Como lidar com o luto pela perda do pai

Um voo nas alturas: o luto pela perda de um pai

Um voo nas alturas: o luto pela perda de um pai
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O luto pela perda de um pai. Foram muitas as tardes em que as brincadeiras se davam sob o olhar atento de mamãe diante das peripécias do meu pai. Como eu era grande ao lado dele. Voava alto, muito alto com suas mãos investidas contra mim com destino ao céu. Não via limite e percebia que quanto maior minha gargalhada, mais entusiasmado papai ficava.

Foram muitas as experiências ao seu lado, sempre cheias de emoção e desafios. Casinhas de boneca construídas ao lado dele, o equilíbrio na bicicleta e uma engenhosa árvore genealógica com tantas e tantas origens que tive acesso ao mar de memórias de meu pai. E de repente ele se foi. Junto, um pouco da minha raiz, da minha história. A casa ficou triste. Mamãe embotada. Não tinha mais vitalidade em seu olhar. Me preocupava com as contas, a casa, a escola, a comida e um medo enorme de que mamãe adoecesse de tanta tristeza. O frio na barriga do voo nas alturas estava ali, mas agora sem a segurança do amparo. Estava de luto.

São inúmeras as perdas para uma família com a morte de um genitor. Com o luto há um rearranjo na dinâmica familiar. Novos papeis, novas responsabilidades e um mix intenso de emoções e sentimentos. A acolhida por familiares e amigos é essencial neste momento, mas nem sempre isso é possível.

Como lidar com o luto pela morte de um pai

Quando falamos da morte de um pai, entende-se que a mãe e os avós também estão vivendo seu processo de luto. A disponibilidade emocional para cuidar e ouvir fica reduzida ou até mesmo nula.  Sem espaço dentro do ambiente familiar para falar sobre o luto e receber acolhida, procurar um psicólogo é essencial. O ambiente terapêutico possibilitará a elaboração da perda, estratégias de enfrentamento e acolhimento.

O processo do luto pode ser longo e não tem tempo certo ou errado. Tem o seu tempo. É um processo de construção de significados. De se perceber sem a presença da pessoa morta e se reorganizar. Não é um processo de abandono ou esquecimento. A dor da perda e a saudade são para sempre. O que muda é a intensidade da dor e suas características.

Os rituais são extremamente importantes. Principalmente nas datas comemorativas, mas é preciso fazer sentido para quem ficou. Podem ser religiosos, uma visita às lembranças por meio de fotografias ou até mesmo o simples preparo de um almoço com o prato favorito do seu pai. Isso trará uma conexão emocional e a certeza de que o amor e as lembranças continuam vivas dentro de si. 

Priscila Morozetti, psicóloga e parceira da Vittude, é especializada em situações de trauma. Marque sua consulta!

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