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Solidão: 6 dicas para ajudar você a lidar com ela

  |  Tempo de leitura: 9 minutos
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Solidão é um sentimento negativo que surge quando nossas necessidades não são atendidas pela quantidade e qualidade de nossas relações sociais atuais. Como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver e prosperar. Quando começamos a sentir-nos sozinhos, experimentamos sentimentos intensificados de vulnerabilidade, que podem prejudicar nossa saúde mental.

Solidão é o sentimento que surge quando nos sentimos só, mas não precisamos estar literalmente sem a companhia de outros para senti-la. Ela se manifesta até mesmo quando estamos rodeados de pessoas queridas, em ambientes movimentados e enquanto realizamos afazeres diários.

A correria do cotidiano nos obriga a encontrar um horário para tudo, como por exemplo, trabalho, amigos, família, hobbies. Outro fator é que hoje em dia muitas pessoas têm projetos paralelos que ocupam o tempo livre ou trabalham de casa, restringindo o contato social.

Está cada vez mais difícil encontrar quem gostamos para tomar um café ou fazer um happy hour.

Além de que, enfrentamos todo o tipo de situações sozinhos e algumas podem até mesmo o mudar o curso de nossas vidas. Podemos ter pessoas queridas nos apoiando e querendo bem, mas, nesses casos, a tomada de decisão ou o desempenho diante do desafio depende apenas de nós.

Saber administrar os momentos de solitude não é somente importante para manter a saúde mental, mas também para nosso crescimento como indivíduos.  

É normal querer passar um tempo só para desestressar após uma semana agitada ou apreciar a própria companhia. O problema é quando a solidão se torna uma constante em nossa vida. 

Estamos cada vez mais solitários

Vivemos em uma sociedade dinâmica e agitada em que mudanças acontecem em um curto período. Normalmente, sem aviso prévio. Não sobra tempo na agenda para fortalecer os laços com as pessoas em nossa vida. 

Quem já ouviu (ou até sugeriu) o famoso “vamos marcar um churrasco” pelo menos uma vez na vida e ficou por isso mesmo? E o motivo é sempre o mesmo: todo mundo está ocupado. Parece que dificuldade para cultivar amizades encoraja as pessoas a investirem em momentos solitários.

A epidemia da solidão se alastra por todas as faixas etárias. É comum acreditar que idosos sentem-se mais só devido às circunstâncias desse período da vida – aposentadoria, filhos morando longe, amigos distantes, doenças que dificultam o convívio social. 

Porém, esse não é um problema apenas dos anciãos: uma pesquisa da Universidade da Califórnia mostrou que jovens entre 23  a 27 anos também se sentem solitários. Um possível indicativo para esse resultado é a inconstância que esse período apresenta.

Há quem acredite que a solidão pode ser positiva devido a questões emocionais. Pessoas que naturalmente se sentem excluídas de grupos sociais, optam por não conviver com eles. A crença na dificuldade para se conectar com os demais faz com que as pessoas se isolem.

A falta de relacionamentos saudáveis e duradouros, que despertem a vontade de apreciar a vida, resultam em uma série de complicações. Além de nosso desempenho profissional e relacionamentos interpessoais saírem prejudicados, nossa saúde também é afetada.

Indicativos de que nos sentimos só

A solidão não é uma doença. Não se pode curá-la com uma vacina ou medicamento, mas é possível identificá-la através de alguns sintomas. 

Antes de tudo, se faz necessário compreender que esse sentimento não surge apenas quando estamos fisicamente sozinhos. Pessoas introvertidas, por exemplo, sentem prazer em realizar atividades sem a companhia de outros e não há problema nenhum nisso, afinal gostar da própria companhia é diferente de se sentir solitário.

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Esse sentimento se torna preocupante quando, mesmo convivendo com outras pessoas, nos sentimos só. Quando a expectativa que temos dos nossos relacionamentos não está sendo atingida, sentimos que não podemos contar com as pessoas ao nosso redor.

Passamos a ter dificuldade para administrar momentos de solitude e geralmente é quando a nossa carência afetiva cresce. A carência em excesso não é apenas ruim para nossa autoestima, mas também afeta os nossos relacionamentos consolidados pois a tendência comum é buscar aliviar esse sentimento ruim com interações sociais forçadas e até nocivas.

Outra tendência das pessoas solitárias é desejar ficar ainda mais só, levando ao isolamento social. 

A vontade de sair de casa, ver os amigos e fazer atividades que antes eram prazeirosas desaparece. E, embora cumprir com as obrigações diárias não sejam um problema, perdemos o entusiasmo pela vida e paramos de procurar novidades.

Até mesmo a motivação para sair da cama, tomar banho, preparar refeições e trabalhar pode desaparecer. Ao mesmo tempo, a inquietação se acomoda, sempre em busca de algo para preencher o silêncio e esse comportamento cresce gradativamente e se instala sem que se tenha consciência.

Consequências da solidão

A nossa saúde física e mental é afetada de diversas maneiras pela falta de interações sociais de qualidade. Listamos algumas abaixo. 

Risco de doenças cardiovasculares

O corpo de pessoas solitárias permanece em estado de constante tensão. Isso resulta em noites mal dormidas, insônia e aumento do hormônio cortisol, responsável por controlar o estresse. Esses fatores combinados prejudicam o funcionamento do coração, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e AVC em até 30%.

Queda na imunidade

Há indícios de que o desempenho do sistema imunológico é reduzido. O risco de infecções, gripes e resfriados é, então, maior. 

Transtorno da ansiedade

Na inquietação, estamos sempre agitados e não conseguimos relaxar quando interagimos com o mundo ou estamos sozinhos. Nosso corpo compreende que precisamos estar sempre à procura de possíveis ameaças e sob essas circunstâncias, é possível desenvolver um transtorno da ansiedade

Depressão

Quando nos sentimentos solitários, a tendência é nos sentirmos indesejados, mal compreendidos e desvalorizados. A sensação de vazio aumenta e nos acompanha para todo lugar e a propensão para desenvolver depressão é mais alta.

Maior chance de dependências químicas 

A constante busca por momentos de prazer e alívio de sentimentos negativos pode levar a dependência de medicamentos, bebidas alcoólicas e cigarro. A falta de apoio de pessoas queridas torna ainda mais difícil cortar esses hábitos negativos.

Risco de morte prematura

Como visto anteriormente, pessoas que vivem sozinhas estão mais propensas a desenvolver hábitos nocivos e doenças e experimentar estresse constante. O conjunto de todos esses fatores aumento o risco de morte prematura. 

O estigma da solidão

Na nossa sociedade, estar só é associado a dezenas de denominação negativas. Quem aparenta não ter companhia para acompanhá-lo, é julgado por sua inaptidão social. A pressão para se socializar constantemente, ter uma presença online e compartilhar belos momentos nas redes sociais é real.

Ela pode ser um impedimento para que tenhamos a coragem de abraçar esse sentimento. Mas não há razões para se sentir inferior por conta disso pois todo problema só é solucionado quando admitimos tê-lo.

Só assim passaremos a perceber nossos comportamentos e hábitos negativos e procurar soluções ativamente. Se você se identificou com os sintomas, está na hora de fazer mudanças significativas para otimizar o seu bem-estar. 

Faça uma avaliação de sua vida antes de se comprometer a fazer mudanças. Por que se sente solitário? Há alguém ou algo que contribui para esse sentimento? Quais situações aflorem esse sentimento? Identificar os possíveis motivos que o levam a querer ficar só, vai ajudá-lo a traçar o melhor plano de ação para resolver o problema. 

Se for uma questão profissional, talvez seja o momento para pensar em uma mudança de carreira, mas se o caso é que e suas amizades não estão lhe fazendo bem, você pode procurar criar laços com outras pessoas. 

Dicas para lidar com a solidão

Deixamos claro que essas dicas são apropriadas para aliviar o problema e estimular um maior bem-estar na vida diária. A orientação de um psicólogo se faz necessária para trabalhar o problema mais profundamente. 

1. Comece com tarefas simples

São ótimas para incentivá-lo a concluí-las com facilidade e sem pressão para resultados extraordinários. Pode ser um trabalho voluntário da sua preferência, ajudar alguém próximo, praticar exercícios em grupo ou desfrutar de eventos que a sua cidade tem para oferecer. 

2. Avalie suas amizades

Se não estiver se sentindo bem com seu grupo de amigos, identifique o que está errado e tente encontrar uma solução.

3. Permita-se viver novas experiências

Iniciar um curso de idioma ou aprender a tocar um instrumento musical. O desânimo provavelmente tomará conta apenas com a menção dessas atividades, mas se force a encarar esse desafio.

4. Converse com as pessoas sem expectativa.

Concentre-se apenas no momento presente e compartilhe assuntos interessantes. Essa atitude ajuda a conversa a desenvolver-se naturalmente, aumentando as possibilidades de fazer uma nova amizade.

5. Tenha um diário ou reserve um momento para escrever

Escreva seus sentimentos sem pudor. A técnica do diário é utilizada em diversos tratamentos por oferecer muitos benefícios. Um deles é o alívio de tensão por meio do desabafo, pois nem todo mundo consegue abrir o coração. Logo, expressar-se através da escrita pode ser uma alternativa menos intimidadora. 

6. Invista na sua autoestima

É fácil se esquecer do próprio valor em meio à correria e o peso das críticas e dos relacionamentos frágeis pode abalar a nossa confiança. Podemos virar reféns da aprovação alheia se não soubermos nos valorizar. Então a dica é: tire um momento do dia para admirar o que há de bom em você e lembrar a si mesmo de suas qualidades.

Talvez seja necessário fazer um esforço maior para sair da zona de conforto, mas não ultrapasse seus limites. Essas atitudes simples tem o poder de afastar a solidão e devolver o gosto pela vida. A prática frequente melhora a nossa saúde mental e contribui para uma vida mais feliz. 

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Débora Brauhardt

Head de Marketing na Vittude. Apaixonada por empreendedorismo, comportamento humano, comunicação e liderança. Cozinheira amadora, faz da cozinha sua fonte de criatividade, foco e reflexão. Viaja para conhecer novas culturas e fazer novas conexões. Gosta de gente, de natureza e de fazer amigos.