significado de empatia

Descubra o significado de empatia e aprenda a desenvolvê-la

  |  Tempo de leitura: 9 minutos
Clique e encontre seu psicólogo !

O significado de empatia é decifrado quando conseguimos ultrapassar as fronteiras de nosso ego, esquecendo o “eu” como medida de razões e virtudes.

Para entender a fundo esse conceito, pense em suas conversas. Lembre de alguma discussão acalorada ou de um momento no qual um amigo lhe procurou para desabafar. Como conduziu o diálogo? 

Não raro, escutamos o outro e lhe apresentamos nosso ponto de vista. Nossa interpretação dos fatos. Parece o mais sensato a se fazer, não é verdade?

Mas… será mesmo? Nossas vivências nos proporcionam uma visão sobre os fatos. Isso mesmo, uma visão. Singular, particular, individual. Qual o lugar do outro — ou dos outros — nessa perspectiva?

Será que, para estarmos certos, o outro deve estar errado? Será que nossa experiência é melhor qualificada para estabelecer juízos?

Se você estivesse no lugar do outro, compartilhando idênticas emoções, trajetória, objetivos, medos, cultura, dificuldades… acaso não analisaria a situação a partir de outro ângulo?

A empatia nos convoca a ocuparmos esse lugar alheio. Pede uma reação menos imediatista e narcisista para, em seu lugar, construirmos relações de escuta genuína.

Mais empatia, por favor

Diante do significado de empatia, você pode questionar: “o que eu ganho sendo empático?”. Afinal, por que se colocar no lugar do outro, quando parece tão mais simples seguir o instinto de, apenas, reafirmar a própria identidade?

O benefício crucial da empatia se faz notar na qualidade de nossa comunicação. Podemos passar horas defendendo argumentos bem embasados, sem obtermos efeitos de convencimento. Simplesmente porque, na ausência de sintonia, mesmo as mais sábias palavras não passam de frases esquecíveis.

Quando os pais falam com seus filhos adolescentes, por exemplo. Tantas explicações e orientações que parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro, não é verdade? 

Por que isso acontece? Porque pais e filhos estão em situações diferentes da vida. Cada um com sua linguagem, suas expectativas e suas próprias experiências. Cada um em seu lugar particular na história.

A sintonia não é simples. Mas é a mediadora que falta, para ambos os lados, no processo de entendimento mútuo. 

Como pais, devemos encontrar flexibilidade para compreender o ponto de vista do adolescente. Não se trata de ser condescendente e deixar valer todas as vontades do filho! Isso não seria um diálogo.

Mas então, qual o significado de empatia?

Empatia não é agradar o outro. É oferecer uma voz coerente com o que o outro precisa e está apto a assimilar, produzindo sentido para sua vida.

O significado da empatia impera quando os pais realmente escutam e enxergam a individualidade que o adolescente lhes revela. Experimentam seu universo, se permitem refletir a partir do que ele objetiva e sente. É nesse ponto que entendem onde podem indicar caminhos, valores e responsabilidades.

Clique e encontre seu psicólogo !

Empatia gera empatia

Outro exemplo bem prático: você assiste a uma palestra. No entanto, embora o orador tenha um vocabulário espetacular, nada do que ele diz lhe parece interessante. Você até cai no sono durante a fala!

Você sabia, de antemão, qual era o tema da palestra. Ela lhe soou atraente. Parecia ideal para responder questões que você vem enfrentando. Então por que está entediado?

A ausência de empatia pode ser culpa sua, que idealizou um tipo de discurso e não consegue se abrir a novas propostas. Pode ser culpa sua, porque está de corpo presente, mas com a cabeça longe. Pode ser culpa sua, porque resolveu implicar com a figura atípica do palestrante e permitiu que seus preconceitos bloqueassem seu aprendizado.

Todavia, a falta de empatia também pode ser culpa do orador. Porque ele não adaptou sua linguagem à plateia. Porque parece falar sozinho, sem se dar conta de que seus ouvintes estão presentes para refletir, não para bater palmas.

Qualquer comunicação efetiva elabora o significado de empatia para se tornar memorável. Porque comunicação é encontro, é espaço “entre” individualidades, é troca. 

Comece a prestar atenção nessa correspondência. Perceba que você aprende e se transforma sempre que se deixa um pouco de lado. 

Quando viaja em páginas de um livro, você realiza esse exercício de entrega. Enquanto lê, toma emprestadas as lentes do autor para redescobrir o mundo. Você não fragiliza sua identidade nesse processo. Ao contrário! Ela se aperfeiçoa e, ao encerrar o volume, se sente mais completa. 

Ocorre exatamente o mesmo quando nos relacionamos com pessoas. A empatia não nos anula, não nos diminui. Ela amplia e fortalece nossa personalidade, pois nenhum conhecimento acontece na calmaria das repetições. 

A diferença nos desafia. Quem não a compreende, trava uma guerra. Quem a aceita, desperta para novos horizontes.

O significado de empatia na prática: como ser mais empático?

A empatia é, acima de tudo, um exercício de imaginação. Para que ela ocorra, precisamos dar espaço para o “e se…” ocupar nosso raciocínio, interrompendo o fluxo automático de ideias autocentradas.

Para nos colocarmos no lugar do interlocutor, não importa quem ele seja — um familiar, um amigo, um desafeto, um colega de trabalho, um cliente que pede atendimento… — precisamos entender que já não se trata de nossas preferências e razões, mas sim de um esforço em aceitar as inclinações alheias, sem prejulgamentos.

Confira nossas dicas para facilitar esse processo:

1. Entenda que ser empático não é o mesmo que concordar com o outro 

A empatia não requer mudanças de opiniões individuais. Você não precisa diluir suas crenças para entender que o outro tem direito a escolhas diferentes. É perfeitamente possível captar uma lógica distinta de suas convicções sem, contudo, assumi-la como nova verdade em sua vida.

Ser empático não é se transformar no outro. É apenas tomar emprestado seu ponto de vista, sem entendê-lo como confronto ao próprio olhar. 

Quando você viaja para outro país, sabe que precisa respeitar costumes locais e adotar o idioma estrangeiro para se integrar. Mas isso não lhe torna um nativo. É apenas uma estratégia para entender e se fazer entendido, sem maiores atritos e entraves.

Pois bem: considere essa postura ao interagir com pessoas cuja personalidade e gostos se opõem aos seus! 

2. Pratique a arte da escutatória

Estamos tão preocupados em nos expressarmos bem que esquecemos a contrapartida. Saber falar é apenas metade do caminho. E talvez nem seja a metade mais importante… 

Ouça com atenção sincera. Permita que a pessoa explane seus argumentos, sem interrompê-la. Pense através do ângulo que ela lhe oferece. Concentre-se em ver o sentido que ela ilustra, não o que você pressupõe.

O significado de empatia — bem como sua prática concreta — está profundamente conectado com a habilidade de ser um ouvinte generoso e compenetrado.

3. Seja curioso

Ser curioso não é o mesmo que ser intrometido ou invasivo. A curiosidade positiva se estabelece sempre que tentamos desvendar propósitos e conteúdos distintos daqueles que julgamos dominar.

Portanto, quando somos curiosos com a narrativa do outro, demonstramos nossa aptidão para uma interpretação aberta, revelamos um olhar interessado, que deseja alcançar entendimento.

Pergunte, questione e esteja preparado para ouvir, sem filtros de certezas preestabelecidas. Ser curioso não é desafiar o outro a provar seu ponto de vista, mas sim um convite à partilha de suas análises, que essas serão ouvidas sem reservas.

4. Encontre ocasiões para desenvolver a empatia

Não basta dominar o significado de empatia em teoria e esquecer de aplicá-lo no cotidiano! É no exercício consciente da sabedoria que ela se constrói.

Abandone a ideia de que a empatia virá por conta própria. Se ela não faz parte de seu repertório habitual na dinâmica de relações sociais, você precisará cultivá-la, criando oportunidades para praticá-la, de forma vigilante.

Como? Em suas conversas, experimente ser menos falante e mais ouvinte. 

Pergunte para as pessoas próximas como passaram seu dia e aprecie a narrativa. 

Se estiver vivendo situações de conflito, no âmbito pessoal ou profissional, teste a empatia como recurso para atenuar o descompasso. Não se apresse em apresentar suas conclusões. Tire um tempo para pensar, refletir a partir do prisma que o outro revelou.

Banque o “advogado do diabo” consigo mesmo

Assuma que seu ponto de vista não é o único. Veja o sentido que o outro elabora, averigue as circunstâncias a partir do relato alheio.

Uma boa tática para o “treino” da empatia é perceber o quanto ela é natural durante narrativas ficcionais. Já notou que, enquanto assiste a um filme ou uma série, mesmo que o protagonista seja um serial killer, você consegue compreendê-lo?

Não significa que você, intimamente, aprova o que ele faz. Tampouco essa compreensão implicará em uma nova regra de conduta para sua vida. O que ocorre, durante o pacto ficcional, é que você deixa de lado suas escolhas para acompanhar as motivações e atitudes do personagem, sem se confundir a ele.

Essa empatia com a ficção pode ser o exemplo fundamental do qual você precisa para despertar para as possibilidades de viabilizá-la na vida prática, sem receios de se perder no ponto de vista que toma emprestado.

Escutar o outro não machuca. Embora possa, positivamente, nos livrar de preconceitos e da necessidade de sermos perfeitos em nossas avaliações. 

5. Dê valor ao silêncio

Boas conversas — e convivências — se fortalecem nos intervalos de quietude. Calar não é sinal de ausência, antes o contrário! É demonstração de tempo de ponderação, de consideração, de assimilação do diferente. 

O silêncio é linguagem de análise, indicativo de que a voz do “eu” encontra a humildade de não se fazer imperativa e ciente de todas as respostas. 

Também perceba que nem só de palavras vive a expressão humana! O corpo comunica, com sistema próprio. 

Somos mais empáticos na medida em que não precisamos que o outro se traduza em palavras, para que o percebamos como presença. 

Aprenda a enxergar nas entrelinhas. O significado de empatia está na habilidade de observar nuances, opiniões e emoções nem sempre claramente anunciadas. 

Gostou do post? Então assine nossa newsletter para receber, em sua caixa de emails, notificações de nossos conteúdos e novidades!

Clique e encontre seu psicólogo !

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.