Debs câncer

A blogueira Debs Aquino conta como a terapia ajudou no tratamento de câncer

  |  Tempo de leitura: 8 minutos

No final de 2013 a blogueira Debs Aquino recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Popular nas redes sociais por seu bom humor e seu estilo de vida saudável, ela estava com 38 anos e com uma filha de três. A seguir, Debs conta como enfrentou esse período delicado da vida e como a terapia ajudou em todo o processo.

Depoimento à Yara Achôa, jornalista

Em setembro de 2013, eu estava radiante. Tinha acabado de correr a Maratona de Berlim, na Alemanha, fechando os 42 quilômetros com o tempo de 3h26m. Foi um dos momentos mais mágicos da minha vida. Me senti vitoriosa por realizar algo que queria muito. Estava planejando isso havia cinco anos, mas acabava desistindo por causa de lesões. Tive cinco fraturas por stress, uma em cada ano. Não entendia o porquê, mas hoje encaro como sinais que mostravam que eu precisava parar para reavaliar a vida.

Sinal de alerta

Debs câncer

Chegar ali não foi fácil. Os meses que antecederam a corrida foram de muito treino e determinação. E também de aflição. Em abril, fazendo um autoexame, senti um caroço na mama esquerda. Fiquei apavorada. Liguei para o meu ginecologista e fiz uma mamografia e um ultrassom. Os exames acusaram quatro nódulos, todos de aspecto benigno. Mas sou muito ansiosa e sentia que tinha algo errado. Sugeri ao médico uma biópsia. Mesmo o resultado apontando ausência de células malignas, eu queria retirar os nódulos. Porém fui convencida pelo especialista a esperar e repetir os exames mais adiante.

Em agosto, o mesmo caroço voltou a incomodar. Procurei um mastologista, que pediu uma ressonância. E, de quatro, os nódulos haviam passado para oito. Fiquei assustada com essa multiplicação, mas o médico insistiu que estava tudo bem. Como estava às vésperas de encarar a maratona e fazer uma viagem pela Europa, com meu marido, relaxei.

De volta ao Brasil, resolvi fazer um novo check-up. Procurei um dos melhores mastologistas de São Paulo, que me examinou, olhou todos os resultados anteriores e disse que eu estava com “cancerofobia”. Não me convenci e procurei um endocrinologista que acompanha minha família há anos, e, com jeitinho, pedi que ele prescrevesse o tal exame. Os oito nódulos de agosto passaram para 12 em novembro. E agora a biópsia era necessária.

O diagnóstico de câncer

Debs câncer
Foto: Guto Gonçalves / Estúdio13

No dia 18 de dezembro de 2013, aguardando uma consulta com minha dermatologista, acompanhada da minha filha, recebo uma ligação do meu médico, que pediu que eu fosse à sua clínica. Perguntei na lata: “Estou com câncer?” Ele respirou fundo e respondeu: “Sim, está, mas vai ficar tudo bem”. Comecei a chorar. Parecia que tinha recebido uma sentença de morte. Senti medo do futuro – porque é tanta falta de informação que você acha que vai ficar mutilada. Quem diria que a corredora, tão saudável, que tinha acabado de fazer uma maratona fantástica, estava com câncer…

Alguns dias depois, pelo Instagram, dividi a notícia com meus seguidores: “Recebi o resultado da biópsia e veio positivo para câncer de mama. Perdi o chão. Chorei e me revoltei. Até que me dei conta de que poderia encarar como um castigo ou como um presente. Preferi encarar como um presente, uma oportunidade de entender e arrumar certas coisas na minha vida. Estou bem, já marquei a cirurgia e vou vencer essa doença.”

Hora da terapia

Eu já havia feito terapia antes, por muito tempo. Parei quando minha filha nasceu, em 2011. Mas quando recebi o diagnóstico do câncer, no consultório do mastologista, ele me aconselhou a procurar uma terapia para “desamarrar os meus bodes”. E insistiu: “a terapia vai servir para você desamarrar os bodes da sua vida e não ter a doença de novo. Apesar de muitos médicos não acreditarem, eu acredito que o câncer tenha fator emocional. Então, acho que você tem de descobrir o que talvez possa ter ajudado a provocar a doença. Até porque você é uma paciente que não tem fator de risco. Você não tem fatores genéticos. Não fuma, não bebe, não é sedentária, você é uma atleta…”

Procurei uma psicóloga especialista em pacientes com câncer. A mãe dela morreu de câncer. Ela tinha feito o teste genético e o resultado deu 90% de chances de ter a doença – ela fez mastectomia. Era uma pessoa com visão melhor de todo o processo. Durante todo meu tratamento contra o câncer, fiz terapia com ela. E foi muito bom, porque me fez enxergar coisas que não conseguia ver. No começo a gente passa pela fase de negação: “Por que está acontecendo isso comigo? Eu não mereço.” Ela me ajudou a entender que não devia me perguntar “por que”, mas sim “para que”? E quando internalizei essa questão, mudei várias coisas da vida.

Resgate de prioridades

Debs câncer
Foto: Guto Gonçalves / Estúdio13

Eu achava que o câncer havia chegado na melhor fase da minha vida. Hoje eu vejo que não. Agora, sim, estou na melhor fase. Naquela época eu era um pouco fútil. Em 2013 estava muito preocupada só com o corpo, em ser sarada… Não tem nada demais querer ter um corpo bonito, desde que isso não seja o que guie sua vida. Existem outras coisas – família, trabalho, amigos. Quando a terapeuta me fez ver isso, consegui enxergar que o câncer foi um presente. A doença veio para dizer “você pode correr bem, pode ter um corpo bonito, pode ter conforto, mas não está livre de uma doença na sua vida”.

Outra coisa importante que surgiu com o processo de terapia foi o resgate da minha espiritualidade.  Quando começamos a falar do assunto nas sessões, achei que a psicóloga estava sugerindo que eu procurasse uma igreja. Mas ela esclareceu que existem várias formas de exercer a espiritualidade – pode ser fazendo ioga, pilates, respirando, meditando, indo ao centro espírita, à igreja… E falou que eu tinha de descobrir essa forma de me conectar.

Pensamento positivo

Foi então que voltei a frequentar um centro espírita e fazer cursos para entender melhor a doutrina. Isso também me ajudou a atravessar o processo de forma tranquila. Resgatei minha fé. De manhã, ao acordar, imaginava meu corpo cheio de luz, com minhas células sorrindo, dançando… Porque no início, na época do diagnóstico, quando parava para meditar, só enxergava o escuro. Fui fazendo esse trabalho de trazer luz para dentro de mim. Quando fazia a quimio, imaginava que era uma vacina de cura, que estava varrendo a escuridão.

Claro que em alguns momentos surgiam dúvidas e temores. Eu me perguntava: será que vai dar? Minha terapeuta também ajudou a driblar essa ansiedade. Ela dizia que não havia nada melhor do que o tempo. Ela me ensinou a ater-me aos fatos. Por exemplo: fiz o exame. Tenho o resultado agora? Não. Posso fazer alguma coisa? Não. Então vou esperar sair o resultado. Essa objetividade me ajudou.

Disso tudo, o grande aprendizado foi: se você não parar, a vida vai fazer isso por você. O câncer me fez rever as prioridades, com minha família, com meus amigos. Também aprendi a redimensionar os problemas e ver que cada um tem seu tamanho. E o processo terapêutico foi muito importante para conseguir tudo isso.

Debs câncer

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta