Quando se deve procurar um psicopedagogo

Quando se deve procurar um psicopedagogo?

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

O psicopedagogo é procurado para sanar dificuldades relacionadas à aprendizagem. Por estarem em idade escolar, crianças são os pacientes mais comuns desse profissional. Mais e mais pais preocupados levam os seus filhos às consultas para sanar ou prevenir interferências prejudiciais no processo de aprendizagem.

Com as mudanças constantes na maneira de ensinar, incluindo cada vez mais aplicativos e ferramentas tecnológicas, alunos podem ter dificuldade para assimilar o conteúdo. 

Além disso, aspectos intrínsecos da sociedade atual, como o estresse, os estímulos incansáveis das redes sociais e o excesso de cobrança, também acabam interferindo na absorção de informação. 

Para pontuar com precisão a influência desses e outros elementos na capacidade de aprender dos estudantes, sejam crianças, adolescentes ou adultos, é necessário fazer uma avaliação psicopedagógica com este profissional da saúde mental. 

Quando procurar um psicopedagogo?

O psicopedagogo é o profissional da psicopedagogia, área do conhecimento que une a psicologia e a pedagogia. O foco desse profissional é desvendar o processo de aprendizagem humana para corrigir déficits e dificuldades de reter informação. 

Esse processo é influenciado por uma diversidade de fatores: ambientais, cognitivos, emocionais e afetivos – uma mistura de elementos internos e externos. Quaisquer interferências podem perturbar a maneira como as pessoas retém conhecimento. 

Quando sinais de interferência na aprendizagem forem notados, já é possível buscar um psicopedagogo.

Embora esses profissionais estejam associados predominantemente às crianças e adolescentes, adultos também podem precisar de avaliação psicopedagógica. Quando os problemas para aprender não são notados e/ou tratados na infância, eles tendem a se alastrar para a adolescência e, consequentemente, a vida adulta. 

O indivíduo pode acreditar que possui uma inaptidão inerente para os estudos ou para realizar determinadas atividades cotidianas. Geralmente, esses adultos são inseguros, submissos e com baixa autoestima. Ao contrário do que pensam, a sua dificuldade para aprender pode ser corrigida ou minimizada com o atendimento psicopedagógico. 

Já quando se trata de crianças, a situação é um pouco diferente. 

Os pequenos não conseguem identificar ou compreender com exatidão o objeto de seu descontentamento. Por isso, não expressam como se sentem aos pais e/ou cuidadores através de palavras. Anormalidades em seu comportamento tendem a se refletir em seu desempenho escolar, hábitos incomuns e condutas atípicas. 

Encontrar um psicopedagogo é ainda mais importante nesse cenário. O profissional vai investigar o porquê das dificuldades da criança, bem como identificar o melhor método de aprendizagem para o seu perfil. 

Sinais de dificuldades de aprendizagem 

Crianças e adolescentes se frustram com a sua inabilidade de aprender e desempenhar satisfatoriamente na escola. Eles naturalmente se comparam aos colegas, alimentando a própria frustração. Com o tempo, podem ficar deprimidos, ansiosos ou irritadiços. Afinal, por que os outros conseguem e eles não?  

A dificuldade de aprendizagem não impacta somente a capacidade de um indivíduo de aprender, absorver conhecimento, pensar logicamente e executar tarefas. 

Ela também interfere em sua autopercepção e autoconfiança. Os fatores emocionais quase sempre estão ligados aos cognitivos. Se o indivíduo se sente incapaz ou inferior aos outros, é provável que deixe de se esforçar e desenvolva condutas que reforçam essa crença, como preguiça ou procrastinação. 

Quando se deve procurar um psicopedagogo

Ser capaz de identificar sinais de dificuldades de aprendizagem em todas as faixas etárias é necessário para dar início a um tratamento adequado. Vale ressaltar que o acompanhamento psicopedagógico é mais efetivo quando realizado na infância. Entretanto, nada impede que ele seja feito em outras fases da vida. 

Sinais comuns de dificuldade com o aprender são:

  • dificuldade para pronunciar palavras;
  • lentidão para adquirir vocabulário;
  • desinteresse;
  • dificuldade para seguir uma rotina e compreender instruções;
  • hiperatividade;
  • inversão de letras, sílabas ou palavras;
  • caligrafia ilegível;
  • lapsos de memória;
  • dificuldade de entregar trabalhos na hora;
  • falta de motivação para estudar ou ir à escola;
  • confusão com o som das palavras ou sílabas;
  • isolamento; 
  • leitura e escrita muito lenta para a idade;
  • falta de organização e de concentração na sala de aula;
  • comportamento agressivo com outras crianças; e
  • distração.

A recorrência desses impasses indica a necessidade de investigação da capacidade de aprendizagem da criança, adolescente ou adulto. 

Para melhorar a relação com os estudos, a terapia psicopedagógica é o tratamento mais recomendado. Ela pode auxiliar o paciente a aprender mais facilmente, bem como a tratar questões emocionais que pesam na hora de estudar.

Como é o tratamento psicopedagógico?

Durante a primeira consulta, o psicopedagogo procura compreender os elementos que desfavorecem o processo de aprendizagem do paciente. Além de estudar a sua relação com o aprender, analisa também a influência de fatores ambientais, emocionais e afetivos. 

Por exemplo, uma criança rotulada como preguiçosa ou inquieta pode receber repreensões injustas por seu insucesso escolar. 

Os pais podem colocá-la de castigo ou se queixarem de seu comportamento sem saber que não se trata de um problema de conduta, mas, sim, de um distúrbio de aprendizagem. O tratamento negativo dos pais pode danificar a autoestima da criança de maneira drástica e reforçar a crença de que ela, de fato, é péssima com os estudos. 

Para chegar a essa conclusão, o psicopedagogo ouve as preocupações tanto dos familiares quanto dos docentes. Informações de outros profissionais que atenderam a criança, como fonoaudiólogos, pediatras e psiquiatras, são igualmente importantes para ajudar no diagnóstico. 

Em seguida, o profissional conversa com o paciente individualmente para observar o seu comportamento e estimulá-lo a citar as suas dificuldades. No caso das crianças, esse diálogo requer o uso de técnicas de ludoterapia

Depois, o psicopedagogo preenche um questionário completo sobre a situação do paciente com base na escuta. Ele é essencial para dar início ao acompanhamento psicopedagógico porque permite a elaboração de hipóteses sobre a causa da dificuldade de aprendizagem. 

As consultas com esse profissional podem ser feitas online ou presencialmente em um consultório. As diferenças entre ambas as modalidades, contudo, são poucas. Elas estão mais ligadas à preferência pessoal que a eficácia do tratamento já que se pode obter o mesmo resultado das duas maneiras. 

Consultas posteriores

Os pais ou cuidadores, bem como a escola, são envolvidos ao longo do acompanhamento. O profissional, então, conversa diretamente com a coordenação da escola e observa o modo de agir do paciente em sala de aula. 

Esse trabalho é importante, pois muitas crianças possuem condutas diferentes na escola. Elas podem ser hiperativas, agressivas ou demasiadamente quietas. 

Quando se deve procurar um psicopedagogo

Os familiares também são convidados a participar do acompanhamento com frequência. Portanto, antes de dar início ao mesmo, precisam estar cientes da necessidade de dedicar o seu tempo a ele. As consultas com os pais são feitas individualmente para que possam ficar à vontade para se expressarem. 

O profissional pode pedir para conversar somente com um pai de cada vez tanto no caso de casais juntos quanto de casais separados. Assim, fazer as consultas à distância pode ser cômodo para não interferir na rotina. 

Após um determinado período, o psicopedagogo junta todos os dados coletados e estabelece um diagnóstico. Ele faz a devolutiva para os pais, onde os informará sobre os caminhos a serem seguidos para ajudar a criança.  

O próximo passo é a realização de atividades para estimular as funções cognitivas do paciente. Do mesmo modo, as questões afetiva e social atreladas à dificuldade de aprender são trabalhadas. As crianças recebem um tratamento lúdico através de brinquedos, desenhos ou pinturas, jogos, brincadeiras, jogos, entre outros.  

O processo de avaliação e de encaminhamento para obter possíveis soluções é feito da mesma forma com pacientes adolescentes e adultos. 

O que esperar do atendimento?

O psicopedagogo visa melhorar a relação entre o paciente e o aprender, ajudando-o a retomar o gosto pela aprendizagem. Algumas ações adotadas pelo profissional ao longo do atendimento são: 

  • organização da vida escolar de crianças e de adolescentes para que possam utilizar melhor o seu tempo de estudo;
  • elaboração de um planejamento de estudos e ajuda para fazer anotações mais fáceis de compreender;
  • determinação dos materiais escolares necessários para facilitar os momentos de estudo;
  • identificação das disciplinas escolares consideradas mais complicadas —quais elementos são considerados de difícil compreensão e causam apreensão no paciente?;
  • definição de métodos para melhorar o aprendizado dessas disciplinas; 
  • avaliação dos sentimentos e crenças em relação à escola, aos familiares e a si mesmo;
  • reconhecimento do estilo de aprendizagem do paciente e orientação para atividades escolares ou acadêmicas futuras; 
  • valorização das qualidades e das habilidades;
  • recuperação da autonomia e da autoconfiança, especialmente em relação ao ato de aprender; e 
  • desenvolvimento do raciocínio lógico através de jogos e desafios lúdicos. 

Além do meio escolar, o relacionamento com os pais e demais parentes também é avaliado para determinar uma possível causa da dificuldade de aprender.

Quando o ambiente familiar não é favorável ao aprendizado (conflitos, estresse, rigidez), a criança naturalmente apresenta dificuldades na escola e em outros contextos sociais. Sendo assim, o profissional conversará com os pais para fazer modificações no ambiente familiar. 

A Vittude conta com uma diversidade de psicopedagogos competentes, que estão prontos para atender os seus filhos ou você mesmo. 

A intervenção psicopedagógica e a terapia online são tão eficientes quanto a presencial, portanto, não é necessário preocupação em relação à terapia feita no ambiente virtual!

Para mais artigos como este, acompanhe o blog da Vittude

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta