Desemprego e problemas com a saúde mental durante a pandemia
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6 de maio de 2021 | 6 min de leitura
Bem-estar

Desemprego e problemas com a saúde mental durante a pandemia

Um dos grandes efeitos colaterais da pandemia do novo coronavírus no Brasil foi o aumento expressivo do desemprego e, consequentemente, os problemas de saúde mental que este cenário desencadeia.

Há anos, o nosso país vem enfrentando uma crise econômica, mas o cenário se agravou com a crise pandêmica que obrigou o comércio a ficar muitos meses totalmente fechado. Com isso, muitos negócios não aguentaram e demissões em massa foram a única saída.

Além disso, a classe da população mais pobre, que muitas vezes trabalha informalmente e fazendo bicos, também foi prejudicada. Assim, o desemprego e a saúde mental dos brasileiros se tornou um efeito colateral gritante da pandemia. Para entender melhor como se desenrola esta questão e como o desemprego afeta a saúde mental das pessoas desde o início da pandemia, continue a leitura deste artigo!

Como a pandemia afetou o desemprego?

Em 2020, ano em que o mundo inteiro parou para lidar com a pandemia da COVID-19, o Brasil atingiu o triste recorde de 13,5 milhões de desempregados em setembro, o que representa por volta de 3,4 milhões a mais do que no mês de maio do mesmo ano. Assim, a taxa de desemprego ficou em 14%.

Com o isolamento social e o fechamento do comércio, a crise obrigou muitas empresas a demitirem funcionários. Em São Paulo, por exemplo, shoppings, lojas de rua e restaurantes ficaram mais de 80 dias fechados no primeiro semestre de 2020. E mesmo com a reabertura gradual, nem sempre compensava para alguns negócios manter o estabelecimento aberto por apenas 4 ou 6 horas e com restrição de público.

Os números são assustadores. Estudos apontam que entre os mais de 1 milhão de bares e restaurantes que existiam no Brasil até a pandemia, por volta de 250 mil fecharam as portas ao longo de 2020. Já no varejo, mais de 70 mil lojas não aguentaram e fecharam devido à crise econômica. E não estamos falando apenas de pequenas marcas.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base nos dados do Caged, como resultado da retração de vendas no varejo ampliado em 2020 e o fechamento de lojas, houve perda de 25,7 mil postos formais de trabalho.

Como a pandemia afetou a saúde mental das pessoas?

Ao mesmo tempo em que o desemprego subiu rapidamente ao longo de 2020, as questões relacionadas à saúde mental também ganharam holofote.

Em um primeiro momento, as pessoas ficaram muito assustadas em relação ao vírus. Como não havia profundo conhecimento sobre os riscos e gravidade da doença, gerou-se uma onda de pavor que acabou contribuindo para quadros de ansiedade e depressão.

Os estudos apontam que estes dois distúrbios cresceram muito nos últimos meses. Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e publicada pela revista The Lancet, revelou que os casos de depressão aumentaram 90% e o número de indivíduos que relataram sintomas como estresse agudo e crise de ansiedade mais do que dobrou entre março e abril de 2020.

Os motivos são muitos. Primeiro, o pavor de morrer ou ver algum parente/ amigo pegando a doença e sendo internado. Segundo, os hábitos de vida que mudaram completamente com o vírus, provocando isolamento social e criando uma nova rotina com o trabalho remoto. Terceiro, a falta de perspectivas em relação ao fim da pandemia.

É claro que para cada pessoa um fator pesa mais do que o outro e neste artigo estamos falando, principalmente, sobre como o desemprego tem afetado a saúde mental da população. Por isso, não podemos nos esquecer de que enquanto alguns sofrem para se adaptar ao home office outros sofrem para lidar com o desemprego repentino e se virar para colocar comida na mesa.

Como a pandemia evidencia as nossas desigualdades sociais?

É importante ressaltar que a pandemia não vê raça, religião, gênero e classe social. Qualquer um pode ser infectado e sofrer as consequências desta doença terrível e traiçoeira. Mesmo assim, não podemos negar que há uma parcela da população que é mais vulnerável ao vírus e à crise econômica causada por ele.

As classes mais pobres da população, infelizmente, são fortemente impactadas, pois muitos que já viviam com pouco agora estão sem nenhuma renda. Dados do IBGE apontam que o país alcançou uma taxa de informalidade de 39,5% no mercado de trabalho, no trimestre até dezembro de 2020. Isso quer dizer que há mais de 34 milhões de trabalhadores atuando na informalidade.

A disseminação do vírus nas classes mais baixas

É evidente que a pandemia da COVID-19 evidencia ainda mais as já existentes desigualdades sociais no nosso país. O coronavírus chegou às terras brasileiras por meio de pessoas de classe alta que viajaram para o exterior, mas rapidamente se espalhou pelas classes mais baixas.

A contaminação foi facilitada nas periferias, afinal, as condições para cumprir o isolamento social são piores. Há mais pessoas por domicílio, o acesso à água encanada muitas vezes não existe e a insegurança diante da crise econômica e ausência de renda faz com que muitos saiam de casa para conseguir algum dinheiro.

Além disso, estudos apontam que a pandemia afeta o dinheiro das classes sociais de forma diferente. Isso significa que quanto mais pobre uma pessoa, maior será o impacto sofrido pela COVID-19 na sua renda.

Isso tudo não significa que as classes mais altas não são afetadas pelo vírus. Pelo contrário: assistimos à triste realidade de hospitais particulares atingindo mais de 90% de ocupação. Mesmo assim, as consequências mais drásticas infelizmente afetam os mais vulneráveis, que são as classes sociais mais baixas.

Como desemprego e saúde mental se relacionam na pandemia?

Agora que já entendemos o cenário de desigualdades, desemprego e saúde mental na pandemia, podemos nos aprofundar em como estes fatores se relacionam e estão afetando a vida das pessoas.

Como já vimos, o desemprego é um dos grandes efeitos colaterais da pandemia e, infelizmente, é mais um ponto que afeta negativamente a saúde mental da população. Existem alguns setores que sofreram mais do que outros ao longo da crise e quem teve que lidar com uma demissão repentina precisou se reinventar, correr atrás do prejuízo e encarar a adversidade de frente.

Junto de todo o medo provocado pelas mortes causadas pelo coronavírus, também não é fácil precisar enfrentar uma busca por recolocação no mercado. Ainda mais em um cenário tão instável e incerto.

O desemprego, portanto, com certeza contribuiu para quadros de ansiedade e estresse agudo e, em alguns casos, até mesmo de depressão. Muitas pessoas se sentem perdidas, sem esperanças e com medo.

O medo de não conseguir se recolocar, o medo de não ter comida na mesa, o medo de ficar para trás, o medo de acabar a reserva de emergência financeira. Tudo isso tem o poder de desencadear diversos distúrbios psicológicos que precisam ser tratados para que a pessoa volte a viver a vida com mais leveza, paz e positividade.

Como as empresas podem lidar com este cenário?

Mesmo quem não é demitido pode estar sofrendo com algum distúrbio psicológico. Muitas pessoas estão vivendo constantemente com o medo e acham que podem ser demitidas a qualquer momento. Dessa forma, também podem desenvolver quadros de depressão, crises de ansiedade e estresse agudo.

Por isso, é extremamente importante que as organizações cultivem um olhar ainda mais atento aos seus colaboradores durante a pandemia. Isso porque quando os trabalhadores não estão saudáveis e equilibrados emocionalmente, se tornam menos produtivos e estão mais propensos a falhas no dia a dia de trabalho.

A empresa, por sua vez, colhe os frutos negativos deste contexto, pois funcionários menos produtivos acabam impactando a balança financeira da organização como um todo. Portanto, é vantajoso para todos que os colaboradores estejam se sentindo bem e tenham suporte emocional.

Seja honesto e transparente

Lidar com a situação da pandemia, ainda mais em regime de trabalho home office, não é fácil. Mesmo assim, é válido tranquilizá-los e ser transparente em relação à necessidade de demissões.

Além disso, caso seja necessário demitir uma parcela dos funcionários, é importante que isso seja feito da maneira mais humana possível e que todos fiquem na mesma página em relação aos critérios e a realidade atual da empresa.

Ao mesmo tempo, se cortes não forem necessários, é essencial esclarecer isso também, afinal, assim todos se sentem mais tranquilos em relação a este ponto. Honestidade e transparência são, portanto, primordiais para cultivar um ambiente de trabalho mais tranquilo e saudável em meio ao caos da pandemia.

Ofereça apoio psicológico

Muitas empresas já estão mais atentas em relação à saúde mental de seus funcionários e buscando formas de auxiliar os trabalhadores. Existem várias maneiras de se fazer isso, seja promovendo informações sobre o assunto até oferecendo a psicoterapia como benefício corporativo.

Infelizmente, a psicoterapia ainda é um serviço caro para boa parte da população brasileira. Por isso, as empresas podem incluí-lo no pacote de benefícios para que seus funcionários consigam prevenir e tratar questões relacionadas à saúde mental. Assim, todo mundo sai ganhando.

Equilíbrio é a resposta para uma vida mais saudável na pandemia

Sabemos que não está fácil para ninguém lidar com as consequências da pandemia causada pelo coronavírus. Mesmo assim, é essencial procurar sempre manter corpo e mente em equilíbrio para ter uma vida mais saudável.

Não será sempre simples, mas quando temos consciência de que é preciso olhar com mais cuidado para a nossa saúde, então estaremos mais preparados para lidar com as adversidades.

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Por Bruna Cosenza

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