Câncer de mama: como cuidar da sua saúde mental?

Câncer de mama: como cuidar da sua saúde mental?

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

O câncer de mama desperta um conjunto de emoções de difícil administração, as quais acompanham as mulheres desde o diagnóstico até o tratamento e recuperação da doença.

Como essa patologia está associada a tragédias, dificuldades e inúmeros desafios emocionais e físicos, o seu diagnóstico naturalmente instiga medo, preocupação, ansiedade e tristeza

Pacientes de câncer podem ficar presas a uma espiral de questionamentos sobre a vida, a doença e a morte. Elas podem pensar em todas as coisas que ainda não conseguiram conquistar, arrependimentos e conflitos de anos atrás, momentos significativos que podem perder e na necessidade de mudar as suas vidas para corresponder à nova realidade. 

A depressão e ansiedade são transtornos mentais que podem surgir nesse período de sensibilidade emocional e dificultar a convivência com o câncer. 

Também não é raro pacientes serem diagnosticadas com transtorno do pânico e disfunções neurocognitivas (lapsos de memória, desatenção, sonolência diurna, letargia, entre outros), além de nutrirem pensamentos suicidas. Por essa razão, pacientes também precisam cuidar da sua saúde mental.

O acompanhamento psicológico antes, durantes e depois do tratamento de câncer de mama é indispensável para saúde mental e física das pacientes. 

As suas famílias também se beneficiam com a terapia. Como suas vidas são igualmente afetadas pelo câncer, familiares normalmente precisam de acompanhamento para conseguirem ajudar a pessoa diagnosticada.

Saúde mental e o diagnóstico de câncer

A sensação que a maioria sente ao receber o diagnóstico de um câncer é semelhante ao luto. Ele não é sentido somente quando se perde um ente querido. Qualquer situação de perda, como demissão, divórcio e conflitos que enfraquecem vínculos afetivos, causa um sentimento semelhante. 

O diagnóstico do câncer pode simbolizar a perda de muitas coisas para a mulher, independentemente do estágio em que se encontra. Pode ser a perda da saúde, autoestima, oportunidades e momentos futuros. 

O instinto inicial tende a ser o de negar a realidade, pois ela parece assustadora ou intimidade demais. A paciente questiona o médico, a si mesma e a vida em si. “Por que isso aconteceu comigo?”, pode ser um questionamento comum, principalmente para mulheres que possuem um estilo de vida saudável. 

Depois, a raiva pode tentar tomar conta de seus pensamentos racionais. Se a paciente leva um modo de vida saudável, por que isso foi acontecer logo com ela? 

Se está em um determinado momento de sua vida que exige muita dedicação, como um projeto profissional ou promoção recém-conquistada, como administrar a doença e as novas oportunidades? Se possui uma ligação forte com a família, como cuidar deles e de si mesma? 

A depressão pode ser o próximo estágio e desencadear desinteresse generalizada e vontade de se isolar. A paciente deprimida pode começar a pensar sobre todas as coisas que podem dar errado durante o tratamento e como sua vida pode ser drasticamente afetada pelo câncer de mama. 

Essa montanha-russa de emoções pode perdurar por meses ou até um ano até que paciente aceite a situação em que se encontra. A aceitação é a última fase do luto e significa que a paciente está pronta para lidar com a situação de maneira racional e tranquila. 

Saúde mental e o tratamento do câncer

Câncer de mama: como cuidar da sua saúde mental?

O tratamento do câncer também pode simbolizar muitas coisas: recuperação, possibilidade de vitória, perseverança, esperança e felicidade. 

Entretanto, como os tratamentos sistêmicos, compostos pela quimioterapia e imunoterapia, afetam o restante do corpo, a mulher pode sentir muito mal-estar. Os impactos do tratamento costumam modificar a rotina das pacientes, autoestima e relacionamentos com o cônjuge, filhos e familiares. 

A paciente pode ficar desanimada, irritada, frustrada e temerosa. Para não sobrecarregar os seus entes queridos, pode optar por não compartilhar tudo o que sente. Assim, ela acaba se sobrecarregando!

Sendo assim, em todos os casos, é recomendado fazer acompanhamento psicológico

A função do psicólogo é acolher a paciente de câncer de mama e sua família, orientando-os acerca das melhores formas de lidar com essa fase emocional, psicológica e fisicamente complicada. 

O profissional ouve desabafos e desejos, incentiva a expressão de sentimentos (dos negativos aos positivos), orienta a paciente e familiares a administrarem as emoções ruins e ansiedade e fornece conforto ao compartilhar seu conhecimento da mente humana. 

Dessa forma, a jornada da paciente entre o diagnóstico, tratamento e estabilização do câncer é feita com maior serenidade, compreensão e positividade

Câncer de mama e saúde mental: 5 dicas de autocuidado 

Ter tranquilidade para lidar com as empreitadas desse período é fundamental, mas como manter a calma e o pensamento positivo perante o diagnóstico de um câncer? 

Além de fazer terapia, pacientes podem recorrer aos seus recursos emocionais para administrar as nuances da situação. Cada pessoa tem a sua própria fórmula de autoconsolo com base em sua personalidade e capacidade de gerir emoções.

Por exemplo, algumas pessoas se sentem melhores ao trocarem experiências difíceis com outras porque não se sentem sozinhas em sua jornada. Já outras preferem discorrer sobre o acontecimento em um diário particular ou com parentes ou psicólogo. 

É importante que os cuidados com a saúde mental sejam feitos diariamente. A mente, assim como o corpo, precisa de atenção frequente para fazer a prevenção de transtornos mentais. Pacientes de câncer devem estar mais atentos a isso. 

A Vittude separou algumas dicas próprias para ajudar pacientes de câncer de mama a lidarem com essa fase de adversidade. Confira-as abaixo!

Se permita viver os seus sentimentos 

Muitas vezes, as pessoas ignoram os sinais de que estão estressadas, ansiosas ou deprimidas e tentam levar os seus dias como se nada estivesse acontecendo. Essa postura causa ainda mais sofrimento emocional. Você tem todo o direito de viver os seus sentimentos e, sobretudo, o seu luto! 

É preciso que esses sentimentos sejam digeridos apropriadamente para que você consiga prestar atenção em outras coisas, como a sua recuperação. Evite a armadilha de tentar manter a positividade acima de tudo. É normal ter dias ruins e se sentir desanimada. 

Entretanto, se lembre de que você é mais do que o câncer! Permita-se ficar triste e viver o luto por alguns dias para, então, começar a buscar maneiras de se sentir bem novamente. 

Seja gentil consigo mesma 

Essa experiência pode fazer com que você se sinta feia, inadequada e indesejada. As modificações corporais (emagrecimento, perda de cabelo) costumam ter grande impacto na forma como as mulheres se enxergam, principalmente em casos cuja cirurgia é necessária. 

Você pode se sentir desconfortável em seu próprio corpo por um tempo, por isso, pratique a gentileza consigo mesma. Promova o bem-estar emocional com a terapia, meditação, técnicas de relaxamento, fisioterapia, terapias alternativas, troca de experiências com outras mulheres, entre outras. 

Não deixe de fazer o que você gosta porque está doente. Tampouco alimente pensamentos intrusivos e negativos. Diga a si mesma o quanto você é forte e determinada todos os dias, mesmo naqueles em que você não consegue acreditar no que diz. 

Se agarre na sua rede de apoio

Câncer de mama: como cuidar da sua saúde mental?

O apoio da família, amigos e cônjuge é essencial desde o diagnóstico até o fim do tratamento. A presença de nossos entes queridos faz muita diferença quando passamos por adversidades. Então, se agarre a eles! 

Tenha em mente, contudo, que seus familiares podem não saber exatamente como ajudar você. Essa situação também é nova e difícil para eles. Assim, você pode dizer a eles exatamente como podem ajudá-la. 

Por exemplo, explique que às vezes você só quer desabafar e não encontrar respostas para seus problemas. Diga a eles que tipo de palavras de incentivo realmente lhe ajudam a se sentir bem. Demonstre de que forma eles podem apoiá-la, como acompanhá-la a uma atividade prazerosa ou fazer terapia familiar

Mantenha a ansiedade sob controle

A ansiedade costuma ser uma companheira das pacientes de câncer. Elas ficam ansiosas com a perspectiva da recuperação, a volta à vida normal e a possibilidade de a doença retornar, além de se torturarem com pensamentos de que o tratamento pode ser ineficaz.

  • Aprender a controlar a ansiedade é imprescindível para ter uma recuperação mais tranquila. Para isso, você pode:
  • Escrever suas preocupações e sentimentos em um diário;
  • Conversar com um psicólogo ou pessoa de confiança sobre o que sente;
  • Praticar os exercícios físicos recomendados pelo médico;
  • Dar continuidade a projetos pessoais;
  • Praticar a gratidão;
  • Se lembrar constantemente que essa, assim como muitas outras, é somente outra fase da sua vida. 

Procurar recursos úteis

Graças ao Outubro Rosa, mês de conscientização do câncer de mama, existem muitas organizações não-governamentais e instituições que se dedicam a acolher pacientes. Os recursos emocionais que elas compartilham, como eventos e materiais informativos, podem ser muito úteis durante a sua recuperação. 

A Vittude também possui materiais diversos sobre educação emocional, entre artigos do blog e e-books, que podem ajudá-la a passar por essa situação. 

Além disso, em nossa plataforma de terapia online, você encontra um vasto repertório de profissionais credenciados para atendê-la quando você achar necessário, independentemente da sua localização.

Quer agendar sua primeira sessão? Aproveite e use a ferramenta abaixo:

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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M C
10 meses atrás

Péssimo, a pessoa tem cancerofobia e lendo este artigo só reforça o medo de câncer que foi confirmado! Totalmente inadequado, deveriam excluir.

Artigo publicado em Psicoterapia