Lideranças Regenerativas: A Evolução Natural das Organizações
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19 de fevereiro de 2021 | 5 min de leitura
Desenvolvimento de Pessoas

Lideranças Regenerativas: A Evolução Natural das Organizações

John Hardman é um dos grandes especialistas em lideranças e organizações regenerativas. É autor do livro “Leading for Regenaration: Going beyond sustainability in business, community, and education” e, além disso, desenvolveu um índice capaz de analisar a “maturidade regenerativa” de indivíduos e organizações.

Trata-se de um conceito relativamente novo, que ainda está se fortalecendo, mas discussões sobre o assunto já estão ganhando destaque, afinal, é essa é (ou deveria ser) a evolução natural de todas as organizações.

Se você ainda está um pouco perdido em relação ao tema, fique tranquilo, pois compilamos as principais informações neste artigo. Assim, você mergulha no assunto e já começa a entender um pouco mais sobre como aplicar mudanças na sua empresa!

Qual é o nosso contexto atual?

Para falarmos sobre todos esses conceitos relacionados às práticas regenerativas, primeiro é necessário entender o contexto no qual estamos inseridos.

O modo de viver estabelecido pelo homem fez com que o planeta ultrapassasse os seus limites e chegasse à degradação de espécies e recursos naturais.

Lidamos com uma hegemonia do capitalismo global, que ocasionou níveis altíssimos de produção de bens de consumo e acúmulos financeiros. Nessa corrida pelo dinheiro, os recursos naturais e as bases fundamentais da vida — ar, água e terra — estão sendo desgastados.

O que são organizações regenerativas?

Hardman, o especialista no assunto, afirma que não existe uma única definição sobre organizações regenerativas, pois se trata de um conceito em construção. Ele afirma que esse conceito passa, primeiramente, pela redefinição de quem somos para, assim, sermos capazes de desenvolver soluções regenerativas.

Isso significa que os movimentos regenerativos devem começar com foco na consciência humana, ou seja, valores, crenças e disposições e não nos comportamentos.

John Hardman aponta que a nossa sociedade continua tentando compreender os problemas atuais por meio de um pensamento antigo, ultrapassado. Estamos falando sobre o pensamento linear da Revolução Industrial, que é pressionado a atuar conforme sistemas de accountability e compliance.

E o que acontece é que não adianta tentar lidar com desafios e problemas atuais com uma mentalidade do passado. É preciso mudar essa consciência humana para, depois, entender como atuar.

Assim, uma organização regenerativa deve assumir a responsabilidade pela mudança, não se contentando com apenas cumprir obrigações legais. Dessa forma, ela sai da conformidade e passa a atuar com autorresponsabilidade.

O que são lideranças regenerativas?

O especialista também traz o conceito de lideranças regenerativas, que pode ser definido pela capacidade de restaurar os danos causados pela atividade do homem na natureza e sistemas econômicos e sociais.

Apenas dessa forma conseguiremos garantir um futuro saudável e próspero para todos os seres vivos e contribuir positivamente para organizações e comunidades, ou seja, o mundo como um todo.

Essas lideranças regenerativas devem ser pessoas que apontem caminhos para uma jornada de transformação e assumam a responsabilidade de liderar a partir de um propósito coletivo.

Essa liderança começa com uma transformação interna, guiada pela premissa de que não é possível mudar o mundo sem antes realizar uma mudança interior. Dessa forma, a transformação pessoal inspira a coletiva e, assim, as lideranças regenerativas convidam outras pessoas a servirem às necessidades do nosso planeta.

A diferença entre prática regenerativa e sustentabilidade

É importante ressaltar que este conceito é diferente de desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade.

Isso porque a prática regenerativa começa sempre com foco na consciência humana e não nos comportamentos em si. A ideia é, primeiramente, mudar a maneira de pensar para depois agir.

O que significa redefinir quem somos?

John Hardman afirma que o primeiro passa é “redefinir quem somos”, mas, afinal, o que isso quer dizer?

O especialista explica que não é possível mudar comportamentos se antes não houver um processo interno de desenvolvimento da consciência humana e transformação pessoal.

Portanto, é fundamental realizar essa redefinição para, então, conseguir criar soluções regenerativas. E, para isso, é importante descobrir o propósito que nos move como indivíduos e coletivamente, como organizações.

É necessário entender quem somos, o que gostamos de fazer e como é possível fazer a diferença. Ter clareza sobre o seu propósito faz com que o seu trabalho tenha muito mais significado e te ajuda a criar conexões com as pessoas que carregam propósitos parecidos com o seu.

A liderança regenerativa existe para resgatar esse propósito e ajudar a inspirar outros indivíduos também. Afinal, quando há clareza sobre por que você faz o que faz, o seu trabalho inspira e faz mais pessoas investirem e se juntarem à causa.

Lideranças regenerativas a partir da Teoria Integral de Ken Wilber

John Hardman afirma que o conceito de lideranças regenerativas é baseado em uma adaptação da Teoria Integral criada por Ken Wilber. Ela é desenvolvida em quatro quadrantes, confira o que diz o especialista:

  • Q1: Mentalidade, propósito, visão de mundo pessoais do líder regenerativo: estamos falando sobre senso de propósito potencializado, inteligência criativa, pensamento sistêmico, ética global, futuros emergentes.
  • Q2: Comportamentos, competências e habilidades pessoais (como o Líder regenerativo age): liderança guiada pelo propósito (não carismática), observação iterativa, escuta profunda, engajamento multi-stakeholder. Ele não fala o que os outros devem fazer, mas foca na cultura da organização.
  • Q3: Cultura, mentalidade, propósito e visão de mundo coletivos: promover o propósito coletivo por meio de conversas regenerativas, aprendizagem de ciclo triplo (por quê, o quê, como) e dinâmicas trans-conceituais.
  • Q4: Sistemas, comportamentos, competência e habilidades coletivas: backcasting (planejar a partir de futuros possíveis), mudança de terceira ordem, estratégia coletiva de prototipagem e para viralizar melhores soluções para futuros ideais (triple-top line). 

E além dos quatro quadrantes, Hardman também diz que o conceito de liderança regenerativa ainda contempla outros três elementos. Confira quais são, segundo o especialista:

O campo de emergência da consciência e empoderamento

John Hardman chama isso de “solo vegetal” (primeira camada do solo), que separa a consciência dos comportamentos.

Segundo ele “líderes regenerativos ‘cultivam’ esse solo em suas organizações para ajudar os outros a desenvolverem criatividade, coragem e comprometimento com o propósito coletivo da organização”.

O símbolo do infinito da liderança regenerativo

Para o especialista, esse símbolo significa que as nossas trajetórias pessoais e coletivas são processos que duram a vida toda, de aprendizado e evolução contínua, assim como o universo.  

Sistemas circulares nas organizações

Por fim, ele afirma que em organizações regenerativas, a autoridade recai sobre quem tem a expertise mais necessária na hora de desenhar, implementar e avaliar soluções, projetos.

Dessa forma, o poder é então compartilhado entre todos os integrantes da organização. Isso significa que quando há desafios complexos, a autoridade de algumas pessoas não é tão importante como as diversas habilidades e competências de vários indivíduos em uma empresa.

O capitalismo precisa mudar

Por fim, John Hardman afirma que é preciso alterar os padrões atuais do capitalismo e entender que a prática regenerativa é essencial para qualquer empresa que queira mais do que sobreviver, ou seja, empresas que desejam conquistar sucesso no futuro.

Vivemos em um mundo que sofre rápidas transformações e as práticas convencionais e margens de lucro são afetadas pela escassez de recursos naturais, eventos climáticos e outras questões. Algumas empresas já se deram conta de que precisam construir um futuro mais saudável para si mesmas e para o mundo.

Por isso, existem organizações que já começaram a redefinir quem são, os seus valores, crenças para, assim, redefinirem o que fazem também. É assim que a mudança começa.

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Por Bruna Cosenza

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