Saúde mental no trabalho: guia completo para as lideranças
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16 de novembro de 2022 | 5 min de leitura
Ambiente de Trabalho

Saúde mental no trabalho: guia completo para as lideranças

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A preocupação com a saúde mental no trabalho tem ganhado cada vez mais espaço nas organizações. Esse foi um dos efeitos colaterais da pandemia da Covid-19 no universo corporativo: com o aumento de transtornos mentais e a necessidade de estratégias de bem-estar, as empresas passaram a se preocupar mais com os cuidados com a mente.

Esse tipo de investimento é fundamental para manter qualquer companhia competitiva, pois os dados são preocupantes:

  • de acordo com a World Health organization, a ansiedade e a depressão causa uma perda de aproximadamente US$ 1 trilhão por ano para a economia mundial;
  • essa mesma pesquisa também trouxe o dado de que a cada US$1 investido em ações focadas em melhorias na saúde mental e bem-estar dos funcionários, US$4 são percebidos em ganhos devido ao aumento da produtividade.

Com todos esses números, além de entender o papel das empresas em relação à saúde mental no trabalho, também é necessário que as lideranças estejam preparadas para lidar com esse tipo de desafio.

E é isso o que vamos abordar neste artigo: um guia para os líderes terem mais clareza sobre o papel que precisam assumir para garantir um dia a dia profissional mais saudável para os seus times. Confira!

O que é saúde mental no trabalho?

A saúde mental no trabalho é definida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como:

“um estado de bem-estar em que o indivíduo está ciente de suas próprias habilidades, pode enfrentar as tensões normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de contribuir com a sua comunidade.”

Um ambiente de trabalho que não prioriza o bem-estar dos colaboradores pode ser bastante nocivo para saúde mental e contribuir para o desenvolvimento de vários tipos de transtornos mentais, como ansiedade e depressão.

Entre os principais fatores de risco, podemos citar:

  • clima organizacional desfavorável;
  • cultura organizacional tóxica;
  • sobrecarga de trabalho e inflexibilidade de horários;
  • metas inatingíveis;
  • lideranças despreparadas.

Além disso, um ponto importante em relação a este assunto é que, em janeiro de 2022, a síndrome de burnout foi oficializada como uma condição de saúde mental atrelada ao trabalho de acordo com a 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde. Com isso, passa a integrar a categoria de doenças ocupacionais.

Esta mudança é importante porque dá maior visibilidade ao transtorno, que passa a ser levado mais a sério pelas empresas e, a partir desse momento, as organizações devem ter mais responsabilidades e cuidados voltados para a saúde mental se não quiserem sofrer as consequências negativas.

Por que é importante contar com lideranças saudáveis?

Uma pesquisa da The School of Life, realizada em 2021, revelou os principais efeitos na saúde que os líderes sentiram nos últimos anos: com 64%, a ansiedade lidera. Em seguida, com 48% está o estresse e, então, a insônia (27%), o burnout (20%) e a depressão (10%).

Para que os líderes possam cuidar de seus liderados, primeiro é preciso garantir que estejam saudáveis e preparados para assumir essa função. Se não estiverem, provavelmente não atingirão os resultados esperados e todo o time sairá prejudicado.

Os dados de inúmeras pesquisas apontam que as lideranças estão exaustas e precisam de cuidados para que possam atingir o máximo do seu potencial. Para isso, as empresas devem pensar em estratégias voltadas exclusivamente para esses profissionais, que têm grandes responsabilidades e precisam de um suporte específico para darem conta de tudo sem perder o equilíbrio emocional.

4 dicas para os líderes cuidarem da saúde mental de seus times

A partir do momento em que as lideranças estão saudáveis e preparadas para os desafios de cuidar dos seus times, podemos começar a falar sobre o papel desses profissionais no cuidado com a saúde mental dos liderados.

Lembrando, é claro, que os líderes não são responsáveis por diagnosticar ou tratar qualquer tipo de transtorno mental, mas se forem bem treinados podem assumir uma postura ativa, que contribui para a prevenção e o encaminhamento de casos mais graves.

Em seguida, confira as nossas dicas para que as lideranças contem com um time saudável:

1. Cultivar um olhar atento e humanizado

As lideranças precisam ser treinadas para entender tudo o que envolve o contexto de saúde mental no trabalho. Muitas pessoas ainda acreditam em tabus e estigmas relacionados ao assunto, o que pode atrapalhar bastante o processo.

É necessário que os líderes recebam treinamentos para lidar com os diferentes tipos de questões relacionadas à saúde mental que possam surgir no dia a dia de trabalho. Para isso, desenvolver um olhar atento e humanizado para ser capaz de observar o comportamento dos liderados e conduzir cada caso individualmente é fundamental.

2. Criar abertura para conversas e feedbacks

Os feedbacks são a forma tradicional de líderes e liderados trocarem percepções sobre o trabalho que tem sido executado. É um momento formal, normalmente orientado pela empresa para que aconteça periodicamente. 

Além desses ciclos, é importante que as lideranças deixem claro para os liderados que estão abertas para conversas informais sempre que necessário, inclusive sobre qualquer questão de saúde mental. 

Aliás, para que todos se sintam confortáveis para se expor, é importante que o tema seja levantado com frequência no trabalho e não seja tratado como tabu. Dessa forma, os funcionários sabem que há espaço para compartilhar o que estão sentindo e vivendo sem medo de julgamentos.

3. Promover a conscientização

Aproveitando o gancho do ponto anterior, é importante reforçar que as pessoas só se sentirão à vontade para se expor se perceberem que saúde mental é algo levado a sério na empresa.

Para fortalecer essa imagem, os gestores podem levantar o assunto em reuniões de time ou individualmente, perguntando como cada um está se sentindo e se há alguma queixa de estresse, ansiedade etc.

Além disso, outra forma de promover a conscientização é por meio de  conteúdos de qualidade e palestras com especialistas da área, como psicólogos. Por meio da disseminação de informação, as pessoas passam a compreender melhor os transtornos mentais, as suas causas e sintomas, o que contribui para que possam sinalizar mais rápido quando perceberem que algo não vai bem.

4. Garantir equilíbrio entre vida pessoal e profissional

É responsabilidade do líder garantir que os liderados não sofram com a sobrecarga de trabalho. O desequilíbrio pode gerar grandes prejuízos para a saúde mental, como estresse, ansiedade e, em casos mais graves, síndrome de burnout.

O esgotamento mental causado pelo excesso de trabalho é um dos grandes vilões das empresas atualmente. Apostar em horários flexíveis e benefícios voltados para a qualidade de vida e o equilíbrio mental, como a psicoterapia, aulas de meditação, yoga etc.

A responsabilidade é coletiva, mas os líderes têm um papel protagonista

A saúde mental deve ser pauta na empresa como um todo: CEOs, RH e lideranças precisam trabalhar em conjunto para garantir que o ambiente corporativo se mantenha saudável.

Por mais que seja uma responsabilidade de todos, é importante se lembrar de que os líderes ocupam uma posição privilegiada, que permite a execução de ações práticas e a tomadas de decisões estratégicas que causam impactos positivos para o time. 

Muitas vezes, para começar não é preciso de transformações radicais. Pequenas mudanças de comportamento já podem fazer uma grande diferença para os liderados. Lembre-se: por serem grandes influências no ambiente de trabalho, os líderes têm um papel muito importante na manutenção da cultura de saúde mental.

Por Silmara Souza

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