outras etnias presentes no Brasil para aprender sobre a sua forma de ver o mundo;

Brinquedos e brincadeiras: Ter brinquedos que representam a vivência e aparência de diferentes raças, bem como brincadeiras sem cunho preconceituoso para que as crianças aprendam desde sempre a respeitar diferenças;

Datas comemorativas: Celebrar datas que lutam contra o preconceito, como o dia 21 de março, determinado pela ONU como o Dia internacional contra a discriminação racial;

Terapia: Procurar acompanhamento psicológico para aprender a lidar com diferenças e outras etnias, estimulando, assim, o seu crescimento pessoal e a convivência harmônica em sociedade.

Se este artigo lhe ajudou a compreender sobre esta forma de discriminação, compartilhe-o com amigos.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta