Psicologia e meditação são grandes aliadas

Meditação e Psicologia: que tal experimentá-las juntas?

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Meditação e Psicologia podem e devem andar juntas. Há técnicas meditativas que nem precisam dessa pose. É possível aprendê-las em sessões de psicoterapia. Saiba mais.

Meditação e Psicologia

Com origem oriental,  especialmente calcada no yoga e no budismo, a meditação também foi adotada, sob diferentes prismas, pelo taoísmo, tantrismo, xamanismo, islamismo e até pelas religiões que permeiam as civilizações ocidentais como o judaísmo e o cristianismo. Hoje em dia, é sabido que a prática das técnicas que buscam colocar o indivíduo no caminho da meditação são extremamente saudáveis, curativas e terapêuticas. A ciência tem comprovado cada vez mais esse fato e há uma infinidade de livros no tema. Assim, a junção entre psicologia e técnicas meditativas pode ajudar – e muito! –  na sua jornada pelo autoconhecimento.

Mas primeiro, vamos à história. Alguns fatores importantes para que a meditação encontrasse seu lugar no mainstream ocidental foram a Diáspora Tibetana, que fundou centros budistas tibetanos nos principais países, o surgimento de mestres indianos como Osho e Krishnamurti  no século 20, causando impacto enorme na mídia mundial e  a divulgação e o estudo de importantes mestres de vertentes Zen do Japão em universidades americanas e europeias. O encontro entre a psicologia e as técnicas meditativas começa a ocorrer com a aproximação da mente oriental e da mente ocidental no fim do século 20, seguindo com força neste século 21, com o aprofundamento da globalização.

Meditação é um estado de espírito

A meditação em si, não é uma técnica ou uma ação, mas sim um estado de espírito. Meditar é passar a viver permanentemente um estado búdico: ser um Jesus Cristo, um Chico Xavier, um Gautama –  Buddha, um Lao Tsé. Sentar em silêncio, imóvel e observando a entrada e a saída do ar pelas narinas não é meditar. Sentar em silêncio e imóvel é apenas uma técnica que nos coloca nessa direção. A meditação “automática” conseguida por meio dessa prática seria uma verdadeira iluminação! A possibilidade de atingi-la é mínima. O que importa de verdade é gozar dos benefícios de certas técnicas meditativas, revigorando-se física e psiquicamente de modo extraordinário.

Mulher meditando

Meditar é um estado de espírito.

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Técnicas de meditação

É por isso que tanta gente relata maravilhas como resultado de práticas de yoga que surgiram aproximadamente 200 anos a.C, na Índia, pelo mestre Pantajali.   Na verdade, qualquer atividade que seja feita com totalidade – que se goste de fazer e que nos absorva totalmente, que nos dê prazer – é uma técnica meditativa! Jogar futebol. Ler um livro. Cozinhar.  Trabalhar no que se gosta. Ver televisão, fazer jogging, jogar playstation, ouvir os passarinhos, fazer amor, dançar, cantar e andar de bicicleta são possíveis técnicas de meditação. Não é necessário eleger uma técnica como “sentar quieto por uma hora até a perna formigar” como nossa técnica de meditação. Cada um encontra a sua.

A utilização dessas técnicas na sessão de psicoterapia significa uma abordagem sem o uso de palavras e da fala, portanto mais indireta e mais sutil, que pode dinamizar processos psíquicos, minimizar a intensidade de sofrimentos e integrar aspectos psicológicos. As soluções alcançadas geralmente são silenciosas e surpreendentes. Psiquiatras nos EUA, e em outros países, as tem utilizado com bastante sucesso.

No meu consultório de psicologia, utilizo dez técnicas de meditação de Osho muito poderosas clinicamente. Elas foram projetadas para o homem contemporâneo e incluem música, dança, relaxamento, silêncio, e a possibilidade de extravasar vários sentimentos. Quatro delas são utilizadas com mais frequência:

Osho na terapia

Osho Meditação Dinâmica
Deve ser utilizada com parcimônia, pelo esforço físico e pela profundidade psíquica. De forma simbólica, diz-se que a Osho Dinâmica “cura vidas passadas”.

Osho Meditação do Riso
Original, surpreendente e alto astral.

Osho Meditação Nataraj
Usa a dança livre, técnica que sugere que você “não dance, mas que seja dançado, que se torne a própria dança”. É deliciosa.

Osho Meditação Kundalini
Fácil para o corpo, divertida, ancestral e psiquicamente profunda, é, sem dúvida, a técnica de meditação preferida pelos “sannyasins and friends” no mundo todo, e você pode baixar livremente na net.

Como sabemos que esses estados meditativos podem ter efeitos psicológicos benéficos?

Por meio da pesquisa e do uso de equipamentos como ressonância magnética, verificamos a atividade cerebral de pessoas que praticam meditação diariamente. Esses testes são comparados com testes em pessoas que não praticam nenhuma forma de meditação. Então, o que esses resultados mostram? Eles mostram que a ruminação ativa áreas do cérebro que cuidam das funções de nosso corpo que não temos controle, como pressão arterial e digestão.  É importante destacar que essas duas funções corporais também são altamente suscetíveis ao estresse. Portanto, a partir do conhecimento de que as sessões de meditação tiveram efeitos positivos nessas áreas do cérebro, condições relacionadas ao estresse também podem ser amenizadas, bem como: doenças cardíacas, infertilidade e burnout.

Certamente, qualquer coisa que nos ajude a combater o estresse é uma ferramenta bem-vinda

Mas o que mais a meditação pode estar fazendo por nós? 

Diversos estudos mostram que a meditação tem, não apenas um efeito fisiológico mental, mas também no corpo. A meditação pode reduzir a dor e melhorar o sistema imunológico do corpo,  combatendo melhor as doenças.

Os psicólogos viram, em primeira mão, como a prática de meditação junto com o tratamento psicológico pode ajudar os clientes. Alguns profissionais afirmaram terem encaminhado pacientes à meditação como opção de ajuda extra. Clientes que antes apresentavam um alto grau de problemas como ansiedade e estresse, retornaram ao consultório do psicólogo com grandes avanços.

Muitos psicólogos acreditam que a eficácia das meditações tem a ver com deixar de lado nosso apego com o ego. Após a deliberação, você se concentra no senso de si mesmo, o ego que antes era tão importante, torna-se esquivo. O indivíduo encontra-se mais consciente, mais interconectado com outros seres, e consegue alinhar melhor suas próprias preocupações.

Enquanto cientistas e psicólogos ocidentais ainda estão explorando exatamente como e por que a meditação funciona, a cultura oriental já  sabe que existem benefícios fisiológicos e psicológicos. Muitos terapeutas consideram um complemento válido para terapias mais tradicionais. 

Gostou? Experimente unir psicologia e meditação.

Renata Fadul, psicóloga parceira da Vittude, formada na abordagem da fenomenologia existencial, especializada em psicologia clínica, em constelação familiar e técnicas de meditação. Agende sua consulta!

Artigo revisado em: 16/10/2019

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.