Fobia social causas, tratamentos e medicamentos

Fobia Social – Sintomas, causas, tratamentos e medicações

Fobia Social – Sintomas, causas, tratamentos e medicações
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Fobia Social, você sabe o que isto significa? Você já se sentiu inseguro ao fazer uma apresentação em público, começar um novo projeto com pessoas desconhecidas, ou simplesmente comer na frente das pessoas? Saiba que, embora a ansiedade ou a timidez sejam algo natural, existem pessoas que evitam ao máximo, por exemplo, um simples contato visual. Se gestos cotidianos como: iniciar uma conversa, interagir com estranhos, ir à festas lhe causam medo ao ponto de querer evitar todo e qualquer tipo de contato social, saiba que você pode estar sofrendo de Fobia Social, ou também Transtorno de Ansiedade Social. 

Fobia Social: possíveis causas

A principal responsável pela formação e controle das emoções em nosso cérebro é a chamada Amígdala cerebelosa. Pessoas que possuem essa estrutura funcionando em maior atividade, são capazes de apresentar quadros maiores de ansiedade e insegurança na medida em que são postas em momentos de sociabilidade. O que parece estar relacionado a causas genéticas como a hereditariedade, por exemplo, a Fobia Social está mais propensa a ser uma doença com características de ser aprendida pelo ambiente no qual a pessoa está inserida. Alguns psicólogos afirmam que se pode associar a Fobia Social com a forma como a pessoa foi educada pelos pais, ou por algum trauma que tenha sofrido na infância, como bullying, rejeição ou ridicularização. 

Sintomas

Existem pessoas naturalmente mais reservadas ou extrovertidas que outras. Timidez e desconforto em ambientes sociais não são necessariamente Fobia Social. É preciso considerar que o comportamento das pessoas varia de acordo com que são submetidas a determinadas situações, e isso está direcionado com a personalidade de cada um e também com a sua trajetória de vida.  

Os sintomas vão muito mais além do que desconforto e ansiedade, algumas pessoas acabam sofrendo por antecipação ao ponto do nervosismo diário afetar diretamente a rotina diária comprometendo a qualidade de vida, seja na escola no trabalho ou em alguma atividade social. Algumas pessoas confundem timidez com a Fobia Social, mas há diferenças muitos significantes. A timidez faz com que algumas pessoas sintam vergonha, mas isso não afeta o caminhar da vida. Já a Fobia Social limita drasticamente o desenvolver de atividades rotineiras, como usar um banheiro público, ou entrar numa sala em que as pessoas já estão sentadas.

Sintomas comportamentais 

O medo de falhar em alguma situação que haja a presença de pessoas observando faz com que a pessoa apresente sinais de voz trêmula e gagueira. Geralmente as pessoas costumam analisar o próprio desemprenho com vistas a ser mais assertivos na hora de agir ou se comportar. Entretanto, alguns são pessimistas e sempre esperam o que o pior possa acontecer.

Diagnóstico 

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, os critérios que devem ser levados em consideração para diagnosticar um paciente com Fobia Social são: 

  • Presença de medo persistente em situações sociais. Com constante percepção que está sendo examinado ou receio de que agirá de maneira constrangedora ou humilhante; 
  • Evitar situações sociais que causam ansiedade ou suportá-las com medo ou ansiedade intensos; 
  • Ansiedade excessiva e desproporcional à situação que está sendo vivida;
  • Ansiedade ou sofrimento que interferem diretamente na rotina e na qualidade de vida;  
  • Medo ou ansiedade que não pode ser explicada por nenhuma outra condição médica, por qualquer uso de medicação ou abuso de substâncias químicas; 

Embora a Fobia Social não seja uma emergência médica, é importante ficar atento se doença interfere em sua qualidade de vida ou das pessoas ao seu redor. Apesar de parecer inofensiva a Fobia Social demanda tratamento.  

O Médico Psiquiatra ou Clínico Geral em geral são os especialistas mais indicados para diagnosticar a Fobia Social.  

Psicoterapia

O método que tem se mostrado mais eficaz para o tratamento da doença é a Psicoterapia. Existem diversas linhas ou abordagens terapêuticas disponíveis e de eficácia comprovada. A abordagem Cognitiva Comportamental, por exemplo, auxilia na diminuição dos sintomas devolvendo ao paciente sua qualidade de vida e bem estar. O reconhecimento de pensamentos negativos e a tentativa de reedita-los são algumas das ações terapêuticas da Psicoterapia Cognitiva. Ela ainda ajuda o paciente a desenvolver habilidades que o auxiliam a ganhar confiança – principalmente quando são submetidos a algum contexto público que demande expressar-se.  

Medicamentos 

Os medicamentos variam de acordo com o quadro clinico. Somente um médico poderá prescrever qual é o medicamento mais indicado, bem como a dosagem correta durante o tratamento. Os chamados Inibidores de receptação de Serotonina (ISRS em inglês), são, na maioria das vezes, o principal medicamento utilizado no tratamento. Há ainda os Betabloqueadores e Inibidores de ansiedade.

Caso o médico conclua que seja necessário, os medicamentos podem ser utilizados em associação com a Psicoterapia para um tratamento mais eficiente.

Medicamentos para Fobia Social 

Os medicamentos mais utilizados para o tratamento são: 

  • Alenthus XR 
  • Assert 
  • Clopam
  • Cloxazolam
  • Cinarizina 
  • Efexor XR 
  • Exodus 
  • Clonazepam 
  • Escitalopram 
  • Lexapro 
  • Paroxetina 
  • Rivotril 
  • Sertralina 

Prognóstico

Algumas ações podem ser tomadas por pacientes que estejam em processo de tratamento. Se utilizados corretamente podem ajudar no processo, vamos la: 

  • Entrar para um grupo de apoio; 
  • Ter uma alimentação saudável; 
  • Praticar atividades físicas regularmente; 
  • Evitar o consumo de álcool, drogas e o uso excessivo de cafeína; 
  • Dormir no mínimo 8 horas por dia; 
  • Evitar situações que possam desencadear novos sintomas; 
  • Preparar-se para encontros sociais com antecedência; 

Se não tratada, a Fobia Social pode trazer sérias complicações à vida do paciente, vejamos quais são: 

  • Baixa autoestima; 
  • Pensamentos negativos em demasia; 
  • Baixo desempenho escolar ou no trabalho; 
  • Dificuldade em manter relações sociais; 
  • Isolamento; 
  • Dificuldade em lidar com críticas; 
  • Transtorno de ansiedade; 
  • Tentativa de suicídio; 

Prevenção 

Não existem ainda formas de se prevenir a Fobia Social. Também não há como prever se uma pessoa irá desenvolver a doença ao longo dos anos. Todavia, é possível adotar alguns hábitos que podem diminuir drasticamente os sintomas, veja quais são eles: 

  •  Se perceber que está sofrendo de ansiedade, procure ajuda médica. Os efeitos podem ser minimizados se o paciente procurar ajuda rapidamente; 
  •  Escreva seus medos, preocupações ou anseios num diário. Isso pode ajudá-lo a manter o controle da sua vida pessoal e a também auxilia psicólogo ou psiquiatra a identificar o que pode estar causando o estresse e ansiedade. Há a possibilidade de fazê-lo se sentir melhor.  
  •  Evite consumir substâncias como: álcool, drogas, cafeína e nicotina. Essas substancias podem ter o poder de maximizar os sintomas de ansiedade fazendo com que o quadro clínico se agrave ainda mais.  

 Em suma, o tratamento para a Fobia Social costuma dar bons resultados, tanto pela Psicoterapia, quanto ao uso de remédios. O tratamento se mostra capaz de melhorar a vida dos pacientes os levando até à cura.  

Depoimento 

Julini Laureano, 21 anos, tem Fobia Social e dá o seu depoimento de como descobriu a doença ainda na infância.   

“Eu tenho fobia social desde criança. Sempre fui muito tímida. Lembro que na creche eu já me sentia mal. Tenho poucas lembranças disso porque era muito pequena, mas eu já sentia um certo desconforto no meio das outras crianças. Lembro quando mudei para Sorocaba e comecei a ir num parque, eu ia de van. Lembro que na van as crianças riam muito de mim, perguntavam se eu tinha algum problema mental, por que você não fala. E eu não falava mesmo, tinha pavor de gente, de ser pagar mico na frente das pessoas, fazer alguma coisa de errado pra alguém rir de mim. Eu era uma criança muito quieta, não tinha amigos na sala de aula e não conversava com as outras crianças, tinha medo delas. Era como se elas fossem monstros que iriam me destruir. 

Eu já sentia todos aqueles sintomas de Fobia Social, não pedia para ir ao banheiro, fazia xixi nas calças, as crianças perguntavam por que a minha calça estava molhada eu respondia que tinha caído suco. Eu suava muito, tinha tontura, desconforto abdominal, visão turva. É muito difícil para um criança entender isso e sofri muito sem saber o que era. A infância foi muito difícil. 

Adolescência

A Adolescência também foi muito difícil, colocavam apelidos em mim. A muda, que não fala. Na escola eu não conseguia ir até à mesa do professor levar meu caderno pra ele vistar e dar nota na matéria, então eu ficava com as médias super baixas. Dava vontade de cavar um buraco e se enfiar dentro. Eu achava que isso era uma coisa minha e que tinha jeito de resolver. 

Um dia o diretor da escola chamou a minha mãe e disse: a sua filha não fala, ela não responde a chamada, tem medo das pessoas, não participa de nenhuma atividade em grupo e não fala direito com os colegas. Você precisa colocar ela num teatro ou em alguma atividade que ela possa se soltar mais.

Então, minha mãe me colocou no teatro, consegui fazer algumas apresentações.  Mas, isso não adiantou nada. Porque a Fobia Social não se resolve com isso, ela se resolve com Terapia. O teatro ajudou um pouco.  No entanto, eu não tive um bom desempenho por causa da Fobia Social. 

É preciso assumir que se tem a doença para então trata-la. 

A terapia e os medicamentos tem me ajudado a superar. Quero poder ajudar de alguma forma as pessoas que sofrem com essa doença contando um pouco da minha história e dizer que é possível sim obter bons resultados com a terapia e os medicamentos.  

Deivison Brito, escritor, estudante de Jornalismo e admirador das questões psicológicas e comportamentais.

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