Paranóia ou precaução. Estamos medrosos demais?

Paranoia ou precaução? Estamos medrosos demais?

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Diariamente recebemos notícias que nos levam ao medo, ansiedade e preocupação. Exemplos disso são as recentes quedas de aviões, golpes políticos seguidos de violência nas ruas e ataques terroristas na Europa e nos EUA. Isso sem contar as notícias sobre possíveis bombardeios durante as Olimpíadas do Rio 2016. Será que esse medo é paranoia ou precaução? 

Os pensamentos que vem à cabeça são vários. “Nossa, o mundo está muito perigoso!”. “Se eu for pra lá, vou me colocar em risco”. “Será que isso pode acontecer onde eu moro?”. “O que posso fazer pra proteger a mim e minha família?” Diante dessa cascata de pensamentos e emoções, algumas pessoas tendem a desistir de viajar ou de ir a lugares externos. Você já fez isso alguma vez na vida? Conhece alguém que fez?

Traçar a linha entre medos normais, ansiedade e paranóia pode ser difícil. Isso é especialmente verdade quando os medos, aparentemente paranóicos de uma pessoa, se tornam verdadeiros. Saber onde traçar essa linha e como decidir se um medo é razoável ou não, pode ajudar as pessoas a procurar cuidados psicológicos adequados.

O QUE É PARANÓIA?

A paranóia é uma ansiedade persistente sobre um medo específico. Ansiedades paranóicas geralmente se concentram em perseguição, sendo vigiadas ou tratadas injustamente. O ponto chave que define uma paranóia é que ela é enraizada em uma crença falsa. Pessoas com pensamentos paranóicos também podem ter crenças falsas sobre seu próprio poder ou importância. Em alguns casos, a exposição a traumas ou estresse severo pode tornar as pessoas mais propensas a desenvolver uma paranóia.

As pessoas que experimentam pensamentos paranóicos costumam estar determinados a fazer com que outras pessoas aceitem suas crenças como verdadeiras. Eles podem fazer escolhas incomuns, projetadas para se protegerem das fontes de ansiedade.

Momentos fugazes de paranóia são comuns e não significam necessariamente que uma pessoa tenha uma condição de saúde mental. A paranóia também é distinta da ansiedade:

  • A paranóia está focada em uma fonte específica de ansiedade;
  • As pessoas que experimentam paranóia geralmente têm crenças falsas sobre si mesmas, o mundo ou as pessoas que conhecem;
  • Uma pessoa com pensamentos paranóicos pode ter problemas perceptivos. 

Será paranoia ou precaução?

Todo esse comportamento tem um motivo: evitar que a possível catástrofe ocorra. Tal fenômeno pode ser explicado pela Psicologia Cognitiva como uma Heurística de Disponibilidade. Ele acontece quando baseamos nossas previsões, decisões ou a frequência de alguma atitude em informações que estão mais acessíveis ou fáceis em nossa memória. Neste caso, a evitação parte de uma previsão catastrófica com base na frequência com que os meios de comunicação noticiaram o perigo ou acontecimentos negativos. Repare só: toda vez que as pessoas dizem que um determinado bairro está perigoso, começamos a prestar atenção em todos os detalhes do bairro que podem “comprovar” o nosso receio e medo. 

Esse mesmo “alarme” ressoou nos aeroportos e nas equipes de polícia do Rio de Janeiro que, após todas essas notícias, redobraram seus esforços para segurança a fim de proteger a população, tornando-se ainda mais rígidos em relação à visita ou estadia de pessoas no Brasil. Esse pânico geral na segurança pública geraram aumento dos comportamentos de segurança e evitação e nos levam à ideia de que estamos mais seguros. Mas você realmente se sente mais seguro, aliviado e calmo quando observa todos os detalhes de um ambiente? As pessoas tendem a dizer que não!

Esse excesso de busca por segurança e evitação torna-se um grande ciclo vicioso que se alimenta dele mesmo. Isso leva ao aumento dos pensamentos catastróficos e emoções. Busca-se mais e mais por segurança, causando evitação. Neste ciclo, as decisões são cada vez menos baseadas em uma avaliação racional da situação, mas sim nas emoções e pensamentos disfuncionais.

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A que ponto o medo nos leva?

Com tanto medo de que algo ruim possa acontecer, mesmo que a probabilidade seja mínima, perdemos a chance de viver uma vida de forma plena e agradável. Claro que nós não devemos sair andando como se fossemos imortais! Acontece que toda essa proteção nos deixa com o radar do perigo muito mais ativo. Assim, nos sentimos muito mais tensos e preocupados. Paranoia ou precaução?

Vale mencionar um estudo realizado por um psicólogo chamado Steven Pinker, que estuda a agressividade e violência no planeta. Ele realizou análises sobre esse tema e observou uma diminuição da violência e agressividade entre os humanos. Ainda por cima, contatou aumento da ideia de colaboração, compartilhamento e paz. Segundo Pinker, até mesmo os crimes cometidos hoje são menos “terríveis” e “cruéis” do que no passado. Claro que, baseado no que estamos vendo em nossos meios de comunicação, temos sempre a sensação contrária. Parece que o perigo tem uma equipe de publicidade melhor, não é?

O fato é que, na maioria das vezes, adiar ou cancelar não nos livra de algo ruim que possa acontecer e ainda faz com que deixemos de experienciar a alegria de uma viagem ou passeio, algo muito mais provável de acontecer. Sem perceber, aumentamos a dimensão do perigo e começamos a ter outros comportamentos de segurança que nos geram mais e mais sofrimentos.

Será que estou exagerando? Paranoia ou precaução?

Como tomar uma decisão nessas situações? Uma dica é pensar na probabilidade de algo ruim realmente acontecer e fazer um “balanço” sobre as vantagens e desvantagens de cada hipótese. Depois, pensar quais recursos estão disponíveis para resolver um possível problema (por exemplo: comprar um seguro-viagem antecipadamente). Aí, resta pesar o que de melhor pode estar por vir.

Caso perceba que o medo e a evitação estão atrapalhando sua vida, consulte um(a) psicólogo(a)!

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Artigo revisado em 16/10/2019

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

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Artigo publicado em Transtornos de Ansiedade

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Carlos Sherman

Interessante, um tanto quanto superficial, endwreça o conhecimento disponível sovre o tema, mas seixa de abordar um dos aspectos cruciais: a diversidade genética e portanto compprtamental em relação à sensibilidade e resposta ao medo. Reagimos ao medo de forma diversa, e hoje todos posem panfletar este medo e conclamar a identidade em relação à ele em projeção global…