Ocitocina

Ocitocina: 10 efeitos interessantes do hormônio do amor

  |  Tempo de leitura: 8 minutos

Ocitocina, também chamada de oxitocina, é um hormônio produzido pelo hipotálamo e liberado a partir da neuro-hipófise na corrente sanguínea. São encontrados receptores de ocitocina em células de todo o corpo.

Esse hormônio exerce importantes funções no organismo e nas sensações de prazer e afeto. Por esse motivo, também é conhecido como o “hormônio do amor”.

Junto com a dopamina, a serotonina e a endorfina, a ocitocina faz parte do grupo chamado de “neurotransmissores da felicidade”. Eles possuem a função de aumentar as sensações de bem-estar e diminuir estresse, ansiedade e melhorar quadros depressivos.

Nesse artigo, descubra os efeitos que o hormônio do amor proporciona ao nosso cérebro e corpo.

Efeitos físicos e psicológicos do hormônio do amor 

De acordo com a Associação Americana de Psicologia, os níveis de ocitocina tendem a ser maiores durante experiências estressantes e ligadas ao convívio social. Isso quer dizer que o hormônio influencia o nosso comportamento, a criação de memórias, o reconhecimento, o apego, a generosidade, a empatia, entre outros comportamentos ligados às interações sociais.

Muitas pesquisas foram realizadas sobre os efeitos da ocitocina ao longo dos anos, sendo estudadas, inclusive, a sua capacidade de suprimir distúrbios mentais.

Foram constatados diversos efeitos benéficos, entre eles:

1. Facilita o parto normal

Uma das funções mais conhecidas do hormônio é o importante papel que desempenha no momento do parto.

Durante o trabalho de parto, o nível de ocitocina no organismo da mãe é extremamente aumentado. Ela age estimulando as contrações uterinas de forma regulada e abrindo o colo do útero, para facilitar a passagem do bebê pelo canal vaginal.

Após o nascimento do bebê, a ocitocina continua agindo no organismo da mulher, nas contrações uterinas, para diminuir a hemorragia.  

Quando o hormônio não é liberado em quantidade suficiente pelo organismo, o obstetra pode solicitar o uso de medicamentos à base de ocitocina sintética para ajudar nessa função.

2. Importante para a amamentação

Na amamentação, a ocitocina também é fundamental. Através da sucção feita pelo bebê, são provocados impulsos elétricos no seio da mãe que vão até o cérebro, estimulando a liberação do neurotransmissor. Em seguida, o hormônio segue pela corrente sanguínea e vai até às glândulas mamárias, empurrando o leite pelos ductos.

O bebê ingere a ocitocina pelo leite materno e, juntando à que é produzida pelo contato entre mãe e filho, o vínculo entre ambos é reforçado.

3. Promove apego entre pais e filhos

Os benefícios não ficam restritos apenas à mãe biológica e o filho, mas também à mãe adotiva e ao pai (sendo biológico ou adotivo).

Com relação à mãe biológica, estudos indicam que mães que produziram maior quantidade de ocitocina durante o primeiro trimestre de gravidez, se envolvem mais afetuosamente com o bebê, levando a ações como cantar, tocar, cuidar da higiene e alimentação de forma mais carinhosa e específica. 

Referente à paternidade e às mães e pais adotivos, estudos constataram que o envolvimento real e carinhoso com a criança, estimula a liberação de ocitocina, fortalecendo o vínculo. 

4. Aumenta o prazer sexual

A ocitocina é liberada durante a relação sexual, tanto nos homens quanto nas mulheres. 

Durante o orgasmo feminino, a ocitocina promove contrações uterinas. Nos homens, ocorre contrações dos ductos seminais e favorece a ejaculação. 

A ocitocina intensifica a ligação entre parceiros sexuais. 

5. Melhora das habilidades sociais

A ocitocina melhora significativamente a capacidade de as pessoas interagirem uma com as outras. Pacientes com autismo e esquizofrenia demonstram maior facilidade nas interações sociais quando a ocitocina é liberada.

Como a ocitocina está ligada ao desenvolvimento de confiança, os indivíduos passam a ter mais segurança ao se aproximar de outras pessoas. As percepções das expressões emocionais e sensibilidade também são beneficiadas.

6. Reduz o desejo por drogas

O desejo por drogas é reduzido com a liberação de ocitocina. De acordo com um artigo de 1999 do Progress in Brain Research, uma série de livros científicos, a ocitocina inibe a tolerância a drogas viciantes, como cocaína e álcool, e reduz os sintomas comuns de abstinência.

7. Alivia o estresse

O hormônio regula as emoções e o humor, favorecendo à diminuição do estresse. Essas adequações também são capazes de diminuir sintomas de depressão, ansiedade e fobia social.

A ocitocina possui efeito calmante, contrariando os efeitos do hormônio cortisol, conhecido por ser o hormônio do estresse. 

8. Induz o sono

Com o cérebro livre de condições de estresse e ansiedade, o sono é naturalmente beneficiado. A ocitocina aumenta a sensação de tranquilidade e isso propicia o descanso e um eficiente sono reparador, fundamental para uma boa qualidade de vida.

9. Promove a generosidade

A ocitocina é capaz de afetar o senso de altruísmo, tornando as pessoas mais generosas. Inclusive, é uma via de mão dupla, quanto mais atos de generosidade o indivíduo pratica, mais libera ocitocina de forma natural no organismo. E assim, a prática de generosidade e trabalhos voluntários são estimulados.

10. Fortalece os relacionamentos amorosos

Nos relacionamentos amorosos, a liberação de ocitocina é estimulada através do contato físico, olhares, beijos, abraços e carinhos. Esse aumento da presença do hormônio do amor no organismo eleva as sensações de bem-estar e felicidade.

A ocitocina também é relacionada com a fidelidade. Estudo indicam que esse estímulo do hormônio durante os relacionamentos amorosos, faz com que as pessoas não se sintam atraídas por outros indivíduos que não sejam os seus parceiros. 

Funciona como um sistema de recompensa, se o indivíduo sente prazer e felicidade com o seu parceiro, não busca procurar essas sensações fora do seu relacionamento. É esse sistema de recompensa que, de fato, fideliza os relacionamentos amorosos. 

A ocitocina nos homens

O hormônio influência o comportamento e fisiologia de homens e mulheres. Porém, a ocitocina age de maneira diferente no homem e na mulher.

Além de situação específicas, como parto, amamentação e orgasmo feminino, enquanto que nos homens ocorre o estímulo da ejaculação e aumento do volume de esperma, outros efeitos são observados nos homens. 

Ocorre também o aumento de hormônios anabolizantes, como a testosterona e relaxamento muscular, diminuindo sintomas de fibromialgia e hipertensão arterial.

O hormônio pode desempenhar um papel na maneira como homens identificam relações competitivas e atravessam momentos de luta e fuga.

Efeitos negativos da ocitocina

Apesar de todos os efeitos positivos da ocitocina e de sua função em estimular o apego e afeto entre os indivíduos, estudos indicam que a ocitocina também pode incentivar o favoritismo e preconceito, levando a formação de grupos e segregações.

Medicamento: Ocitocina sintética

A ocitocina sintética é semelhante a ocitocina natural. O fármaco pertence a um grupo de medicamentos chamado de ocitócicos. 

O medicamento ocitocina é administrado para promover a contração uterina durante o parto normal, quando o corpo da mulher não produz o hormônio em quantidade suficiente ou para estimular a sua produção. 

Nos partos cesáreas, o fármaco é utilizado para ajudar nas contrações uterinas que cessam o sangramento, evitando hemorragias. 

A ocitocina em forma de medicamento também pode ser prescrita para ajudar na amamentação, enviando sinais às glândulas mamárias para liberação do leite materno. 

Devido a sua capacidade de melhorar o humor e diminuir a sensação de estresse e ansiedade, o psiquiatra pode prescrever o uso de ocitocina em forma de medicamento para melhorar os sintomas de quadros psicológicos, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada e fobia social.

Reações adversas do medicamento ocitocina

Como qualquer medicamento, o uso de ocitocina sintética pode causar alguns efeitos colaterais. Nem todas as pessoas apresentam reações adversas, mas as mais comuns são:

  • Dor de cabeça;
  • Batimentos cardíacos acelerados (taquicardia);
  • Batimentos cardíacos lentos (bradicardia);
  • Náusea;
  • Vômitos.

Quando utilizado para estimular a amamentação, pouca quantidade de ocitocina é excretada junto ao leite. Em geral, essa quantidade não é prejudicial ao bebê, pois rapidamente perde o seu efeito. Porém, é necessário se atentar e, em caso de alguma reação incomum, procurar o médico imediatamente.

Alimentos que estimulam a liberação da ocitocina

Alguns alimentos são capazes de estimular a liberação de ocitocina e outros hormônios que produzem sensações de bem-estar, felicidade e bom humor, como a serotonina. 

Os alimentos eficientes para essa função, incluem:

  • Chocolate;
  • Oleaginosas, como castanhas, avelã e pistache;
  • Banana;
  • Folhas verde-escuras;
  • Proteínas, especialmente ovos e frutos do mar;
  • Leite.

Sinais de que a ocitocina está em falta no organismo

As pessoas que produzem o hormônio em quantidade inadequada, apresentam instabilidades mentais e físicas. Os principais sintomas que indicam uma diminuição do neurotransmissor no organismo, são:

  • Palidez
  • Olhar triste
  • Dificuldade em sorrir
  • Olhos secos
  • Falta de expressões emocionais
  • Estresse
  • Diminuição da libido
  • Diminuição da função cognitiva
  • Diminuição da memória e atenção
  • Distúrbio do sono
  • Falta de lubrificação durante o sexo
  • Diminuição da capacidade de ejacular
  • Diminuição da capacidade de chegar ao orgasmo, nas mulheres.
  • Obesidade
  • Frieza ao demonstrar sentimentos
  • Tensão e dores musculares
  • Excesso de sensibilidade a dor
  • Incapacidade de amamentar, mesmo quando os seios estão cheios de leite
  • Ansiedade e medo excessivos

Esses sintomas também são relacionados a outros distúrbios mentais e psicológicos. Por isso, fique atento e procure um médico para diagnóstico e tratamento adequados. 

Gostou do artigo? Acompanhe o conteúdo da Vittude assinando a nossa newsletter!

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.