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Administrar a pressão no trabalho é uma tarefa urgente para as empresas

A pressão no trabalho é uma das principais causas de estresse para os colaboradores. 

Jornadas de trabalho extenuantes, microgerenciamento, sobrecarga de trabalho e alto nível de cobrança por metas inalcançáveis são exemplos de pressão inadequada.

As consequências disso são muito graves. O adoecimento psíquico foi a terceira maior causa de afastamento do trabalho em 2021, segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho.

E as empresas têm muita responsabilidade na gestão do problema, justamente porque ele nasce dentro dos ambientes de trabalho. 

Continue a leitura para encontrar maneiras de lidar com a questão. 

Você verá:

Qual é a responsabilidade da empresa na pressão no trabalho?

A saúde mental dos trabalhadores deixou de ser uma questão individual faz tempo. Os impactos financeiros causados às empresas pelo estresse alto e por transtornos mentais têm aumentado o nível de conscientização sobre o assunto. 

A economia global perde R$1 trilhão por ano em decorrência do afastamento ou da queda de produtividade de trabalhadores adoecidos com problemas como depressão e ansiedade.

Portanto, além de ser uma responsabilidade, é também uma necessidade das organizações controlar os efeitos que a pressão no trabalho gera nos colaboradores. 

As lideranças, os profissionais de RH e os gestores de saúde devem trabalhar para que a pressão não seja desencadeadora de improdutividade, tampouco seja causa para problemas de saúde que podem ser irreversíveis. 

Veja a seguir outras consequências que a falta de atenção ao assunto pode provocar.

Prejuízos causados por pressão excessiva no ambiente profissional

As consequências imediatas da pressão exagerada no ambiente de trabalho são sentidas na pele pelos colaboradores. 

Uma pesquisa realizada pela Pulses mostrou que 81% dos colaboradores se sentem esgotados e a prevalência do cansaço extremo é maior entre as mulheres.

Entender os efeitos da pressão no cotidiano dos profissionais é uma atitude estratégica para as empresas que já entenderam a necessidade de priorizar o assunto.

Síndrome de burnout e transtornos psicológicos

Os casos de síndrome de burnout, mesmo após esta ser considerada doença ocupacional pela OMS em 2022, continuam crescendo. Um estudo recente feito pela USP mostrou que 1 a cada 4 pessoas está sofrendo com a síndrome.

Além disso, é importante reafirmar que o Brasil é o segundo país mais estressado e com mais pessoas burnoutadas, segundo a International Stress Management Association (ISMA).

O estresse e a ansiedade desencadeados pelo alto nível de pressão no trabalho são, sem dúvida, fatores determinantes para que um profissional tenha um episódio de burnout. 

Mas, os transtornos mentais não vem apenas acompanhados da síndrome. Vale lembrar que, segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. Ambos aumentaram durante a pandemia, inclusive.

Um relatório do Think Olga feito recentemente traz outro dado impressionante: no pós-pandemia, 1 em cada 2 mulheres tem algum tipo de transtorno mental.

No Brasil, como já foi dito, depressão e ansiedade são a terceira maior causa do afastamento do trabalho.

Demissões voluntárias

A Great Resignation, termo utilizado para falar da onda de demissões voluntárias que ocorreu em 2021, teve como um dos principais motivadores a necessidade que os profissionais estão sentindo de equilibrar melhor vida pessoal e profissional. 

Nesse sentido, a forte pressão por mais dedicação e resultados certamente estava entre os gatilhos que levaram tantas pessoas a deixarem seus cargos. 

Apesar de ter tido um momento de intensidade logo após a pandemia de Covid-19, considera-se que as necessidades por mais equilíbrio e saúde mental não são algo restrito ao fenômeno de 2021. Trata-se de uma tendência que segue crescente.

Prova disso é o descontentamento dos colaboradores em voltarem para o trabalho presencial. 

De acordo com uma pesquisa encomendada pelo Quinto Andar e pelo Imovelweb, 43% das pessoas que ainda trabalham em home office disseram que deixariam seu emprego caso fossem obrigadas a voltar para o escritório. 

Clima organizacional insalubre

A pressão excessiva no ambiente de trabalho é o caminho certo para ter um clima organizacional insalubre. 

Para cuidar do clima e desenvolver um ambiente de trabalho saudável, é preciso olhar para a comunicação das lideranças e analisar se estão exercendo uma pressão improdutiva na equipe. 

Adoecimento físico

Há uma série de doenças que podem ser desencadeadas pelo estresse crônico e que estão relacionadas à síndrome de burnout:

  • Distúrbios do sono;
  • Problemas de coração;
  • AVC;
  • Gastrite;
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Problemas respiratórios;
  • Dores musculares e articulares;
  • Problemas de pele como, psoríase;
  • Obesidade e distúrbios alimentares,
  • entre outros.

Levando em conta que o afastamento dos colaboradores tem um forte impacto para a manutenção das atividades da empresa, evitar que eles adoeçam por estresse é também uma atitude com impacto financeiro positivo.

Tratar a saúde mental das pessoas como uma questão estratégica é, portanto, uma necessidade. Para lidar com isso, é importante conhecer as limitações de cada colaborador.

Pressão no trabalho: como cada perfil comportamental reage?

Altos níveis de pressão no trabalho são inadmissíveis em qualquer contexto. As consequências disso podem ser muito perigosas, sabemos disso. 

Mas também estamos cientes de que existem atividades e períodos do mês em que alguns ambientes de trabalho são tomados por uma quantidade de demandas mais alta. 

Sempre que possível, é importante tentar prever esses momentos e preparar processos que facilitem a operação. 

Mas, além disso, conhecer os colaboradores é fundamental para saber como lidar com cada perfil nesses momentos de maior pressão. 

O teste de perfil DISC, desenvolvido pelo pesquisador Walter Vernon Clarke a partir de estudos do psicólogo americano Dr. William Moulton Marston, é uma das ferramentas de gestão de pessoas mais conhecidas. 

Ele classifica o comportamento das pessoas em 4 perfis: comunicador, planejador, executor e analista. 

Sabendo de qual perfil DISC cada colaborador mais se aproxima, é possível criar estratégias adequadas para lidar com eles, especialmente nos momentos de maior pressão. 

Entenda como isso pode ser feito: 

Um colaborador com perfil comunicador, tipicamente extrovertido e expressivo, tende a reagir melhor à pressão do que outras pessoas. 

Em momentos de desafio, ele busca soluções criativas e envolve os outros na realização. A melhor maneira de lidar com eles é oferecer desafios estimulantes e reconhecimento público por suas contribuições.

Os planejadores, orientados para detalhes e organização, podem sentir pressão ao se depararem com mudanças repentinas. 

Proporcionar um ambiente estruturado e dar tempo para que se ajustem às oscilações pode ajudá-los a lidar melhor com a pressão.

Executores, focados em resultados e ação, são motivados pela pressão que desafia suas habilidades práticas. Oferecer metas claras e recursos adequados é essencial para otimizar seu desempenho sob pressão. 

Em geral, é neste perfil que estão os “antifrágeis”. Ou seja, as pessoas que não só lidam melhor com desafios, mas que através deles realizam sua melhor performance.

Já profissionais com perfil analista, mais cautelosos e detalhistas, podem sentir-se sobrecarregados quando confrontados com incertezas. 

Por isso, é importante que tenham tempo para análises e informações detalhadas sobre as demandas. Isso pode ajudar a reduzir a pressão e possibilitar que tomem boas decisões.

Os analistas são os que tendem a ter menor resistência à pressão no trabalho. 

Estratégias para diminuir a pressão no trabalho

As empresas precisam entender que administrar a pressão do trabalho não é uma tarefa apenas do colaborador. Lideranças, gestores de saúde e profissionais de RH são diretamente responsáveis por isso. 

Desenvolver uma cultura organizacional que não normalize o trabalho sob pressão é uma das missões desses profissionais.  

A ideia é minimizar a pressão e, ao mesmo tempo, manter a produtividade dos times. Um desafio bem complexo. Mas existem maneiras de conseguir isso!

Veja algumas das principais:

Criar lideranças mais empáticas

A relação com os líderes é um dos aspectos mais importantes para a felicidade no trabalho. Por isso, treiná-los para agir com mais empatia é uma ação muito estratégica. 

A Vittude oferece serviços de psicoeducação para lideranças que podem ajudar muito na preparação das lideranças para lidar com questões de saúde mental corporativa.

Política de priorização de tarefas

“É para ontem”. Quem nunca recebeu essa resposta ao perguntar qual o prazo de uma tarefa? 

Existem locais de trabalho onde apagar incêndio é a principal atividade dos profissionais. Mas isso, além de não ser produtivo, é um gatilho de estresse para muita gente. 

Colaboradores do perfil analista e planejador sofrem ao trabalhar em lugares assim. 

Pessoas com maior capacidade de improviso e movidas por desafio podem até lidar melhor com atividades urgentes, mas definitivamente, essa não é a melhor forma de aproveitar a capacidade de inovação e execução delas.

Adotar uma política de priorização de tarefas é uma medida básica para as empresas que desejam ter bons resultados a médio e longo prazo. 

Respeitar e estimular o descanso

Não adianta as empresas terem um discurso de incentivo ao descanso se no dia-a-dia não se preocupam com a gestão das tarefas e a construção de um ambiente de trabalho saudável.


Não enviar mensagens fora do horário de trabalho, dosar os pedidos de hora extra, além de não sobrecarregar os funcionários com mais tarefas e responsabilidades do que alguém pode lidar são maneiras de respeitar os limites físicos e emocionais das pessoas.

São atitudes como essas que realmente diminuem a pressão no trabalho. 

Oferecer psicoterapia como benefício

Não existe ambiente de trabalho com nível de pressão zero. Portanto, oferecer suporte para ajudar os colaboradores a terem resiliência ao lidar com os momentos de estresse é bem importante. 

A psicoterapia é um recurso muito relevante para que alguém saiba como manejar as emoções em situações difíceis, como dificuldades de relacionamento com colegas e líderes, momentos de alta demanda de trabalho e cobranças por resultados e metas desafiadoras. 

Desenvolver habilidades comportamentais

Para lidar com a pressão no trabalho, é fundamental desenvolver habilidades comportamentais e a psicoterapia é um dos recursos que podem ajudar nisso. Mas não é o único.

Gestão de tempo, comunicação não violenta, feedback construtivo e gerenciamento de estresse são algumas habilidades importantes para que colaboradores se saiam melhor em períodos mais desafiadores. 

Então, é uma boa ideia oferecer treinamentos e mentorias individuais para que desenvolvam soft skills.

Desconstruir a cultura da sobrecarga de trabalho

Rodas de conversa são importantes para desconstruir a crença de que a sobrecarga de trabalho é algo positivo. 

A cultura de sobrecarga de trabalho ainda é muito comum, mas tem sido questionada, sobretudo pelos profissionais mais jovens. 

É muito importante discutir essa questão, ainda mais com a disseminação de ferramentas de inteligência artificial. 

Apesar de serem recursos que podem facilitar a vida dos trabalhadores, ao otimizar a realização de muitas tarefas, elas também têm sido utilizadas como desculpa para precarizar as condições de trabalho. Já pensou nisso?

A Vittude é a maior especialista no mercado de saúde mental corporativa. 

Nosso ecossistema oferece soluções completas e customizáveis para o bem-estar dos profissionais baseado nos pilares diagnóstico, educação, clínica e inteligência. 

Faça como o Grupo Boticário, a Vivo, a Telhanorte e tenha a Vittude como parceira de saúde mental dentro da sua empresa.

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Carol Motta

Redatora sênior, especialista em SEO On Page, cientista social e com experiência em conteúdos de saúde e RH. Trabalha para viver num mundo em que as pessoas sejam mais saudáveis e as organizações, mais inclusivas.

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