O modelo teórico de Lazarus e Folkman para a compreensão do estresse

Embora nem sempre tenha sido compreendido como um objeto de pesquisa, existem registros de que o estresse tem sido discutido há muitos anos. Eventos tais como a Segunda Guerra Mundial impulsionaram essas discussões, pois diante desses eventos o estresse foi compreendido como um elemento importante para os combates militares, e posteriormente, uma consequência dos mesmos. Mais adiante, outras análises relacionaram o estresse a diversas áreas da Psicologia, considerando variáveis do ambiente físico e seus possíveis efeitos sobre as respostas de estresse (Lazarus & Folkman, 1984).

Mais frequentemente, o estresse foi compreendido como um processo de estímulo e resposta. Os estímulos se concentrariam em eventos ambientais estressantes, tais como doenças, tragédias e acontecimentos como as demissões, e as respostas se relacionariam a estar sob estresse (Lazarus & Folkman, 1984).   Entretanto, os autores também afirmaram que esta associação teria sua utilização limitada, visto que define os estímulos como estressantes a partir da resposta que desencadeiam e não possibilitaria discutir as diferenças individuais na percepção dos eventos estressores. Essas diferenças consistem na avaliação cognitiva, um dos grandes diferenciais do modelo proposto por Lazarus e Folkman.

A abordagem do conceito estresse discutida pelos autores o conceituam sob uma perspectiva relacional pessoa e ambiente, na qual características do indivíduo enquanto avaliador e do evento estressante são importantes para compreensão do processo de estresse e do seu possível resultado.  Isso é, o estresse psicológico seria o produto da relação entre o indivíduo e o evento avaliado cognitivamente como excedente aos seus recursos pessoais ou ameaçador ao bem-estar (Lazarus & Folkman, 1984). Os recursos poderiam ser práticos (por exemplo, dinheiro) e emocionais (tais como, compreender que pode lidar com a situação).

Os autores definiram três tipos de avaliação cognitiva: primária, secundária e reavaliação. A primária corresponde à percepção do conflito como ameaçador, danoso ou desafiador. A secundária envolve o julgamento do tipo de enfrentamento (coping) que será empregado para lidar com o estresse e as consequências do uso do mesmo. Nesse sentido, Lazarus e Folkman defendem que nenhuma estratégia de enfrentamento é necessariamente boa ou ruim, porém a situação a que esta estratégia está relacionada é que afirmará sua eficiência. A reavaliação consiste em um novo julgamento modificado pelas novas informações sobre o evento, ambiente ou indivíduo estressor, estando mediada pelos efeitos do coping. (Lazarus & Folkman, 1984).  

Esta concepção do estresse concederia espaço a características individuais, situacionais, demandas e recursos, enfrentamentos, avaliações e reavaliações cognitivas, sentimento, efeitos fisiológicos e funcionamento social dos envolvidos. Para os autores, uma das contribuições desta abordagem do processo de estresse é justamente seu caráter transacional (ou interacional), na qual indivíduo e situação interagem de forma mútua e dinâmica, suplantando visões anteriores do estresse enquanto uma resposta unidirecional ou estática.

REFERÊNCIA:

Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. New York: Springer.

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