o que é empatia

O que é empatia? Saiba porque ela é importante para sua carreira

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O que é empatia? Descobrir a resposta, na prática, exige muito mais esforço do que sugere a teoria. Colocar-se no lugar do outro ou “caminhar com os sapatos alheios”, para entender suas dores e horizontes, não é algo banal.

Precisamos mergulhar na ideia. Tratá-la com a complexidade que merece. Afinal, o outro não é território de livre e fácil acesso. Não é raso nem vem com manual de instruções.

Por conta disso, a habilidade de empatia ganha notoriedade, emergindo como diferencial desejável em relações de trabalho.

Quem alcança a competência com desenvoltura, obtém resultados superiores em vendas, atendimento aos clientes, criação de produtos e serviços — só para citar alguns exemplos.

Independente do nicho de mercado no qual você atua — ou pretende atuar — o aperfeiçoamento dessa faculdade inata pode proporcionar um salto em sua carreira.

Veja o que é empatia em exemplos que irão estimular sua compreensão do tema. Eles facilitarão sua prática em momentos cruciais de suas ações e decisões.

O que é empatia autêntica e o que é empatia projetada?

Falamos, logo de início, que o processo empático não é tarefa fácil. Experimentar o lugar do outro exige um afastamento de si próprio, do modo como enxergamos as coisas.

A empatia projetada é um erro comum, uma confusão do conceito com outras virtudes que assimilamos. Ela está muito conectada ao ensinamento de que devemos tratar os outros da forma como gostaríamos de ser tratados.

Contudo, ao nos deixarmos guiar por essa premissa, colocamos nossas preferências como guia de atitudes. Pode funcionar perfeitamente quando pensamos em gentilezas, em senso de boa educação e polidez. Mas empatia autêntica é muito diferente de projetarmos no outro o que nós precisamos, o que nós gostamos, o que nós acreditamos.

Vamos pensar através de exemplos. Um amigo comenta com você que foi demitido. Buscando ser empático com a situação que ele lhe narra, você logo revela sua preocupação com seu bem-estar, começa a pensar em conhecidos que poderiam ajudar a conseguir um novo emprego, sugere entrega de currículos em empresas que imagina coerentes com as aptidões do tal amigo…

Mas será que são esses respaldos que seu amigo procura, ao comentar sobre a demissão? Você teve o cuidado de ouvi-lo, livre de “imaginar” o que ele precisa para, de fato, saber o que ele está pensando?

Talvez, se você estivesse desempregado, gostaria de contar com os préstimos que oferece. Porque é como você lidaria com a situação, procurando uma nova colocação o mais rápido possível.

No entanto, seu amigo pode encarar a ocasião de outra forma, enxergando na demissão a oportunidade, que há tanto esperava, para iniciar sua vida como empreendedor.

Logo, toda sua projeção é inócua. Possivelmente até irritante, porque está dessintonizada dos planos e vontades do interlocutor.

Será que você realmente sabe o que outro precisa?

Outro exemplo, bastante comum e que demonstra que as “boas intenções” não são sinônimos de empatia genuína: visando agradar seus clientes, uma empresa oferece brindes e promoções. É uma estratégia extremamente corriqueira, que vemos aos borbotões em nosso dia a dia.

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Contudo, para que uma promoção seja atraente ou um brinde seja visto como valor agregado, essas iniciativas precisam estar em consonância com os desejos dos clientes — não aquilo que supomos, por senso comum, mas aquilo que realmente sabemos, a partir de pesquisas e interpretação de dados pontuais.

Dessa forma, se você tentou cativar seus clientes com tais estratégias, mas não obteve êxito, saiba que não significa que eles não estejam interessados em ganhar um desconto ou um mimo. A questão é que, ao ignorar o que, de fato, seu cliente precisa, você ofereceu algo que lhe pareceu desinteressante e insuficiente.

Ao se comprometer a escutar as demandas do outro, você entenderá o que é empatia autêntica. Sem esse esforço, movido por achismos e com a ideia de dar aos outros o que gostaria de receber, a interação jamais atinge esse nível.

Pode, inclusive, prejudicá-lo, pois seu interlocutor se sentirá frustrado, mal compreendido e distante de sua visão. E, quando não nos sentimos conectados com algo ou alguém, o que fazemos? Procuramos quem nos entenda melhor…

O que é empatia com a profissão? Por que é decisiva para o sucesso?

Os conceitos de empatia autêntica e projetada também se aplicam a essa questão. Em grande medida, a confusão nesse âmbito repercute tanto no desempenho quanto na autorrealização profissional.

Assim como a percepção dos indivíduos, em suas idiossincrasias, é fundamental para que exista uma relação empática, a leitura das demandas de uma profissão, igualmente, requer uma postura analítica.

Escolher medicina porque é um ofício nobre, que possibilita bons salários e garante aprovação familiar, não fará de você um bom médico. É preciso averiguar se existe legítima possibilidade de conexão entre o fazer e a idealização da carreira.

Empatia e sucesso caminham juntos porque, na ausência da primeira, a resiliência frente aos percalços profissionais tende a ser extremamente frágil. A frustração não tarda a se impor e a produtividade sempre ficará aquém da meta.

Podemos nos adaptar e aprender como desenvolver empatia frente a determinados processos que a profissão exige. Porém, há um limite. Se nossos motivos forem equivocados ou nossa visão sobre a área de atuação for superficial — novamente, o perigo dos achismos e conclusões precipitadas — nenhuma instrução que possamos buscar será suficientemente transformadora.

Muito cuidado com as expectativas

Confira suas expectativas. Não tente adequar a realidade às suas impressões — o caminho é no sentido oposto! Afaste-se do juízo prévio. Investigue, para conhecer.

Não se trata de você não conseguir fazer algo, mas, sim, de imaginar soluções e competências que não correspondem às demandas verídicas da ocupação.

Saber desenhar não faz de você um potencial arquiteto. Gostar de cachorros não revela um futuro veterinário. O todo é maior e muito mais complexo.

Se você sente que sua carreira não sai do lugar, analise o nível de sua empatia para com o cargo que ocupa ou vislumbra ocupar. Perceba onde existem, ou não, conexões entre sua ótica, sua personalidade, sua opinião e as necessidades da posição que almeja.

Profissões são melindrosas e, tal como pessoas, exigem atenção devotada por parte de quem as pretende atender com excelência.

Como ser empático nas relações profissionais?

Como desenvolver empatia com colegas de equipe, superiores, subordinados, clientes? Será que a atitude é a mesma, em todas as situações?

Certamente, cada relação conta com seu próprio contexto. Mas o conceito é invariável: ser empático implica em habilidade de escuta ativa. Trata-se de ouvir o que o outro deseja, precisa, procura ou, simplesmente, tem a contar. Significa buscar entender seu ponto de vista, tal como se apresenta, isentando-se de prejulgamentos.

Invista-se da função de “detetive”. Isso mesmo! Um detetive questiona. Soma evidências! Compõe um quadro a partir do que seu olhar atento é capaz de captar. Um detetive clássico, no melhor estilo Sherlock Holmes, define o que é empatia de maneira categórica. Ele sempre se coloca no lugar dos personagens para tirar suas conclusões e solucionar casos.

Tome emprestados os sapatos alheios

Para que suas sugestões sejam efetivas, você deve mergulhar na subjetividade alheia. Tome emprestados os seus sapatos para descobrir onde dói. E porque dói.

Um cliente que solicita atendimento nem sempre sabe o que seria satisfatório para resolver seu problema. Ele espera que você o escute e apresente alternativas.

Também tenha atenção com sua abordagem — e linguagem — pois é necessário fazer da comunicação uma ponte.

Se você quiser vender um celular para alguém que trabalha com TI (tecnologia da informação), apresentará aspectos mais técnicos, recursos que estejam de acordo com suas exigências e usos. O discurso não será o mesmo, ao apresentar idêntico produto, para o adolescente preocupado com selfies de alta resolução.

A empatia se dá quando nos fundimos ao universo alheio, como se fôssemos parte dele. Ela ocorre quando buscamos integração precisa a perspectiva do outro. Quanto melhor nossa escuta, mais adequada é nossa fala.

Empatia vs. simpatia no ambiente de trabalho

A confusão entre o que é empatia e o que é simpatia causa embaraços. Ser simpático com o chefe, com os colegas de equipe ou com o cliente revela seu esforço em ser gentil e polido, o que é muito louvável. Mas nem de longe significa empatia.

“Lamento pelo seu problema” é diferente de “vamos resolver seu problema”. Quem lamenta demonstra afeto, sente pelo outro. Quem se propõe a resolver, sente com o outro.

Ser empático não equivale a agradar. Quer ter empatia com seu chefe e colegas de trabalho? Não se preocupe em lhes dirigir elogios. Foque em enxergar os desafios sob suas perspectivas e entenda que sua contribuição será efetiva na medida em que representar o preenchimento de uma lacuna.

A expressão “duas cabeças pensam melhor que uma” resume bem essa ideia. Para que “duas cabeças” pensem juntas, precisam estar em sintonia, compartilhando de mesmo entendimento do problema, rumando à mesma direção. Para tanto, é preciso diluir o ego, o que não é tarefa simples!

Empatia e carreira

Empatia e carreira são aliadas, justamente, porque ambas exigem amadurecimento, flexibilidade, habilidade de ver além do que dita o próprio gosto. Só progride e inova quem entende que serviços e produtos devem privilegiar a satisfação alheia. A autossatisfação é resultado desse talento, não da imposição egocêntrica.

Enfim, para entender o que empatia, na prática, é necessária uma dose de desprendimento. Todavia, os resultados são recompensadores.

Experimente adotar essa postura em seu trabalho. Diante de uma reclamação, de um conflito, de um entrave, vista a perspectiva de quem lhe dirige a palavra. Você verá que aprender a ouvir, sem preconceitos, é muito mais eficiente do que falar bonito, tentando provar que tem razão.

Ou, no dizer de Benjamin Franklin: “quando você quiser convencer alguém, fale de interesses em vez de apelar à razão”.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.