Plano de Cargos e Salários: o que é e como estruturar?
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26 de março de 2021 | 6 min de leitura
Desenvolvimento de Pessoas

Plano de Cargos e Salários: o que é e como estruturar?

Toda empresa, independentemente do seu tamanho, deve contar com um bom plano de cargos e salários. Essa estruturação é fundamental para a gestão de pessoas e proporciona benefícios tanto para a empresa como para os colaboradores.

Trata-se de uma ferramenta que contribui para a motivação dos funcionários e para a organização de informações relacionadas às qualificações técnicas necessárias para cada cargo.

Quanto maior a organização, mais cargos ela terá e, assim, será mais complexo estruturar o plano de cargos e salários. Mas isso está longe de ser uma missão impossível e o plano deve ser estruturado o quanto antes para evitar conflitos e desmotivação no dia a dia de trabalho.

Neste artigo, compilamos as principais informações sobre o assunto para te ajudar na construção do plano de cargos e salários. Continue a leitura para conferir tudo!

O que é o Plano de Cargos e Salários?             

O plano de cargos e salários é uma ferramenta de gestão de RH que diz respeito à estruturação de um sistema que organiza informações relacionadas às tarefas e responsabilidades a serem executadas por cada profissional. Além disso, também estabelece as remunerações dos colaboradores de acordo com seus cargos.

Dessa forma, um bom plano de cargos e salários deve conter, entre outras peculiaridades, o seguinte:

  • descrição das atividades de cada cargo;
  • estruturas e políticas salariais;
  • competências, habilidades e requisitos de cada cargo.

Trata-se de uma ferramenta que ajuda a minimizar diferenças salariais entre pessoas do mesmo cargo. Além disso, dessa forma todo o processo de hierarquia organizacional e dos próprios salários se tornam mais transparentes para os próprios colaboradores.

Quais são os benefícios desta ferramenta?

Pare e pense em como seria o dia a dia em uma empresa que não tem uma definição clara de cargos e salários e, por isso, incentiva que todos os funcionários façam um pouco de tudo. É aquela ideia de que todo mundo é responsável por tudo, sabe? O problema disso é que no fim do dia ninguém faz nada direito e todos acabam se sentindo sobrecarregados.

O plano de cargos e salários existe justamente para minimizar esse tipo de problema. Com esta ferramenta, cada profissional tem clareza sobre as atribuições e responsabilidades do seu cargo e fica consciente do quanto receberá por isso no final do mês. Empresa e funcionário saem ganhando.

A organização de tais informações, portanto, é um dos grandes benefícios desta ferramenta, mas existem outros que você também precisa conhecer. Confira!

Aumento da produtividade

O plano de cargos e salários ajuda os colaboradores a terem clareza em relação às possibilidades de crescimento na empresa. Dessa forma, ficam conscientes das oportunidades e, assim, mais motivados e engajados, o que também impacta a produtividade.

Melhorias no processo de recrutamento

Para o RH, o plano de cargos de salários é essencial para facilitar e otimizar o processo de recrutamento e seleção. Isso porque a ferramenta ajuda a clarear quais são as responsabilidades de cada cargo e, dessa forma, fica mais fácil encontrar candidatos que se encaixem nos requisitos das vagas em aberto.

Quanto mais detalhada e completa for a descrição das atribuições de cada vaga, mais eficaz e qualificada será a atração de talentos.

Diminui a sobrecarga de trabalho

Um dos principais pontos negativos de se negligenciar o uso desta ferramenta na empresa é correr o risco de sobrecarregar alguns dos colaboradores. Isso pode acontecer porque sem um plano de cargos e salários ninguém tem clareza sobre qual é a responsabilidade de cada um.

Dessa forma, um profissional pode acabar assumindo funções a mais do que deveria e, por outro lado, há quem faça menos do que o cargo exige. Mas se houver uma definição clara das atribuições de cada um os riscos de isso acontecer são menores.

Auxílio no planejamento financeiro da empresa

Sabia que um plano de cargos e salários bem feito também ajuda no planejamento financeiro da organização? Afinal, com essas definições o RH sabe exatamente quais são as despesas com cada colaborador e com cada equipe como um todo.

Assim, é possível calcular também se as áreas que geram mais gastos estão proporcionando o retorno esperado e analisar novas maneiras de otimizar processos e reduzir despesas. Em alguns casos, determinadas departamentos podem ter profissionais muito caros que acabam não rendendo o esperado.

Melhora na retenção de talentos

Como já vimos, a ausência de um plano de cargos e salários pode ocasionar em consequências negativas tanto para a empresa como para o trabalho do próprio colaborador.

Desmotivação, desengajamento e baixos níveis de produtividade são alguns dos reflexos da falta de clareza sobre atribuições e dos salários incompatíveis com a carga de trabalho. Tudo isso pode desencadear em turnover, ou seja, na rotatividade de funcionários.

Por outro lado, quando a organização estrutura este plano de maneira coerente e clara há o efeito contrário. Esta pode se tornar uma ferramenta de motivação para os colaboradores e, assim, contribuir para a retenção de talentos.

Fortalecimento da marca empregadora

A marca empregadora diz respeito à imagem que uma empresa tem no mercado, com seus stakeholders. O plano de cargos e salários também contribui nesse sentido. Isso porque a partir do momento em que os colaboradores estão satisfeitos e felizes com o ambiente de trabalho, disseminam uma imagem positiva da organização. Como consequência, mais pessoas passam a querer trabalhar naquele lugar.

Qual é a diferença entre Plano de Cargos e Salários e Plano de Carreira?

Muita gente confunde esses dois conceitos, por isso é válido ter clareza sobre as diferenças entre eles.

De um lado temos o plano de cargos e salários, que é focado na empresa. Trata-se de uma ferramenta responsável por estruturar as responsabilidades, competências e faixas salariais de cada posição dentro da empresa.

Do outro lado, temos o plano de carreira, que é muito mais focado no próprio colaborador. É um programa que tem como objetivo estipular o caminho que cada profissional pode percorrer dentro da organização, determinando as competências para cada posição e as expectativas da empresa em relação a tal cargo.

Trata-se, portanto, de um plano individual e personalizado para cada profissional de acordo com o seu cargo e função. A sua principal função é proporcionar o crescimento do funcionário na empresa, ajudando-o a entender os caminhos a serem traçados para se atingir os objetivos.

Com certeza agora ficou bem mais claro, não é mesmo? Tanto o plano de cargos e salários como o plano de carreira devem existir na sua empresa. Mas lembre-se de que eles não são a mesma coisa e tem funções complementares.

Como implementar o Plano de Cargos e Salários na sua empresa?

Agora vamos entender como construir um plano de cargos e salários. Por mais que cada empresa tenha as suas particularidades, existe um passo a passo básico que pode servir de base para a maioria dos negócios.

Em seguida, confira as nossas dicas!

1. Definição, análise e estruturação dos cargos

Bom, o primeiro passo é estudar quais são os cargos atuais da organização para clarear se há alguma lacuna: é primordial entender quais são as funções existentes, quem está ocupando tais posições e quais serão os reajustes necessários.

Além de analisar a estrutura atual, nesse momento também é válido atualizar todas as descrições e funções das posições para que não restem dúvidas sobre as responsabilidades de cada um. Não se esqueça de incluir as competências e habilidades necessárias de cada cargo e de estabelecer as principais singularidades em cada nível de um cargo (júnior, pleno, sênior etc).

Trata-se de um profundo diagnóstico da situação atual e organização de quais são as mudanças e melhorias que precisam ser implementadas.

2. Pesquisa salarial

A partir do momento em que a lista de cargos já foi reestruturada, chega o momento de aprofundar nas questões relacionadas à remuneração. Para isso, é preciso fazer uma pesquisa salarial para entender como o mercado está remunerando profissional de funções e cargos semelhantes aos que existem na sua empresa.

O resultado da pesquisa deve identificar o grau de competitividade dos salários pagos pela sua empresa se comparados aos pagos pelo mercado. Dessa forma, é possível detectar onde são necessários reajustes.

3. Criação da estrutura salarial

Enfim, chega a hora de estruturar os cargos e salários a partir de tudo o que foi levantado anteriormente, ou seja:

  • a relação de carpos levantados;
  • a capacitação e responsabilidades exigidas em cada ocupação;
  • a faixa salarial praticada no mercado.

Dessa forma, é realizada pela organização a definição da remuneração a ser adotada levando em consideração diversos fatores como os citados acima e outros, como os benefícios corporativos.

4. Definição da política salarial

A etapa de política salarial tem como objetivo estruturar as regras e processos em relação à administração dos salários e ao sistema de remuneração. É nessa política salarial que a organização define quais são os critérios para promoções e atualizações de salários.

Esta etapa é bem importante porque terá impacto significativo na atração e retenção de talentos, se tornando uma vantagem competitiva para a empresa. A estruturação da política salarial é essencial para trazer mais transparência aos colaboradores para que eles saibam como podem evoluir na carreira.

Erros comuns na implementação de um Plano de Cargos e Salários

Por fim, não podemos deixar de citar alguns dos erros mais comuns que ocorrem quando um plano de cargos e salários é estruturado. Confira tudo para que não aconteça isso na sua empresa.

1. Oferecer salários abaixo do mercado

A organização não pode oferecer salários incompatíveis com o cargo e as responsabilidades do posição. A pesquisa de mercado existe justamente para ter clareza sobre as remunerações em outras organizações e ignorar essa etapa irá impactar negativamente a atração e retenção de talentos.

2. Não estruturar um plano de carreira

Já sabemos que se tratam se coisas diferentes e nenhuma das duas pode ser negligenciada. O plano de carreira pode ser complementar ao plano de cargos e salários. Isso porque o plano de carreira é individual e personalizado, ajudando cada colaborador a entender quais são as suas possibilidades de crescimento na empresa.

O plano de carreira tem o papel de orientar e motivar o profissional para continuar evoluindo no caminho que desejar trilhar.

3. Não criar uma política salarial

A política salarial não pode ser esquecida no meio do processo. É extremamente importante definir os critérios para evolução e atualização salarial, caso contrário, pode gerar quebras de expectativas e frustrações para os colaboradores.

Planeje, execute e crie o seu Plano de Cargos e Salários

Agora que você já tem todas as ferramentas em mãos, comece a revisar ou estruturar do zero o plano de cargos e salários da sua empresa. Tudo começa com um bom planejamento, mas para se tornar realidade é necessário execução também.

O importante é começar. E para estudar sobre mais estratégias imprescindíveis para o crescimento da sua organização, continue lendo os conteúdos do blog do Vittude Corporate.

Por Bruna Cosenza

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