Distimia é um tipo de depressão e deve ser tratada com ajuda de um psicólogo

Distimia – Mau humor pode significar depressão | Sintomas e Tratamentos

Distimia – Mau humor pode significar depressão | Sintomas e Tratamentos
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A distimia, também chamada de distúrbio distímico, é uma forma de depressão. Trata-se de um transtorno psiquiátrico que pode atingir cerca de 11 milhões de brasileiros. É menos grave do que a depressão maior, mas geralmente dura mais. Muitas pessoas com esse tipo de depressão descrevem ter sido deprimidas desde que possam se lembrar, ou sentem que estão entrando e saindo de depressão o tempo todo.

Os sintomas da distimia são semelhantes aos da depressão maior. No entanto, eles tendem a ser menos intensos. Em ambas as condições, uma pessoa pode ter um humor baixo ou irritável, uma diminuição no prazer e uma perda de energia. Eles se sentem relativamente desmotivados e desvinculados do mundo. O apetite e o peso podem aumentar ou diminuir. A pessoa pode dormir demais ou ter problemas para dormir. Ele ou ela pode ter dificuldade em se concentrar. A pessoa pode ser indecisa e pessimista e ter uma auto-imagem pobre.

Diferenças entre Distimia e Depressão Maior

Os sintomas podem se transformar em um episódio de grande depressão. Esta situação às vezes é chamada de “depressão dupla” porque o segundo problema (episódio depressivo maior) se sobrepõe aos sentimentos habituais de baixo humor. As pessoas com distimia têm uma chance maior do que a média de desenvolver depressão maior.

Embora a depressão maior geralmente ocorra episodicamente, a distimia é mais constante, durando por longos períodos, às vezes começando na infância. Como resultado, uma pessoa com distimia tende a acreditar que a depressão é parte de seu personagem. A pessoa com distimia nem sequer pensa em falar sobre esta depressão com médicos, familiares ou amigos.

Sintomas

O principal sintoma da distimia é  um humor baixo ou triste de longa duração. Pessoas com distimia também podem ficar irritadas facilmente. Outros sintomas incluem:

  • Aumento ou diminuição do apetite ou peso
  • Falta de sono ou está dormindo demais
  • Fadiga ou baixa energia
  • Baixa autoestima
  • Dificuldade em se concentrar
  • Indecisão
  • Desesperança ou pessimismo

É normal que problemas e situações do dia a dia tirem a gente do sério. Em uma segunda-feira, então, parece que o mau humor é universal. Mas quando a pessoa parece estar sempre de mal com a vida, se para ela nada está bom e nada a deixa feliz, um sinal de alerta se acende. Pode ser distimia, um transtorno mental, um tipo de depressão crônica, que se manifesta por meio de uma rabugice e de um mau humor, que parecem eternos.

“A distimia ou transtorno depressivo persistente tem como característica predominante o humor depressivo por grande parte do dia – e persistente ao longo dos últimos dois anos. Esses sintomas depressivos são tão comuns que passam a fazer parte do cotidiano da pessoa. E pode acometer crianças, adolescentes e adultos”, explica a psicóloga Ana Paula Gonçalves Donate, terapeuta cognitivo-comportamental, de São Paulo.

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Sintomas além do mau humor

A especialista diz que além da tristeza persistente é comum o relato de outros sintomas como: falta ou excesso de apetite; insônia ou hipersonia; falta de energia e fadiga; baixa autoestima; dificuldade de concentração; e desesperança. “Na distimia os sintomas ocorrem aos poucos e, por vezes, aquele que está sofrendo não consegue lembrar de quando eles tiveram início”, conta Ana Paula.

“Os portadores do transtorno são pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. Estão sempre irritados, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. É frequente que tanto os próprios indivíduos quanto seus familiares não percebam a existência de um transtorno e afirmem, veementemente, que esse é o ‘jeito de ser’ do sujeito”, reforça a psicóloga Maria Lina Arruda Alvares, especializada em psicanálise, de São Paulo.

Visão distorcida da realidade

Para a terapia cognitiva-comportamental, a distimia ocorre por uma série de pensamentos e crenças distorcidas, ou seja, uma avaliação disfuncional da realidade (de si, dos outros e do mundo), que colaboram para o indivíduo interpretar o ambiente que vive. “Tais interpretações e ações são como se as coisas estivessem piores do que realmente estão. Isso mantém e fortalece pensamentos e crenças disfuncionais que geram emoções cada vez mais negativas, como um verdadeiro ciclo vicioso de depressão”, diz Ana Paula.

Pessoas com diagnóstico de distimia tendem à ter:

1) Visão negativa de si mesmo. Exemplo: “eu não sou capaz”, “eu sou chato”, “eu não sou bom”, “eu não tenho atrativos”.

2) Visão negativa do mundo em relações, trabalho e atividades de forma geral. Exemplo: “as pessoas não gostam de mim de verdade”; “as pessoas me acham mal humorado”.

3) Visão negativa do futuro. Exemplo: “eu sempre serei deprimido assim”.

“O fato é que essas três formas de interpretação corroboram para que o indivíduo passe a agir de forma negativa: deixar de sair com amigos, não responder a uma mensagem, ser grosseiro quando alguém pergunta porque sumiu… E isso gera resultados desfavoráveis para ele mesmo, mantendo-o novamente no ciclo vicioso da depressão. Assim, sua interpretação é mantida pela nova interpretação adquirida, reforçando seus sentimentos de desesperança e tristeza”, explica Ana Paula.

Amigas sorrindo e conversando. Distimia e depressão devem ser orientadas por um psicólogo

Bom humor é fundamental para a vida

 

Diagnóstico

Muitos clínicos gerais podem reconhecer quando um de seus pacientes tem alguma forma de depressão. A identificação de alguns sinais pode levar a um encaminhamento para um psiquiatra para uma avaliação completa. Os clínicos diagnosticam a depressão como distimia quando uma pessoa sofre um baixo humor, juntamente com alguns dos outros sintomas depressivos, durante dois anos ou mais. Mas, não é necessário aguardar dois anos antes de obter ajuda! Alguém com sintomas por menos de dois anos ainda pode ser tratado por quaisquer sintomas persistentes ou angustiantes.

Uma vez que muitas pessoas com este transtorno sentem vergonha de serem rotuladas como “deprimidas”, elas podem relutar em levantar o assunto com um clínico.

Às vezes, os sintomas podem ser o limiar de outros transtornos de humor, como:

  • Depressão maior – uma forma de depressão com sintomas mais graves
  • Transtorno bipolar – a pessoa tem episódios depressivos mais períodos de humor elevado ou irritável, chamados episódios maníacos
  • Transtorno ciclotímico – uma forma mais leve de transtorno bipolar

Não há testes laboratoriais para diagnosticar distimia. No entanto, um médico pode solicitar testes para investigar condições médicas que podem ser uma causa de sintomas depressivos, como doença da tireoide ou anemia.

Tratamento

O melhor tratamento é uma combinação de psicoterapia e medicação.

Psicoterapia

O tipo mais útil de psicoterapia depende de uma série de fatores, incluindo a natureza de eventos estressantes, a disponibilidade de apoio social familiar e outros e preferências pessoais. A terapia geralmente inclui apoio emocional e educação sobre depressão. A terapia cognitivo-comportamental é projetada para examinar e ajudar a corrigir padrões de pensamento auto-críticos defeituosos. Psicodinâmica, psicologia interpessoal ou transpessoal pode ajudar uma pessoa a resolver conflitos em relacionamentos importantes ou explorar a história por trás dos sintomas.

Medicação

Pessoas com distimia que pensam que “sentir-se mal humorado” é apenas parte de sua vida, pode se surpreender ao saber que a medicação antidepressiva pode ser muito útil. Os antidepressivos recomendados para este distúrbio são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (como a fluoxetina), inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (como venlafaxina), mirtazapina e bupropiona.

Os efeitos secundários variam entre essas escolhas. Problemas com o funcionamento sexual são comuns na maioria, exceto com a bupropiona. A ansiedade pode aumentar nos estágios iniciais do tratamento, embora esse sentimento geralmente diminua. Embora seja relativamente incomum, qualquer medicação psicoativa pode fazer com que uma pessoa se sinta pior, em vez de melhor. Com base em preocupações de que, em casos raros, essas drogas podem causar o início do pensamento suicida.

Risco de Suicídio

A comunidade científica continua a debater o quão grande é o risco de suicídio quando o tratamento antidepressivo é iniciado. Muitos especialistas assumem a posição de que – na população como um todo – o tratamento antidepressivo reduziu o número de suicídios. Eles se preocupam com o fato de os avisos da caixa negra terem assustado pessoas que, de outra forma, poderiam se beneficiar com as drogas. Outros observam que médicos e pacientes devem ficar atentos à possibilidade de que o pensamento suicida possa ser desencadeado por um antidepressivo. Ambos os argumentos têm mérito.

De fato, o risco de sair da depressão não tratada é provavelmente muito maior do que o risco de tratamento com um antidepressivo. Mas um pequeno número de pessoas que usam os medicamentos sentem-se surpreendentemente pior do que melhor quando os levam. A melhor maneira de evitar o perigo é monitorar cuidadosamente sua resposta a qualquer medicamento. Você deve, portanto, manter todos os compromissos de acompanhamento e informar imediatamente quaisquer alterações problemáticas ao seu médico.

Adaptação ao medicamento

Antidepressivos antigos – antidepressivos tricíclicos e inibidores de monoamina – ainda estão em uso e podem ser muito eficazes para aqueles que não respondem aos medicamentos mais recentes.

Geralmente, leva de duas a seis semanas de uso de antidepressivos para ver melhorias. A dose geralmente deve ser ajustada para encontrar a dose certa para você. Muitas vezes, levará alguns meses para que o efeito positivo total seja visto.

Além disso, o primeiro medicamento pode não funcionar para você. Você pode precisar testar alguns antidepressivos diferentes antes de encontrar um que forneça alívio.

Às vezes, dois medicamentos antidepressivos diferentes são prescritos em conjunto, ou seu médico pode adicionar um medicamento de uma classe diferente ao seu tratamento, por exemplo, um estabilizador de humor ou uma medicação anti-ansiedade. A medicação antipsicótica em doses baixas é ocasionalmente muito útil para sintomas que de outra forma foram resistentes ao tratamento. Às vezes, pode levar a persistência a encontrar a combinação que funciona melhor.

Verdadeiro e falso sobre a doença

A seguir, confira o que é verdadeiro e o que é falso sobre a distimia, em avaliações da psicóloga Maria Lina Arruda Alvares.

Toda pessoa mal humorada/pessimista tem distimia

FALSO. Existe uma diferença básica entre os dois. O mal humorado/pessimista tem uma resposta pontual a algo que lhe desagrada ou desagradou. Ele não está sempre mal humorado ou pessimista e sabe diferenciar seu padrão normal de humor. Com o portador de distimia é diferente. Ele se sentiu irritado e mal humorado por toda a sua vida, sendo difícil estabelecer outro padrão de normalidade. Não conhece outro estado de humor, uma vez que sempre foi daquele jeito.

Distimia é uma espécie de depressão

VERDADEIRO. A distimia é um tipo de depressão crônica, de moderada intensidade, que faz parte do grupo dos transtornos mentais que interferem no humor das pessoas. É diferente dos outros tipos de depressão por apresentar sintomas mais leves, mas que são de longa duração.

Distimia também apresenta sintomas físicos

VERDADEIRO. Os sintomas físicos mais importantes da distimia são: sensação de cansaço, baixa energia, insônia ou excesso de sono, aumento ou diminuição do apetite, falta de concentração, perda de interesse e prazer nas atividades, isolamento social, tendência ao uso de drogas lícitas, ilícitas e de tranquilizantes.

É raro encontrar casos de distimia

FALSO. No Brasil, existem de 5 a 11 milhões de pessoas que sofrem desse mal. Eles são 3% a 6% da população mundial. De cada 100 pacientes atendidos nos postos de saúde, sete provavelmente têm distimia. Fonte: Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos – Abrata.

Distimia tem tratamento

VERDADEIRO. Consegue-se bons resultados no tratamento da distimia com a associação de psicoterapia e medicamentos antidepressivos. Isoladamente, um e outro não funcionam a contento. Embora os antidepressivos corrijam o distúrbio biológico, o paciente precisa aprender novas possibilidades de reagir e estabelecer relações interpessoais, viabilizadas pelo trabalho psicoterapêutico. A psicoterapia sem a medicação não tem muito êxito, porque cobra uma mudança de comportamento que a pessoa, a princípio, não está em condições de atingir.

Não tem problema não tratar a distimia

FALSO. O desconhecimento prevalece nos primeiros anos da doença. Desde a infância ou adolescência, os distímicos são considerados pela família (primeiro pelos pais e pelos irmãos e, depois, pelo cônjuge, quando se casam) desagradáveis, pessoas de difícil relacionamento. No emprego, chegam irritados, de cara amarrada, e os colegas os definem como resmungões e pouco sociáveis. Essas pessoas aprendem a funcionar irritadas e acham que, por ser um traço de personalidade, o problema é imutável. Mas a doença não deve ser subestimada pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. Aliás, quem tem distimia costuma procurar ajuda só quando ela já evoluiu para um quadro depressivo grave.

 

Consultoria

Ana Paula Gonçalves Donate é psicóloga, terapeuta cognitivo-comportamental e parceira da Vittude. Ela atende crianças, adolescentes e adultos. Marque uma consulta com a Ana Paula!

Maria Lina Arruda Alvares, parceira da Vittude, é  psicóloga formada pela FMU, especializada em Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae. Atende adolescentes e adultos. Marque uma consulta com a Maria Lina!

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