Depressão endógena: sintomas, causas e como tratar

Depressão endógena: sintomas, causas e como tratar

  |  Tempo de leitura: 8 minutos

A depressão é um transtorno mental com vários subtipos, entre eles a depressão endógena. É muito importante conhecer as suas peculiaridades, pois se trata de uma doença com causas diferentes da depressão reativa, ou seja, aquela que é desencadeada por uma situação estressante ou traumática.

Quanto mais informação de qualidade for divulgada sobre o assunto, mais pessoas serão capazes de identificar quando algo não vai bem e procurar ajuda para receber um diagnóstico e tratamento adequados.

Quer saber mais sobre a depressão endógena? Continue a leitura deste artigo para conferir as principais informações sobre o transtorno.

O que é a depressão endógena?

A depressão endógena é caracterizada por um estado de ânimo de tristeza, apatia e desesperança. A grande diferença está na sua causa, pois não necessita de uma situação externa desencadeadora, ela se dá a partir de fatores internos, ou seja, uma alteração ou mudança estrutural na bioquímica cerebral.

A depressão reativa, por sua vez, tem uma relação evidente com uma situação externa responsável por desencadear o transtorno. O grande perigo da depressão endógena é que a ausência de causas externas identificáveis acaba tornando a compreensão da doença mais complexa e difícil, tanto por parte da pessoa doente como de seus amigos e parentes próximos.

Muita gente acredita que a depressão só acontece quando o indivíduo passa por algum estresse acentuado ou situação traumática, mas não necessariamente. Por isso, estar atento aos sintomas é fundamental para identificar quando algo não vai bem e procurar ajuda profissional.

Quais são os sintomas da depressão endógena?

Os sintomas da depressão endógena são muito parecidos com a reativa. Lembrando, é claro, que a pessoa doente não precisa apresentar todas as mudanças, cada caso é um caso.

Entre os principais pontos de atenção na mudança de comportamento, podemos citar:

  • ansiedade;
  • apatia;
  • sentimento de culpa;
  • desesperança;
  • mudanças de humor;
  • perda de interesse e prazer nas atividades;
  • tristeza;
  • tédio;
  • isolamento social;
  • choro excessivo;
  • inquietação;
  • irritabilidade;
  • excesso de sono ou insônia;
  • falta de concentração;
  • pensamentos suicidas;
  • lentidão para realizar atividades;
  • fadiga;
  • ganho ou perda de peso;
  • abuso de substâncias;
  • repetição incessante de pensamentos.

As principais diferenças entre os sintomas da depressão endógena e reativa

Apesar dos sintomas muito comuns entre os dois tipos de depressão, existem alguns pontos de diferenciação que merecem atenção.

Na depressão endógena os sintomas costumam ser mais graves e, assim, há maiores chances de pensamentos suicidas. O sentimento de tristeza também tende a ser mais intenso, intrusivo e penetrante, e vem acompanhado da incapacidade de sentir prazer. Além disso, há maior ênfase nos sintomas relacionados às funções vitais, como sono e apetite.

E como diferenciar depressão e tristeza?

Depressão endógena: sintomas, causas e como tratar

Outro ponto importante é ter consciência de que, apesar dos sintomas parecidos, a depressão é diferente da tristeza.

A tristeza costuma durar algumas horas ou dias, enquanto a depressão sem o devido tratamento pode durar meses ou anos. Assim, uma pessoa é considerada com depressão quando os sintomas persistem por mais de duas semanas.

Além disso, a intensidade é outro ponto importante, pois a tristeza não impacta drasticamente a produtividade e a execução de tarefas mais simples. Por outro lado, os sentimentos ruins causados pela depressão afetam várias esferas da vida e, em casos mais sérios, ocorrem até mesmo pensamentos suicidas.

Quais são as causas da depressão endógena?

A depressão endógena tem como principal causa a diminuição acentuada da setoronina, mas essa alteração não é desencadeado por fatores externos. Isso significa que ela ocorre de maneira natural e, portanto, neste subtipo da doença há um fator genético que eleva a probabilidade da pessoa sofrer com a doença.

Existem vários estudos sobre a importância da serotonina na regulação do equilíbrio e do bem-estar do corpo humano. O seu déficit, junto do déficit funcional catecolaminérgico, é capaz de levar a um estado depressivo.

Como tratar esse tipo de depressão?

Não é possível tratar a depressão endógena sem o auxílio de um acompanhamento profissional. Um ponto importante é que cada subtipo da doença dura um determinado período, mas esta pode durar para sempre. Por isso, é necessário estar sempre cuidando e controlando a saúde mental. Afinal, se trata de um transtorno que está na constituição do indivíduo e não vai simplesmente embora.

O tratamento, por sua vez, inclui várias frentes de atuação, entre elas:

Medicação

Alguns subtipos da doença, dependendo da intensidade e gravidade, podem ser tratados sem medicação. No entanto, a endógena tem como primeira escolha os antidepressivos (afinal, a causa é um desequilíbrio químico do cérebro sem um fator externo) e costuma responder muito bem aos remédios.

Psicoterapia

A psicoterapia é fundamental no tratamento e manutenção da saúde mental de quem sofre com a depressão endógena. O psicólogo ajudará o paciente a entender o seu papel no tratamento e estratégias para combater os sintomas da doença.

Para isso, ao longo das sessões são trabalhadas questões voltadas para o autoconhecimento e cuidados para ter mais bem-estar e qualidade de vida.

Estilo de vida saudável

O estilo de vida saudável passa por várias esferas que se forem bem trabalhadas podem contribuir para um dia a dia muito melhor.

O primeiro ponto de atenção é a prática de atividades físicas, que são um ótimo remédio natural no combate à depressão e ansiedade. Movimentar o corpo por pelo menos 20 minutos por dia estimula a produção de endorfina, dopamina e serotonina, os chamados “hormônios da felicidade”.

Depressão endógena: sintomas, causas e como tratar

Outro fator é a alimentação equilibrada. Existem estudos que comprovam que dietas mediterrâneas e japonesas, que são compostas por frutos do mar, verduras, legumes e grãos não processados (além de quantidade limitada de carne e açúcar) reduzem em até 35% a probabilidade de desenvolver depressão e outras doenças mentais.

Entre os benefícios da alimentação balanceada podemos citar o combate à fadiga e perda de energia, sintomas comuns na depressão. Além disso, o consumo de alimentos antidepressivos também são importantes por aceleraram a produção de serotonina.

Alguns dos itens mais indicados para incluir na sua dieta são:

  • frutas;
  • mel;
  • leite e iogurte desnatado;
  • floras verdes;
  • castanha-do-pará;
  • aveia e centeio;
  • soja;
  • frutos do mar e peixes.

Meditação e yoga

Muito se fala sobre meditação e yoga hoje em dia, duas práticas que beneficiam o corpo e a mente e, em longo prazo, ajudam a reduzir sintomas de depressão, ansiedade e estresse.

Combinado com outras frentes de tratamento, como a medicação e psicoterapia, a meditação e o yoga podem contribuir positivamente para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com depressão endógena.

Cultivo de hobbies

Os hobbies são muito importantes porque quando a pessoa realmente encontra algo que gosta de fazer, foca naquele momento e afasta pensamentos e sentimentos ruins ao longo da prática.

Incluir atividades prazerosas no seu dia a dia é fundamental para ter mais qualidade de vida e equilibrar melhor esferas pessoais e profissionais.

Grupos de apoio

Por fim, vale considerar também os grupos de apoio, que são valiosos para quem sofre com a depressão se sinta mais acolhido e possa compartilhar experiências com aqueles que estão enfrentando a mesma doença.

Principalmente em relação à depressão endógena, que pode causar maior desconforto por não ter uma causa externa clara, os grupos de apoio ajudam o indivíduo a se sentir menos sozinho.

Fique atento aos sinais e procure ajuda

Conhecer a depressão e os seus subtipos é fundamental para saber identificar a doença em si mesmo ou pessoas próximas. A desinformação é um dos maiores vilãos nos cuidados com a saúde mental.

Por isso, se identificar os sinais, não deixe de procurar ajuda e começar o tratamento o quanto antes para viver com muito mais equilíbrio e bem-estar.

Para mais artigos como este, acompanhe o blog da Vittude!

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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Artigo publicado em Transtornos Depressivos