psicologia analítica

Psicologia Analítica: conheça a abordagem de Jung

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

Psicologia analítica é o termo designado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) para o seu método de interpretação da psique humana.

Para se diferenciar da metodologia da psicanálise de Sigmund Freud (1856-1939), Jung atribuiu este nome à sua abordagem. 

O que é psicologia analítica de Jung?

Jung explorou o consciente e o inconsciente como um todo. Ele dava grande importância para as experiências simbólicas vividas por todas as pessoas e não apenas focava na história individual de cada um. 

Dessa forma, é possível olhar para a humanidade por meio das mais variadas lentes, como religiosa, artística, intelectual, entre outras.

Ele reconheceu que as pessoas são influenciadas por fatores inconscientes que estão além de seu controle. Estes formam o inconsciente coletivo.

Há também o inconsciente pessoal, o qual contém todas as primeiras experiências vividas pelo indivíduo. Os eventos da primeira infância, em particular, causam grande impacto na psique humana. 

Um conceito bastante utilizado por Jung é o arquétipo. Este refere-se às experiências que se moldam dentro de certos padrões reconhecidos pelas sociedades do mundo através dos séculos, formando uma espécie de conhecimento universal sobre determinados fenômenos. 

Por exemplo, embora culturas diferentes tenham visões únicas sobre a figura da mãe, a ideia de maternidade envolve certas características, como cuidado, disciplina, responsabilidade, amor incondicional e trabalho duro. 

Mesmo que nem todas as mulheres venham a ser mães algum dia, o conceito de mãe reside na mente de todos nós, sendo transmitido através de mensagens tanto da sociedade em geral quanto de instituições específicas – escola, igreja, núcleo familiar. 

Assim, criam-se arquétipos que se alojam no conhecimento coletivo da humanidade. Esses arquétipos interferem em nossa personalidade, pois, dependendo de nossa situação, ditam nosso comportamento e crenças. Eles também mexem com as nossas emoções, pois temos certas expectativas em relação aos arquétipos.

Este é apenas um dos conceitos da psicologia analítica criados por Jung. O psiquiatra deixou contribuições grandiosas para auxiliar as pessoas no processo de autoconhecimento.

Conceitos da psicologia analítica de Jung

Inconsciente Coletivo

Armazenado em uma parte secreta de nossa mente, o inconsciente coletivo é formado por um conjunto de aspectos individuais e coletivos. Ele molda as nossas opiniões em relação ao mundo, mesmo de acontecimentos os quais sabemos pouco. Para exemplificar, pense na queda das Torres Gêmeas em 2001. 

Alguns podem se lembrar do acontecimento televisionado enquanto outros provavelmente aprenderam sobre o ocorrido na escola. De qualquer forma, associamos este evento histórico ao terrorismo. A reputação das pessoas de países árabes ficou manchada após a queda, ocasionando conflitos raciais nos Estados Unidos e em outras partes do globo. Até hoje pessoas dessa etnia são prontamente associadas a terroristas. 

Logo que pensamos nas Torre Gêmeas, uma dezena de imagens e informações vem à nossa mente, mesmo que nunca tenhamos estudado a fundo sobre o assunto. São fatos que conhecemos superficialmente, mas que estão lá, em algum lugar, alojados em nossa mente. 

Na visão de Jung, o inconsciente é representado por padrões os quais são representados por arquétipos. Estes influenciam as nossas emoções, pensamentos, comportamentos e opiniões sutilmente, de forma que não nos damos conta. 

Animus e Anima

Dois conceitos populares da psicologia analítica são os arquétipos Animus e Anima. Normalmente, ficam reprimidos no inconsciente das pessoas.

O primeiro é referente à energia masculina existente na mulher. É o conceito de yang. Também está associado à figura paterna e com a racionalidade. Já o Anima é a energia feminina que existe no homem. O yin. Está relacionado com a figura materna e a sensibilidade. 

Há quatro estágios de desenvolvimento para ambos. No animus, eles correspondem a: 1) uso da agilidade e força física 2) iniciativa e proatividade 3) expressão de ideias com competência e propriedade 4) verdade espiritual. De acordo com Jung, a mulher, quando age de acordo com o animus interior, consegue exteriorizar essas características.

No anima, eles são: 1) simbolizado por Eva, está ligado ao relacionamento sexual e biológico 2) mulher como musa inspiradora 3) maternidade e devoção espiritual 4) sabedoria. Quando homem abraça o seu lado feminino, ele encontra o equilíbrio interior. 

Esses arquétipos internos também influenciam na maneira como os homens e mulheres se relacionam romanticamente. Eles procuram um parceiro que tenha acentuado o fator que está mais escasso dentro si.  

Sombra

Sombras são elementos que não foram integrados na personalidade da pessoa, mas residem em seu inconsciente. Eles vivem na sombra porque seus atributos são negados por serem considerados inaceitáveis ou são desconhecidos pelo indivíduo.

Os nossos defeitos são o exemplo disso. Um cenário bastante comum é quando sabemos, lá no fundo, que possuímos um defeito que atrapalha a nossa vida. Em vez de aceitá-lo para sermos capazes de mudá-lo, o empurramos para a sombra por vergonha ou medo. Ele fica escondido lá, à espreita, apesar de termos consciência de sua existência. 

Para Jung, esses elementos sombrios também podem ser qualidades adormecidas ou pouco utilizadas. 

Embora essa definição possa soar negativa, o psiquiatra acreditava que todos os aspectos que compõem a nossa personalidade, sejam defeitos ou qualidades, são indispensáveis. Quando estão em perfeita harmonia, somos capazes de usar todo o nosso potencial. 

Sonhos

Bem como Sigmund Freud, Jung também valorizou os significados dos sonhos na psicologia analítica. Ao decifrar o seu significado, é possível compreender o que está escondido na psique. Eles mostram a verdade nua e crua, pois não estão sendo controlados pelo consciente. 

A única diferença entre sua visão e da Freud é que Jung não via os sonhos como desejos proibidos das pessoas, mas, sim, como uma forma de deixar transparecer a verdade interior. Porém, é necessário decodificar os símbolos através dos quais eles se manifestam para entendê-los por completo.   

Essa necessidade torna a compreensão dos sonhos mais difícil já que os símbolos estão abertos à interpretação. 

Tipos psicológicos

Segundo Jung, os traços de personalidade resultam da forma como utilizamos as nossas capacidades mentais. 

A extroversão e a introversão são, respectivamente, o mundo externo e interno, nos quais os indivíduos transitam. Cada um escolhe qual mundo irá dedicar mais energia e tempo. 

O introvertido prefere momentos de reflexão e calmaria, refletindo sobre seus pensamentos e sentimentos enquanto o extrovertido gosta de estar rodeado de pessoas. Jung foi o primeiro a fazer essa definição, que se popularizou em outras áreas do estudo da psique humana e incentivou mais pesquisas.  

Máscaras

A persona, outro arquétipo, é quem apresentamos ao mundo. É um personagem que assumimos diante da sociedade e quem é julgado pelos outros. Nossas roupas, modos de expressão, comportamentos e papel social são determinados pela persona. Comumente usamos máscaras em situações sociais para nos sentirmos incluídos, respeitados e amados.

A persona pode ser crucial para o desenvolvimento de um indivíduo, ajudando-a a passar por desafios ao assumir um personagem mais confiante momentaneamente. Quando a pessoa se identifica com a persona, porém, ela passa a viver em uma ilusão.

Para ser capaz de se redescobrir, é preciso derrubar esse personagem ilusório e encontrar os traços de personalidade verdadeiros. 

Segundo Jung, este problema tende a ser mais evidente em pessoas que enfrentam exclusão social e preconceito, pois elas assumem papéis para suportar a realidade e procurar um espaço no ambiente hostil. 

Como a terapia da psicologia analítica funciona?

O paciente e o terapeuta trabalham em conjunto para reencontrar o caminho para a essência do paciente. O profissional procura compreender as queixas e situações descritas simbolicamente. Ele analisa o significado além do óbvio para encontrar as emoções atreladas a essas situações

Da mesma forma, o paciente começa a entender o seu lugar no mundo através do autoconhecimento. 

A terapia junguiana não é rígida, ou seja, ela não possui um caminho concreto. O tratamento é realizado de acordo com o surgimento de novas necessidades do paciente. Ele não é linear, sendo que assuntos abordados em sessões anteriores podem ser retomados a qualquer momento para análise sob um ângulo diferente. 

A psicologia analítica defende que cada paciente possui uma fórmula única, a qual deve ser incorporada no tratamento assim que o terapeuta perceber os caminhos com mais chances de sucesso. O paciente também vai mudando a forma como administra seus próprios problemas e comportamentos

>>> Leia também: Quando procurar um Psicólogo? Qual o momento certo?

Quando procurar a psicologia analítica?

A terapia junguiana é indicada para qualquer pessoa. Se você está notando que o seu bem-estar está sendo prejudicado de alguma forma (através de emoções ou pensamentos negativos ou situações estressantes), e deseja transformar a sua realidade, a abordagem de Jung pode ser uma grande ajuda.  

Além disso, se você estiver à procura de autoconhecer-se para levar uma vida mais tranquila em todas as esferas (pessoal, familiar, social, profissional), a terapia também pode auxiliá-lo.  

Como a psicologia analítica possui grande foco na personalidade e todos os seus fatores, é uma ótima abordagem para identificar defeitos, qualidades e possíveis bloqueios inconscientes que estejam impedindo você de conquistar o que deseja. 

A análise dos fatores externos que influenciam o “eu” ajuda a eliminar crenças falsas para encontrar a verdadeira essência do paciente, combatendo possíveis ilusões. 

Gostou do post? Então assine nossa newsletter para receber, em sua caixa de emails, notificações de nossos conteúdos e novidades! 


Você também pode gostar:

Gestalt: conceito, princípios e exercícios usados na terapia

Psicanálise – tudo sobre o método de Freud para lidar com a mente

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.