mulher em depressão profunda

Depressão profunda: como lidar com a doença?

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Depressão profunda é um termo já bastante conhecido, e parece um tanto clichê dizer que a depressão é o “mal do século”. Contudo, essa denominação está longe de ser um exagero, e foi dada pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS).

Não se pode, de forma nenhuma, ignorar o fato de que existem hoje cerca de 322 milhões de indivíduos no mundo sofrendo com a depressão. Esse número corresponde a 4,4% de toda população da Terra.

Os brasileiros são os que mais sofrem desse mal na América Latina, com 5,8% da população doente, principalmente entre os 55 e 74 anos. Mas é importante lembrar que a depressão profunda é capaz de atingir pessoas das mais variadas idades, inclusive crianças.

Aumento dos casos de depressão

Dados divulgados pela OMS em 2018 informam os casos de depressão estão aumentando globalmente, e que até 2020, esta será a doença mais incapacitante do mundo. Em 2016, aproximadamente 75 mil trabalhadores brasileiros foram afastados de suas atividades pela Previdência Social em razão dos problemas acarretados pelo distúrbio.

Enfim, você deve estar se perguntando:

– Para que servem todas essas informações e números? O que devo fazer com isso?

Isso tudo serve como alerta para o fato de que a depressão precisa ser vista e encarada como uma doença grave, tanto por parte do portador, quanto – e principalmente – por parte das pessoas que convivem com alguém depressivo.

O que queremos abordar aqui é justamente de que modo deve-se lidar com a depressão profunda e como a presença dela merece atenção e cuidado. Além, é claro, de demonstrar o quanto é fundamental que se diagnostique o problema de forma assertiva, para que se busque tratamento adequado.

Porque chamamos de depressão profunda?

A depressão pode ocorrer de diversas formas e graus de intensidade, podendo passar por estágios de depressão leve, moderada e severa. Esta última é conhecida como depressão profunda, considerada a fase mais grave da doença.

Também existem tipos diferentes de depressão, que surgem em decorrência de situações ou de outras doenças. Falaremos deles logo a seguir.

Em geral, os sintomas de depressão se assemelham a todos os níveis da doença, embora haja diferenças entre eles. Mas o que acentua o problema e faz com que o distúrbio seja considerado severo é, principalmente, a presença de pensamentos de morte, e até mesmo suicidas.

Veja abaixo os principais sintomas associados à depressão profunda:

Tristeza permanente e incapacitante

A tristeza relacionada à depressão não é uma tristeza qualquer, passageira, desencadeada por um fato específico ou isolado. É algo que apenas se sente, sem que se possa apresentar um real motivo para isso. O portador de depressão profunda sente uma tristeza permanente, que incapacita a pessoa para o lazer, o trabalho e o convívio social.

Busca por isolamento

Além de sentir-se triste e desmotivado, o depressivo costuma isolar-se por completo, evitando contato com pessoas próximas, por não querer dialogar e interagir com ninguém, preferindo ficar sozinho.

Sentimento de culpa e inutilidade

A depressão costuma fazer com que a pessoa sinta-se inútil e culpada pelos problemas e insatisfações, suas e de terceiros. A baixa autoestima se acentua significativamente em quem tem depressão profunda.

Distúrbios do sono

O sono sempre é afetado em quem lida com a depressão. O cenário mais comum é que a pessoa troque o dia pela noite. Sua tristeza e desmotivação a levam a dormir em excesso durante o dia, numa tentativa de fuga das tarefas e do tempo, o que acaba gerando insônia durante a noite.

Desânimo e pessimismo

A depressão gera uma incapacidade de ver o lado bom das situações. A tristeza profunda antes mencionada, faz com o que a pessoa depressiva perca a capacidade de sentir-se otimista. O desânimo está sempre presente, e é como se a vida fosse vista sempre em “preto e branco”.

Ausência de autocuidado

A falta de vontade e de iniciativa afetam a vida da pessoa com depressão profunda, chegando a atividades básicas, como a higiene pessoal. O depressivo pode passar dias sem tomar banho e escovar os dentes, por exemplo. As atividades físicas e o cuidado com a beleza também são rapidamente deixados de lado.

Pensamentos suicidas ou de morte

O sintoma mais característico da depressão profunda, e também o mais grave, está relacionado aos pensamentos constantes de morte e até de suicídio. Muitas vezes a pessoa não tem a intenção de se matar, mas deseja profundamente a morte, como forma de acabar com o sofrimento causado pela doença, do qual ela não consegue se livrar.

Outros sintomas comuns à depressão

  • irritabilidade
  • angústia
  • procrastinação
  • dificuldade de concentração
  • insegurança e medo
  • alterações no apetite
  • fadiga

Tipos mais comuns de depressão

Diferente do que se pode imaginar, existem tipos variados de depressão, que são desencadeados por fatores específicos ou que se apresentam de formas distintas. Confira os principais:

Transtorno depressivo maior (depressão unipolar)

É o tipo de depressão mais conhecido e que ocorre com maior frequência. Se apresenta como um quadro de humor deprimido, perda de prazer e interesse em atividades cotidianas, e em casos mais graves, sofrimento, melancolia e incapacidade temporária, especialmente quando não tratada.

Distimia

Este é um tipo de depressão considerada mais leve ou de baixo grau. A pessoa que sofre com a distimia costuma apresentar tristeza, baixa autoestima e desânimo, mas de forma menos intensa. Por isso, ela ainda é capaz de realizar suas atividades rotineiras, no trabalho e na vida social.

Entretanto, o portador da distimia sofre com essa depressão por mais tempo, cerca de dois anos, no mínimo. Os sintomas são os mais comuns: baixa energia, distúrbios de apetite e do sono, pessimismo e irritabilidade. Isso faz com que o diagnóstico se torne mais difícil, pois essas pessoas costumam ser taxadas como mau humoradas ou pessimistas, e elas próprias acabam não se reconhecendo como depressivas.

Depressão Sazonal

Este é um tipo de depressão de difícil diagnóstico, pois há uma mudança de humor repentina, uma vez que a depressão sazonal ocorre por alguns períodos, geralmente relacionados às estações, como outono e inverno, e principalmente em países mais frios, onde os dias são mais curtos nesses períodos. Outro fator que pode desencadear a depressão sazonal são as festas de fim de ano, como natal e réveillon.

Depressão pós-parto

A depressão já tem sua incidência cada vez mais observada, e costuma ocorrer em mulheres durante o puerpério, mas em alguns casos, ela pode se manifestar ainda durante a gravidez. É um tipo de depressão muito específico e suas causas são decorrentes da grande alteração e do desequilíbrio hormonal no corpo da mulher, que ocorre durante a gravidez e após o parto.

Como lidar com a depressão profunda?

Precisamos admitir que não é uma tarefa fácil e simples lidar com a depressão, mas sabemos que a doença requer cuidados e atenção, uma vez que envolve, até mesmo, risco de morte. Por mais assustador que seja, a depressão profunda precisa ser encarada de maneira realista, como algo grave.

É preciso que a pessoa que se encontra num estado depressivo seja capaz de identificar os sintomas e reconhecer o problema, mas a participação das pessoas próximas, seja família, amigos ou colegas de trabalho, é fundamental na obtenção do diagnóstico, pois podem ser eles a perceber primeiro que existe algo de errado.

Leia também >>> Depressão: 8 sinais que podem indicar que você precisa de ajuda

Tão logo os sinais sejam percebidos, é necessário buscar ajuda médica e psicológica. E, em caso de dúvidas se o que você tem é mesmo depressão, procure o médico para esclarecer essas dúvidas e descartar a hipótese da doença.

Muitas vezes, ao iniciar uma terapia, pode-se descobrir um quadro de depressão que, até então, não havia sido notado. Por isso salientamos a importância do psicólogo para os tratamentos de saúde mental.

Depressão tem cura?

A depressão em todas as suas fases requer cuidados e tratamento combinado de medicamentos e psicoterapia, muitas vezes por períodos longos, de um a três anos, dependendo do caso.

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Contudo, ela é totalmente passível de cura, desde que o paciente siga corretamente todas as recomendações médicas e busque ajuda psicológica, já que a doença é uma associação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Para tratar a depressão profunda, é necessário acompanhamento com médico psiquiatra. Infelizmente ainda existe um certo tabu, uma ideia totalmente equivocada sobre esse profissional, taxado como “médico de louco”.

Mas sabemos que essa imagem vem sendo desconstruída e, cada vez mais, as pessoas estão entendendo o verdadeiro papel do médico psiquiatra e da importância dele para a saúde mental de todos, independente do problema.

O psiquiatra será o responsável pelo diagnóstico da doença e pela prescrição dos antidepressivos. Existem inúmeros tipos de substância capazes de atuar na regulação das disfunções que acarretam a depressão.

Muitas vezes, o paciente precisa experimentar diversos remédios diferentes até encontrar aquele com o qual se adapte melhor, tenha menos efeitos colaterais e resultado mais rápido e efetivo.

No entanto, nem só com medicação é possível tratar uma depressão de grau severo. A psicoterapia precisa fazer parte do tratamento, e a Terapia Cognitivo Comportamental é o tipo mais recomendado para a depressão.

Quando é necessária a internação?

Como já vimos, a depressão atinge um número bastante expressivo de pessoas, de todas as idades e gêneros. Em alguns casos, a doença afeta de forma profunda o sistema imunológico, o que pode acarretar outras doenças, e por isso o cuidado deve ser redobrado, com atenção permanente.

Estima-se que uma a cada quinze pessoas depressivas apresentam um quadro tão grave que exige hospitalização. Os sintomas da depressão profunda, como pensamentos constantes de morte e risco de suicídio, além da ausência completa de autocuidado, podem exigir que o paciente precise ser internado numa clínica psiquiátrica, para que haja supervisão médica constante e sejam evitados danos maiores.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.