Saúde Ocupacional

Prevenção de doenças ocupacionais: principais distúrbios e 5 ações preventivas

Você sabe como agir na prevenção de doenças ocupacionais?

Durante a pandemia, os números de doenças profissionais e acidentes de trabalho aumentaram muito. 

A última amostragem é de 2021 e, nesta, os casos de LER/DORT aumentaram 192% de acordo com Rodrigo Pacheco, gestor em saúde e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABESST).

Além disso, os afastamentos por transtornos psicológicos e comportamentais foram de 200 mil. Ou seja, manteve a mesma proporção dos 5 anos anteriores à pandemia. Só por este dado, podemos ver como a saúde mental é um problema estrutural.

Está longe de ser uma “modinha corporativa”, como muitos ainda pensam. Infelizmente.

Esse número alto de adoecimentos também gera outros números altos em relação aos gastos da empresa com colaboradores adoecidos, questões burocráticas e até multas judiciais. 

Neste artigo, você vai entender mais sobre as principais doenças ocupacionais e como preveni-las!

Veja:

Quais as principais doenças ocupacionais?

Segundo a Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, as doenças ocupacionais mais comuns são as osteomusculares, mentais e comportamentais. Foram analisados 147 trabalhos e estes três grupos de enfermidades estavam presentes em 50% deles.

Ao todo, foram 94.163 casos de LER/DORt e e 12.969 casos de transtornos psicológicos relacionados ao trabalho. 

Uma pesquisa da B2P, consultoria especializada em afastamentos por motivos médicos, realizado em 2022, considerou que as 10 principais doenças ocupacionais no Brasil são:

  • Acidentes de trabalho (lesões)
  • LER/Dort e doenças do tecido conjuntivo
  • Transtornos psicológicos e comportamentais
  • Fatores que influenciam o estado de saúde (pressão alta, tabagismo e alcoolismo)
  • Covid-19
  • Doenças do aparelho digestivo
  • Doenças do aparelho circulatório
  • Doenças do aparelho respiratório
  • Doenças do sistema nervoso
  • Doenças infecciosas e parasitárias

Também é importante ressaltar que as doenças relacionadas ao trabalho com maior número de óbitos, registradas pela Organização Internacional do Trabalho, são:

  • Doença pulmonar obstrutiva Crônica (DPOC) – 450 mil mortes
  • Acidente vascular cerebral (AVC) – 400 mil mortes
  • Cardiopatia isquêmica (infarto) – 350 mil mortes

Vejamos agora um pouco mais sobre as principais doenças profissionais:

Doenças osteomusculares

Segundo um artigo publicado na Revista Brasileira de Medicina de Trabalho, os distúrbios osteomusculares são a principal causa de morbidade nos trabalhadores. Entre os seus sintomas estão:

  • Dor;
  • Parestesia;
  • Fadiga;
  • Limitação do movimento.

Vale ressaltar que estes sintomas resultam de fatores biomecânicos, relacionados à ergonomia e o nível de sedentarismo do colaborador, mas também a questões psicológicas. Um ambiente de trabalho tóxico, por exemplo, gera estresse, o que pode aumentar direta ou indiretamente todos estes sintomas. 

Como dito anteriormente, as doenças osteomusculares afetam 1 a cada 2 colaboradores. E, de acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor, 37% das pessoas sofrem com dores crônicas. 

Infelizmente, ainda é comum que a preocupação em relação à saúde dos trabalhadores se concentre nos acidentes de trabalho, que podem ser fatais. Mas, as doenças osteomusculares também podem ser perigosas, uma vez que são silenciosas. Quando você começa a sentir dor no braço, por exemplo, uma tendinite pode já estar instalada.

É claro que a gravidade dos sintomas e da doença em si vai depender de muitos fatores, ou seja, exige um olhar individualizado. E, neste sentido, muitos casos podem ter um tratamento difícil até para os próprios médicos no sentido da resolução do problema.

Inclusive, em muitos casos, a persistência dos sintomas gera a interpretação de que a doença é psicossomática. Especialmente quando o resultado dos exames não é conclusivo – e mais ainda quando as pacientes são mulheres.

Isso significa, para a empresa, grandes períodos de afastamento e, para o colaborador, diminuição da capacidade produtiva, impactos psicológicos, financeiros, entre muitos outros.

Portanto, elas precisam ser tratadas com mais seriedade! 

As principais ações que a empresa deve realizar são:

  • Incentivar a prática regular de atividades físicas;
  • Acompanhamento médico especializado;
  • Oferecimento de ferramentas de trabalho ergonômicas;
  • Monitoramento da saúde mental.

Continue  a leitura do artigo e veja como prevenir estas e outras doenças ocupacionais.

Doenças psicossociais

A lista de transtornos mentais do Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde sobre doenças do trabalho, feito pelo Ministério da Saúde e pela OPAS, engloba 12 tipos de doenças. 

São elas:

  • Demência e outras doenças específicas
  • Delirium, não sobreposto à demência, como descrita
  • Transtorno Cognitivo Leve
  • Transtorno Orgânico de Personalidade
  • Transtorno Mental Orgânico ou Sintomático Não-Especificado
  • Alcoolismo Crônico Relacionado ao Trabalho
  • Episódios Depressivos
  • Estado de Estresse Pós-Traumático
  • Neurastenia (inclui Síndrome de Fadiga)
  • Outros Transtornos Neuróticos Especificados (Inclui Neurose Profissional)
  • Transtorno do Ciclo Vigília-Sono devido a Fatores Não-Orgânicos
  • Sensação de Estar Acabado (Síndrome de Burnout ou do Esgotamento Profissional)

Síndrome de Burnout

Destas, vale a pena evidenciar a síndrome de burnout pela prevalência cada vez maior entre os trabalhadores. Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, 30% dos brasileiros sofrem com os sintomas do esgotamento profissional. 

Essa é – ou deveria ser – uma preocupação crescente das empresas, uma vez que gera consequências sérias para os colaboradores e tem um tempo de recuperação de, em média, 2 anos. 

Além disso, existe o desafio de ambientar novamente o colaborador na volta do afastamento, uma vez que ele pode ter gatilhos constantes em retornar para o lugar onde adoeceu.

Ao mesmo tempo, também existe um estigma por parte das empresas com colaboradores que já burnoutaram. E um dos motivos é que doenças complexas como essa geram uma série de gastos para as empresas. 

O problema é que a recusa em olhar para o problema de forma responsável e investir na prevenção acaba ficando mais caro diante do prejuízo para ambos – que pode ser ainda maior se o burnout estiver relacionado com assédio moral, o que infelizmente é muito comum. 

O professor da UFF, Bruno Chapadeiro, está desenvolvendo pesquisas com o Ministério Público do Trabalho e com o Observatório Nacional de Saúde Mental & Trabalho, a respeito do tema e diz:

“Não apenas o Burnout, mas os TMRTs no geral têm se tornado uma epidemia. São hoje a segunda maior causa de afastamentos do trabalho no Brasil e no mundo, algo que se acentuou com a pandemia. 

No caso, pelo fato de o Burnout ser uma síndrome do esgotamento profissional, vê-se um aumento significativo de casos de diagnósticos, uma vez que nossas formas de trabalhar estão cada vez mais precarizadas e intensificadas.”

Hoje, o Brasil é o segundo país com maior número de casos de síndrome de burnout no mundo, ficando atrás apenas do Japão. 

Transtornos psicológicos

Além da síndrome de burnout, que já é considerada uma doença ocupacional pela OMS, transtornos como ansiedade e depressão são a 3ª maior causa de afastamento no trabalho, segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho.  

Além disso, vale a pena lembrar de dados já bem conhecidos: o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS, e o mais depressivo da América Latina, de acordo com a OPAS. 

Este contexto nos ajuda a perceber a grande importância de debater o tema dentro das organizações. Muitas delas ainda não sabem como lidar ou o que implementar, apesar de terem uma profunda vontade de ajudar os colaboradores. 

É importante relatar ainda que houve um aumento de transtornos mentais após a pandemia de Covid-19. Tanto a depressão quanto a ansiedade, que são os mais comuns, aumentaram 25% na pandemia, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.

Em resumo, estamos vivendo um dos períodos mais graves que já existiu em relação à saúde mental. Várias entidades já estão dizendo que o que estamos vivendo agora equivale a uma “segunda pandemia”, mas, neste caso, de saúde mental  

E, se as empresas não se preocuparem com isso, além de não cumprirem com a sua responsabilidade social diante dos colaboradores, vão perder cada vez mais dinheiro. 

Veja, abaixo, as principais consequências para as organizações da negligência com a saúde mental dos funcionários! 

Quais prejuízos as doenças profissionais causam para a empresa?

Ter colaboradores adoecidos não é bom para ninguém. Os impactos podem ser desastrosos para os colaboradores, mas também gera muita dor de cabeça para as empresas.

Veja algumas consequências significativas a seguir.

Aumento da sinistralidade

Quanto mais pessoas doentes, mais o plano de saúde é usado. O problema é que o uso de um plano de saúde empresarial nunca é ilimitado. Consultas, procedimentos e exames realizados além da cota definida geram gastos para as empresas. 

Neste sentido, vale lembrar que o plano de saúde representa o segundo maior custo que a organização tem com os funcionários, ficando atrás apenas da folha de pagamento. 

Além disso, a empresa precisa continuar a pagá-lo quando o colaborador está afastado quando for o caso de uma doença ocupacional. 

Colocando tudo isso na balança, inclusive a queda de produtividade e os outros gastos relacionados à doença profissional – como pagamento de benefícios, FGTS, etc. -, a quantia pode ficar extremamente onerosa.

Por isso é fundamental fazer a gestão de saúde dos colaboradores, com ações preventivas e outras iniciativas para ajudar tanto os colaboradores quanto a organização.

Gastos com alíquotas

Falando em prevenção, FAP e RAT são alíquotas que existem justamente para prevenir acidentes de trabalho e doenças profissionais. 

Cada uma é calculada segundo regras específicas que estão relacionadas ao tamanho e nicho da empresa, além da quantidade de colaboradores afastados. 

Veja aqui como calcular o FAP e o RAT da sua empresa!

Como atuar na prevenção de doenças ocupacionais?

Ações para gerenciar a prevenção de doenças ocupacionais devem ser priorizadas a todo custo e os motivos já estão explícitos. Mas quais são as mais recomendadas? Afinal, existem muitas possibilidades, não é?

Sim! E a melhor resposta é a que ninguém gosta de ouvir: depende. O ideal é que você conheça a população da empresa, ou seja, faça um diagnóstico prévio para saber quais os principais problemas e também qual o nível de conscientização das pessoas sobre o assunto.

Afinal, por quê desenvolver um programa de saúde completíssimo se ele ainda não vai ter adesão?

Mesmo assim, existem questões básicas que podem beneficiar todas as empresas. Listamos algumas delas para te ajudar a implementá-las e obter um desfecho positivo. 

Promover uma cultura de bem-estar e saúde mental

O primeiro passo é adequar a mentalidade da empresa. 

Hoje, é muito comum que as organizações só façam o que é estritamente obrigatório por lei: como a aplicação do PMCSO, a promoção da SIPAT, realização do PPRA, entre outros. 

Mas isso resolve o problema? É claro que não. Afinal, muitas das doenças ocupacionais são doenças silenciosas que não necessariamente são detectadas nos momentos iniciais. 

Além disso, como dissemos acima, o objetivo principal deve ser sempre o de prevenir as doenças. É claro que o tratamento é fundamental, mas é um grande equívoco esperar a doença aparecer para ver o que precisa ser feito. 

Por isso, fazer adequações na cultura da empresa para que o ambiente organizacional se transforme num local positivo, saudável e que engaje os colaboradores é muito importante. 

Investir em ergonomia

Uma série de doenças osteomusculares são causadas por má postura. Especialmente quando isso é algo frequente. 

Por isso, ter uma cadeira ajustável, uma mesa numa altura confortável, além de bons computadores ou outras ferramentas de trabalho é um investimento essencial. 

Justamente por aumentar o conforto, o cansaço também diminui e a disposição para o trabalho aumenta. 

Além de investir nos materiais em si, que tal fazer um workshop de ergonomia? Assim, é possível que cada colaborador avalie como está trabalhando e ainda é possível aproveitar o momento para que o especialista no assunto incentive a prática de exercícios físicos. 

Ambas estão muito relacionadas já que são as principais formas de prevenção a DORT. 

Oferecer psicoterapia

O autoconhecimento é a base para fazer decisões saudáveis e assertivas na vida. Isso envolve tanto a vida pessoal quanto a profissional. 

Com a oportunidade de ter um apoio individualizado e escuta de qualidade, é possível enxergar os “pontos cegos” que não conseguimos ver sozinhos e acessar eventos dolorosos, mas que precisam ser ressignificados para mudar quaisquer padrões negativos que ainda estão ocorrendo no presente. 

Isso tem relação direta com a prevenção de doenças ocupacionais. É sabido, por exemplo, que a síndrome de burnout tem mais chances de acontecer em pessoas perfeccionistas. Aliás, o perfeccionismo e a rigidez estão presentes na maioria das doenças e transtornos aqui citados, além de muitos outros. 

Por isso, subsidiar sessões semanais de psicoterapia não é luxo nem frescura. É uma necessidade básica! Afinal, cuidar da saúde mental dos colaboradores não é mais opcional. 

Combater o sedentarismo

Você já sabe, nós já sabemos, mas infelizmente isso ainda deve ser repetido com frequência: a prática de exercícios físicos é imprescindível para a manutenção da boa saúde física e mental. 

Para que o desânimo não vença essa batalha, é importante que cada pessoa possa escolher o tipo de atividade que mais gosta. Isso é especialmente importante para quem já tem alguma doença ocupacional. 

Mas, mesmo sendo necessário, não é tão simples. Você já tentou fazer exercício com dor? Ou deprimido? É extremamente difícil. Mas, como já dizia Paracelso: “A diferença entre o veneno e o remédio é a dose.”

Ou seja, o que vai diminuir dores nas costas é exatamente o fortalecimento dos músculos da região. Mas, é claro que, especialmente nestes casos, é ainda mais importante ter acompanhamento médico e de profissionais da modalidade escolhida.

Isso significa que, ao invés de fazer aulas de musculação na internet, é bem mais interessante ir numa aula de pilates ou pagar um personal trainer, por exemplo.

Lembre-se que cada pessoa tem questões de saúde específicas que devem ser observadas. O que funciona para uma pessoa não é necessariamente o que fará bem para outra. 

Estruturar um programa de saúde mental

Os transtornos mentais e a síndrome de burnout são algumas das principais doenças ocupacionais. E, como dissemos, a psicoterapia é muito importante, mas é preciso ir além dela, em alguns casos.

Afinal, se o ambiente organizacional for insalubre, não há terapia que dê conta. Os colaboradores continuarão adoecidos. Em casos como este, é necessário implementar um ecossistema de saúde mental. 

Isso significa que a psicoterapia fica na ponta do processo. 

Junto a ela, é preciso realizar um diagnóstico prévio da saúde mental dos funcionários, além de trabalhar a conscientização sobre o tema, através de rodas de conversa, workshops e palestras, e, por fim, realizar análises periódicas dos dados levantados.

O conjunto destas iniciativas permite colher resultados muito mais positivos, uma vez que as informações coletadas servirão de base para as ações implementadas.

A Vittude é a empresa líder no mercado de saúde mental corporativa. Nossa missão é te ajudar a prevenir, acompanhar e auxiliar no tratamento de questões relacionadas ao bem-estar psicológico. 

Nosso ecossistema de soluções é altamente personalizável, de acordo com as necessidades da sua empresa. 

Para entender um pouco mais, que tal testar a nossa calculadora de saúde mental

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Carol Motta

Redatora sênior, especialista em SEO On Page, cientista social e com experiência em conteúdos de saúde e RH. Trabalha para viver num mundo em que as pessoas sejam mais saudáveis e as organizações, mais inclusivas.

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