Alzheimer senhora idosa

Alzheimer: sintomas, causas, tratamento e prevenção

  |  Tempo de leitura: 10 minutos

Alzheimer é um tipo de demência que causa problemas de memória, pensamento e comportamento. Os sintomas geralmente se desenvolvem lentamente e pioram com o tempo, tornando-se graves o suficiente para interferir nas tarefas diárias.

A doença de Alzheimer ainda é misteriosa. Entretanto, o primeiro passo na investigação da doença foi dado por Alois Alzheimer.

Em 1906, o médico estudou o desenvolvimento da perda gradual da memória e linguagem de sua paciente de 51 anos, Auguste Deter. Auguste era uma mulher saudável e, com o passar do tempo, ficou incapaz de cuidar de si mesma. Quando ela faleceu, aos 55 anos de idade, o Dr. Alzheimer analisou o cérebro dela e fez uma descrição das alterações que ele percebeu. 

O que é a Doença do Alzheimer 

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crônica. 

É a maior causa de demência entre os idosos. 

Curiosamente, o Mal de Alzheimer afeta mais as mulheres do que os homens, mas isso pode ser explicado porque a expectativa de vida feminina é maior.

A doença pode ter um início precoce quando começa entre os 40 e 50 anos. 

Um estudo feito nos Estados Unidos informou que até 5% dos mais de 5 milhões de americanos que sofrem de Alzheimer tiveram um início precoce. 

Os casos mais frequentes da doença iniciam após os 65 anos de idade, sendo classificado como início tardio. 

Conforme a idade aumenta, o percentual de pessoas que sofrem da doença aumenta: 

  • 3% das pessoas com idade entre 65 e 74 anos;
  • 17% das pessoas com idade entre 75 e 84 anos: 17%
  • 32% das pessoas com idade superior a 85 anos. 

Causas do Alzheimer

Ainda hoje, os médicos não entendem completamente o que causa o Alzheimer. 

Sabe-se que os seguintes fatores aumentam o risco de uma pessoa desenvolver a doença:

  • A genética consiste em 70% do risco;
  • Traumatismo craniano;
  • Depressão;
  • Hipertensão;
  • Obesidade;
  • Não fazer exercício físico;
  • Fumar ou conviver com pessoas que fumam (fumante passivo);
  • Nível elevado de colesterol no sangue;
  • Diabetes tipo 2 sem ser controlado;
  • Não comer frutas e vegetais;
  • Sofrer de Deficiência Cognitiva Leve (DCL);
  • Algumas circunstâncias ambientais;
  • Alguns cientistas relacionam poucos anos de estudo com o aumento do risco da doença.

O cérebro de um indivíduo que sofre da doença de Alzheimer possui um número muito menor de células e de conexões entre as células que sobreviveram. 

Sintomas do Alzheimer 

A doença se manifesta lentamente e vai piorando ao longo do tempo. 

Chamamos de fases do Alzheimer a piora gradual da doença, que vai do inicial ao terminal. Assim como o caso estudado pelo Dr. Alzheimer, o paciente começa com pequenos lapsos de memória até a perda total da independência:

Estágio inicial

Geralmente, parentes, amigos e até mesmo os profissionais não percebem o estágio inicial, pois consideram os sinais como uma parte do envelhecimento. 

Na maioria das vezes, não é possível saber exatamente quando a pessoa começa a ficar doente, entretanto, os sintomas dessa fase são:

  • Problemas para falar;
  • Esquecimento de coisas que acabaram de acontecer;
  • Perda de noção temporal (dia da semana e horas);
  • Se perder em locais que a pessoa conhece;
  • Dificuldade em tomar decisões;
  • Falta de motivação;
  • Mudanças de humor, tais como depressão e ansiedade;
  • A pessoa pode ficar agressivamente em ocasiões incomuns;
  • Perder interesse por hobbies e outras atividades rotineiras;
  • Perguntar e responder a mesma coisa várias vezes, por não lembrar que já foram feitas antes;
  • Esquecer compromissos e eventos;
  • Começar a esquecer os nomes dos membros da família e objetos de uso cotidiano;
  • Dificuldade em encontrar palavras para nomear objetos.

Estágio intermediário

Com o progresso da doença, o doente apresenta mais limitações, especialmente em tarefas do dia-a-dia:

  • Piora da perda da memória, sobretudo em relação aos eventos recentes e nomes de familiares
  • Começa a ter problemas para viver sozinho (a), como cozinhar e fazer compras;
  • Gradualmente, o doente começa a depender de um membro da família e/ou de um cuidador de idosos;
  • Fica cada vez mais difícil fazer a higiene pessoal;
  • Apresenta ainda mais dificuldade para falar;
  • A pessoa com Alzheimer começa a se perder tanto dentro de casa como fora dela;
  • Podem aparecer alucinações, em que o doente vê e escuta coisas que não existem. 

Estágio moderado

Quando a pessoa chega no estágio moderado da doença, os sintomas físicos do Alzheimer começam a ficar mais evidentes:

  • Já não é mais possível reconhecer parentes, amigos ou objetos do cotidiano;
  • Dificuldade em entender o que está acontecendo ao redor;
  • Quando se perde, o doente não consegue mais encontrar o caminho de volta para a casa;
  • Seu comportamento é inapropriado, inclusive em público.

Estágio grave

Ainda mais perto do estágio terminal, o doente começa a apresentar dificuldade para realizar as tarefas mais fáceis:

  • Exerce resistência para executar tarefas rotineiras, como tomar banho;
  • Sofre de incontinência urinária e fecal; 
  • Se alimentar fica cada vez mais difícil; 
  • O doente dificilmente consegue se comunicar;
  • É preciso ajuda para se locomover.

Estágio terminal

Nesse estágio, o cérebro do doente já está completamente danificado e o paciente:

  • Não consegue mais se locomover, ficando na cama ou na cadeira de rodas;
  • Não consegue mais falar; 
  • Sente dor ao engolir;
  • Costuma ter infecções frequentes. 

Como é feito o diagnóstico do Alzheimer

O primeiro passo para fazer o diagnóstico do Alzheimer, é preciso compreender que há diferença entre um esquecimento normal e passageiro de um caso mais grave e frequente. 

É difícil para um familiar admitir que o seu ente querido está começando a sofrer de demência. Entretanto, encaminhar o idoso à unidade de saúde mais próxima é essencial para identificar a doença o quanto antes. 

O diagnóstico é feito através dos seguintes exames:

  • Exames de sangue;
  • Exame de imagem do cérebro;
  • Histórico médico da família;
  • Exame neurológico;
  • Avaliação neuropsicológica;
  • Testes cognitivos para avaliar a memória e a capacidade de pensar;
  • Retirada do líquido da espinha. 

A importância da Neuropsicologia no diagnóstico e tratamento do Alzheimer

A Neuropsicologia é uma área da ciência relativamente nova que surgiu da união entre neurologia com a psicologia. 

A avaliação neuropsicológica é usada para diagnosticar doenças neurológicas e psiquiátricas de pessoas de todas as idades, como o Alzheimer, o TDAH, distúrbios de aprendizagem, depressão, transtorno de bipolaridade, etc.

Já a reabilitação neurológica arca com o atendimento psicoterápico do paciente, além de estimular a sua capacidade cognitiva e fazer reuniões em grupo.

Benefícios da psicoterapia para o paciente e seus familiares 

Uma das características do Mal de Alzheimer é o fato de muitos familiares se afastarem da família e da sociedade.

Além disso, a família começa a passar por apertos causados pelo comportamento impróprio na frente das pessoas, agressividade sem motivo e, acima de tudo, quando alguém que ama mal se lembra de você.

O familiar começa a viver mais em prol do doente do que de si mesmo, pois o seu familiar não consegue executar as tarefas mais simples sem ajuda. 

Em um estudo feito em 2015, foi constatado que os familiares passam por um estresse psicológico muito grande e, por conta disso, é importante prestar atendimento aos familiares. 

Nos últimos anos, a psicoterapia vem ajudando os familiares a lidarem com o desafio de cuidar de alguém que sofre de Alzheimer. 

A terapia ajuda o paciente e seus familiares a lidar com esta realidade, além de realizar atividades que estimulam não só a memória, mas também as demais funções intelectuais. 

Plataformas como a Vittude podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda a requisitos específicos para atender a todos que precisem de acompanhamento. Acesse nosso site e confira você mesmo todas as oportunidades oferecidas!

Tratamento do Mal de Alzheimer

Não há cura para o Alzheimer, mas, atualmente, há alguns medicamentos que estabilizam a doença podem retardar o seu desenvolvimento em até cinco anos ou mais.

Com isso, o paciente e seus familiares podem ter algum alívio e maior qualidade de vida. 

Em 2002, o Ministério da Saúde instituiu o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer no SUS. 

Há 26 Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso no Brasil, sendo que eles oferecem diagnóstico, tratamento, acompanhamento do paciente e prestam atendimento tanto aos familiares quanto os cuidadores. 

Recomendações para familiares 

  • Mesmo que o doente não saia de casa, é importante que ele use uma pulseira ou qualquer outro adereço que conste os dados de identificação (nome, endereço, telefone etc.) e as palavras “Memória Prejudicada”;
  • Estabeleça uma rotina diária da forma mais simples possível e se comprometa a ajudá-lo a cumprir;
  • Espalhe avisos pela casa como “feche a geladeira”, “apague a luz”, etc. 
  • Não faça tudo pelo portador de Alzheimer logo de cara: dê ordens simples e objetivas e ele (a) conseguirá cumprir, como “tire os sapatos”, “entre no chuveiro”, etc. 
  • Faça com que o doente coma refeições equilibradas e não deixe de fazer exercícios físicos;
  • Não deixe o doente consumir álcool ou cigarro;
  • Mesmo que seja difícil, ajude o paciente a conviver com os seus familiares e amigos;
  • Pense nas coisas que você não deixaria perto de uma criança e aja da mesma forma com um doente de Alzheimer;
  • Não carregue o fardo de cuidar de seu familiar sozinho. Chame outros membros da família, amigos ou pague um profissional;
  • Mesmo que seja doloroso, é importante que você tenha consciência de que a doença não tem cura e as habilidades que o ente querido perder não vão mais voltar.

É possível prevenir o Alzheimer

Para tratar o Alzheimer, é importante que você cuide da saúde física e mental. Não se esqueça de incentivar os seus familiares, especialmente os de idade mais avançada, a fazerem o mesmo:

  • Atividade física;
  • Alimentação balanceada e rica em antioxidantes;
  • Não beber álcool em excesso;
  • Não fumar;
  • Atividades intelectuais, como a leitura, testes e exercícios mentais como palavra cruzada;
  • Manter o convívio familiar e social. 

A doença do Alzheimer é difícil tanto para o portador quanto para os seus familiares, mas a neuropsicologia e a psicoterapia podem ajudar a passar por isso com mais tranquilidade. 

Gostou do post? Então assine nossa newsletter para receber, em sua caixa de emails, notificações de nossos conteúdos e novidades!

Leia também:

Hiperatividade em adultos: aprenda a identificar

Autismo: tudo que você precisa saber sobre desafios, direitos e onde encontrar ajuda

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta