Flexibilidade cognitiva: 8 passos para desenvolver em sua empresa
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24 de março de 2021 | 7 min de leitura
Desenvolvimento de Pessoas

Flexibilidade cognitiva: 8 passos para desenvolver em sua empresa

Nos tempos atuais é cada vez mais importante para uma empresa poder contar com colaboradores que se adaptam facilmente às mudanças e têm um pensamento ágil diante das adversidades. A capacidade de “pensar fora da caixa” é uma habilidade relacionada à flexibilidade cognitiva, muito procurada pelos profissionais de RH no momento do recrutamento.

Para ter certeza de que a flexibilidade cognitiva é importante, basta pensar em um exemplo real. Quantas empresas sofreram o impacto causado pela pandemia? A maioria delas, não é mesmo? E para sobreviverem, precisaram se adaptar às mudanças com rapidez para não afundarem completamente.

Em qualquer crise ou momento de dificuldade, é importante ter um time de profissionais que pense fora da caixa e seja capaz de analisar o cenário a partir de outras perspectivas. Dessa forma, são colocadas na mesa soluções mais atrativas a eficientes.

Se você ficou curioso para entender melhor o conceito de flexibilidade cognitiva e descobrir como ajudar os seus colaboradores a desenvolver essa habilidade, continue a leitura deste artigo para ter acesso a todas essas informações e dicas.

O que é flexibilidade cognitiva?

A flexibilidade cognitiva é a capacidade de pensar de uma maneira diferente em busca de soluções menos óbvias, ou seja, é o “pensar fora da caixa”. Desde pequenas as pessoas aprendem a estabelecer padrões de pensamentos que as fazem chegar a soluções imediatas para adversidades que enfrentam no dia a dia. É como se fosse uma resposta automática do nosso cérebro.

Estamos falando sobre problemas básicos que permeiam a rotina. Vamos a um exemplo? Imagine que você tem uma festa e quer usar um vestido novo que comprou para o ocasião. Pouco antes de sair de casa, derruba suco na roupa e não pode mais usá-la para o evento.

O que você faz? Fica chorando e desiste de ir à festa? Não. Automaticamente o seu cérebro encontra uma estratégia nova para solucionar o problema. E isso acontece o tempo todo no nosso dia a dia em diversas situações, mas como é algo rotineiro não paramos muito para pensar a respeito.

Acontece que vivemos em um mundo que nem sempre é óbvio e simples, portanto, em várias situações é preciso estar preparado para se adaptar às mudanças e propor novas soluções que ultrapassam a zona de conforto. Diferente do exemplo anterior, em alguns momentos podem ser necessárias estratégias mais inovadoras, ou seja, menos óbvias.

E “pensar fora da caixa” é exatamente isso. Trata-se de uma habilidade relacionada à flexibilidade cognitiva, pois nos faz pensar de uma maneira diferente para solucionar problemas. E tal habilidade é desenvolvida ao longo da vida. As crianças tem uma flexibilidade cognitiva mais baixa, essa habilidade chega ao ápice na juventude e, então, começa a declinar conforme envelhecemos.

Quais são as características de uma pessoa com flexibilidade cognitiva?

Para não restarem mais dúvidas, a seguir confira as principais características de um indivíduo com flexibilidade cognitiva:

  • rápida adaptação às adversidades e novas situações;
  • maior tolerância para diferentes opiniões;
  • facilidade para criar soluções alternativas para um problema ou tarefa a ser realizada;
  • capacidade de encarar um problema ou situação a partir de diferentes perspectivas;
  • facilidade para atuar em diferentes tipos de situações e migrar entre diferentes atividades;
  • maior tolerância para erros e mudanças de percursos no meio de uma tarefa do dia a dia profissional ou pessoal.

Qual é a importância da flexibilidade cognitiva?

Ao desenvolver a flexibilidade cognitiva você se torna um ser humano apto a lidar melhor com mudanças e adversidades. Assim, se torna mais flexível e tolerante a erros e mudanças de rota. Além disso, indivíduos com uma flexibilidade cognitiva maior estão mais propensos a aceitar novas ideias, valorizar a opinião dos outros e acolher diferentes pensamentos sobre um mesmo assunto ou problema.

Portanto, é uma habilidade que nos permite sair da zona de conforto e fazer novas conexões que eliminam o pensamento automático. E isso é benéfico tanto na vida pessoal como profissional. Estamos inseridos em um mundo altamente complexo que muda muito rápido, com diversas transformações e novidades o tempo todo.

Pessoas com altos níveis de flexibilidade cognitiva saem na frente no âmbito profissional, pois as empresas buscam por profissionais com um perfil mais flexível e capaz de “pensar fora da caixa”. Ao mesmo tempo, esta habilidade também é muito vantajosa para enfrentar questões da vida pessoal e lidar melhor com os relacionamentos humanos.

A diferença entre flexibilidade cognitiva e rigidez cognitiva

Ao mesmo tempo em que existe a flexibilidade cognitiva também há a rigidez cognitiva, que diz respeito à falta de flexibilidade mental. Estamos falando sobre pessoas que ficam presas a modelos e padrões mentais nos quais se sentem confortáveis. Dessa forma, criam determinados bloqueios mentais e evitam enxergar as situações a partir de novas perspectivas.

São indivíduos que não se permitem “pensar fora da caixa”, mudar e lidar com problemas de uma maneira nova. Esse tipo de rigidez traz inúmeros prejuízos para a vida pessoal e profissional, afinal, em um mundo em constante mudança e no qual precisamos enfrentar tantos desafios diversos, é importante ser flexível e estar disposto a encarar o diferente.

Como desenvolver a flexibilidade cognitiva na sua empresa?

Agora que você já entendeu o que é flexibilidade cognitiva e a sua importância, não podemos deixar de dar algumas dicas relacionadas a como ajudar os seus colaboradores a desenvolver tal habilidade no dia a dia de trabalho.

Vale lembra que a cultura, valores e a forma de agir e pensar da organização como um todo podem interferir no nível de flexibilidade cognitiva das pessoas que trabalham naquele ambiente. Em seguida, confira 8 dicas!

1. Seja tolerante com erros                    

O primeiro ponto que precisa ser enfatizado é a questão da tolerância ao erro. Um ambiente profissional que não dá a chance para as pessoas testarem, errarem e tentarem de novo acaba oprimindo novas formas de pensar e encarar um problema.

Por outro lado, quando os indivíduos se sentem livres para tentar algo novo significa que não têm medo de “pensar fora da caixa” e sair da zona de conforto. É claro que isso não significa que todos podem cometer enormes erros sem receber nenhuma chamada de atenção, é preciso de equilíbrio e coerência.

Lembre-se, no entanto, de que uma empresa muito rígida em relação aos erros limita o pensamento criativo e as soluções que podem ser encontradas para um determinado problema. Isso porque as pessoas passam a ter mais medo de errar e serem punidas e, assim, deixam de lado as suas ideias.

2. Incentive a liberdade de expressão

Para ter novas ideias e propor soluções além do óbvio é preciso se sentir confortável para expor as suas opiniões. Todos devem ter certeza de que serão ouvidos e terão seu lugar de fala respeitado.

Muitas vezes, ambientes muito rígidos por conta da hierarquia podem acabar se tornando bem intimidadores. Dessa forma, profissionais de cargos mais baixos não se sentem bem para se expor e muitas ideias e inovações podem ser perdidas por conta disso.

Uma forma de mudar isso é flexibilizando um pouco a hierarquia e enfatizando no discurso da empresa que a liberdade de expressão é essencial para o crescimento de todos naquele ambiente. Cabe aos líderes também incentivarem os membros de seus times a colocarem ideias na mesa.

3. Fomente a diversidade

Outro ponto relacionado à flexibilidade cognitiva é a tolerância em relação a ideias e pontos de vistas diferentes. Afinal, é impossível “pensar fora da caixa” se nos limitarmos e ficarmos condicionados aos nossos padrões e vivências.

Por isso, é importante que a empresa assuma dois papéis. O primeiro é levantar a bandeira da diversidade e agir de forma coerente, garantindo um time diverso e inclusivo. Em segundo lugar, deve fomentar a tolerância às opiniões, crenças e vivências diferentes, pois apenas dessa forma é possível crescer e criar conexões inovadoras.

4. Crie dinâmicas que estimulem o pensamento fora da caixa

“Pensar fora da caixa” significa fugir do óbvio. Para estimular esse tipo de pensamento e chegar a soluções ideias que ultrapassam a zona de conforto é válido criar algumas dinâmicas diferentes. Uma muito conhecida é o brainstorming, que visa reunir diversas ideias de várias pessoas para chegar a possíveis soluções para determinados problemas ou tarefa a ser executada.

Vale entender como incentivar todos a participarem de forma ativa, lembrando que os colaboradores devem se sentir confortáveis para se expressarem nesses momentos de compartilhamento de ideias. Isso significa que não devem existir julgamentos e classificações de “ideias ruins e boas”, tudo é válido nesse momento.

5. Incentive projetos multidisciplinares

Projetos multidisciplinares em uma empresa são aqueles que unem diversos departamentos em prol de um objetivo em comum. Essa prática é interessante porque conecta profissionais de diferentes áreas de conhecimento para trabalharem em conjunto.

Dessa forma, eles entram em contato com várias perspectivas e ideias, cultivam a tolerância e desenvolvem maior facilidade para migrar de uma área para outra e pensar em soluções inovadoras em âmbito coletivo.

6. Não coloque a tecnologia acima de tudo

A flexibilidade cognitiva é uma habilidade que nunca poderá ser substituída pelas máquinas. Por mais que os avanços na tecnologia ajudem o ser humano em diversas esferas, há alguns pontos que dependem simplesmente do nosso cérebro.

A criatividade e a capacidade de criar conexões e chegar a soluções fora do comum são habilidades que, pelo menos por enquanto, não podem ser superadas pelas máquinas. Por isso, é extremamente importante valorizar todo o potencial humano dentro da sua empresa.

7. Estimule a prática de exercícios físicos

Exercícios físicos ativam partes do cérebro que distribuem hormônios saudáveis e que impactam a disposição, energia e entusiasmo. O efeito é positivo, ajudando a eliminar dores, sentimentos negativos e favorecendo uma postura mais positiva.

Talvez você não saiba, mas tudo isso tem a ver com a flexibilidade cognitiva porque ao ter mais disposição e uma atitude positiva a pessoa também passa a ter mais interesse por ir além da zona de conforto, superar adversidades e vivenciar novas experiências a partir de diferentes perspectivas.

Por isso, é válido que a empresa ofereça benefícios corporativos relacionados à prática de exercícios físicos dentro ou fora do horário de trabalho.

8. Incentive o autoconhecimento

O autoconhecimento é uma ferramenta muito valiosa para o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva, principalmente para pessoas que ainda convivem com uma rigidez cognitiva.

O primeiro passo estar aberto para vivenciar um processo no qual você entende o que tem lhe impedido de se adaptar a novos desafios e por que há certa inflexibilidade na sua maneira de agir e pensar diante dos problemas e tarefas.

A sua empresa pode proporcionar ferramentas de autoconhecimento para os colaboradores, como coaching ou psicoterapia.

A flexibilidade cognitiva pode (e deve) ser desenvolvida

Não se pode mais negar como é importante para uma empresa poder contar com um time de profissionais com altos níveis de flexibilidade cognitiva. Diante de cenários de crise, desafios e oportunidades é essencial contar com um um time de pessoas que têm as características que listamos ao longo do artigo.

A boa notícia é se que se trata de uma habilidade que pode ser desenvolvida, portanto, se nem todos os colaboradores têm altos níveis de flexibilidade cognitiva é possível ajudá-los a evoluírem.

Por mais que haja uma questão de responsabilidade individual, a empresa também pode assumir o seu papel e oferecer um ambiente adequado e ferramentas que auxiliem nesse desenvolvimento.

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Por Bruna Cosenza

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