Sexo anal

Sexo anal: descubra tudo sobre este prazer sem tabus

  |  Tempo de leitura: 12 minutos

O sexo anal ainda é associado com diversos mitos e opiniões contrapostas. Além de ser visto como um tabu, a desinformação pode fazer esta prática sexual parecer inviável ou até mesmo intimidadora. É dolorido? Quais são os riscos? É mesmo possível haver prazer para ambos? Onde sanar as dúvidas?

É justamente a escassez de discussões sobre o tema que causa o desconforto durante a relação e prejudica a saúde, pois nem sempre os casais consideram a saúde sexual quando pensam em apimentar a relação com práticas “incomuns”.

Por conta dessas questões mal resolvidas, a Vittude dedicou este artigo para esclarecer todas as dúvidas sobre sexo anal.

O que é sexo anal?

Embora seja visto como inapropriado por uma parcela da sociedade, ele sempre esteve presente nas relações sexuais e amorosas. Ao longo da história da humanidade, homens e mulheres se aventuraram nesta prática, que era vista ou como método contraceptivo ou como parte da natureza humana.  

O sexo anal consiste na inserção do pênis no canal do reto, parte interna do ânus. O músculo esfíncter externo é o responsável por mantê-lo fechado enquanto o esfíncter interno, bem como o nome indica, circunda a área interna do canal.

O segundo músculo é controlado pelo sistema nervoso central, portanto, é involuntário. Quando se está relaxado, o esfíncter interno também está. Em contrapartida, em resposta ao nervosismo o músculo fica tenso e se contrai.

Por isso, ter segurança no parceiro para que o corpo relaxe é indiscutivelmente importante. Como o sexo anal é um território desconhecido para muitos, contudo, a ansiedade costuma tomar conta. Se esse é um problema especialmente sensível para você, é importante sempre manter o diálogo com seu parceiro.

Vencendo a ansiedade

Consulte abaixo as dúvidas mais comuns dos casais em relação ao prazer anal!

Por que os homens têm tanto fascínio por ele?

O sexo anal pode ser uma fantasia sexual para homens assim como para mulheres. A excitação é maior devido à oportunidade de “transgredir regras”. Não é à toa que histórias de amores proibidos são extremamente populares!

Ainda assim, os homens parecem ter uma fascinação maior. Não raro mulheres afirmam que passaram a considerar a prática somente após sugestão do parceiro. O desejo e a curiosidade masculina são motivados pela proposta de novidade. Como o sexo vaginal é o mais comum, os homens enxergam o sexo anal como uma aventura.

Além disso, a mulher que deseja sair da rotina por meio da prática demonstra ter muita confiança no parceiro, já que o prazer anal é comumente visto com reserva. Esta segurança também é motivo de êxtase para o homem.

Por fim, é uma maneira de o casal dizer que gosta de todas as partes do corpo um do outro. De fato, uma noite de sexo anal pode se transformar em uma noite extremamente intimista para o casal (além de muito sexy!).

O desejo masculino pode ter origens diversas, mas, geralmente, tem a ver com a possibilidade de desfrutar um prazer desconhecido com a parceira.

Homens e mulheres sentem prazer igualmente?

Os homens sentem prazer de forma semelhante a do sexo vaginal. As mulheres, pelo contrário, o sentem de múltiplas maneiras: atrito entre os corpos, pressão feita na vagina e desejo de quebrar um tabu. Algumas mulheres, porém, somente sentem prazer quando o clitóris é estimulado ao mesmo tempo.

O ânus pode alargar?

Não.

Em casos de penetração agressiva ou despreparada, bem como o uso inadequado de brinquedos sexuais, no entanto, o canal do reto pode sofrer lesões. Estas, por sua vez, podem se agravar e causarem infecções. O casal deve manter a comunicação em dia para sempre agir com cautela.

É sujo?

Apesar de muitas mulheres terem receio de evacuar durante o sexo, este medo não precisa atrapalhar o desejo sexual. Pode acontecer nas primeiras vezes, quando a mulher é incapaz de relaxar ou em relações muito intensas.

Entretanto, o casal deve se lembrar de que é uma reação normal do corpo humano. O canal do reto é extremamente delicado, portanto, as primeiras tentativas de sexo anal também devem conter delicadeza.

Outra dúvida em relação à higiene é a evacuação involuntária após o sexo. Este problema resulta de atos violentos e inconsequentes ou patologias não diagnosticadas. Contudo, é importante deixar claro que se o casal tomar o devido cuidado durante o ato sexual, não é preciso se preocupar.

E falando em patologias, aproveite para conferir o nosso material sobre os diversos transtornos emocionais. 😉

Tabela Transtornos Mentais

É dolorido?

Costumeiramente, as primeiras vezes podem apresentar um pouco de dor. Ainda que os músculos do ânus sejam capazes de estender, não são tão maleáveis quanto os do canal vaginal.

Porém, também é possível nunca sentir desconforto no sexo anal, como apontam algumas mulheres. A sensibilidade do corpo à dor varia de pessoa para pessoa. A dor aguda ou recorrente, no entanto, não são comuns. Neste caso, um médico deve ser consultado.

Sexo anal sem dor: é possível?

Como este tema é abrangente, merece uma parte própria. Afinal, tem como deixar o sexo anal menos dolorido?

A resposta é sim.

A penetração da cabeça do pênis costuma ser a principal causadora de dor, especialmente na primeira vez, quando o corpo não está acostumado.

Para evitar esse cenário desagradável, o casal pode usar um lubrificante. Diferente da vagina, o ânus é incapaz de se autolubrificar. Existem diversos produtos que tornam o sexo mais confortável. De preferência, procure por um lubrificante à base de água.

Bem como o lubrificante, a preparação é indispensável. Casais inexperientes costumam encontrar desafios nesta questão. Tentativas apressadas de penetração causam dor e podem ocasionar sangramento.

Para “treinar” o corpo, o casal pode fazer uso de dedos ou brinquedos sexuais específicos. Ademais, paciência e cautela são essenciais. O parceiro não deve pressionar a outra pessoa a continuar se ela não quiser. Caso contrário, uma experiência intimista e prazerosa pode se transformar em uma lembrança traumática.

Sexo anal seguro: quais precauções tomar?

Muitos casais veem o sexo anal como um método contraceptivo. Mas a gravidez não deve ser a única preocupação de casais heterossexuais. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) devem ser evitadas com o uso da camisinha.

Preservativo no sexo anal
O uso do preservativo é fundamental para evitar a transmissão de possíveis DSTs

A mucosa anal é capaz de absorver vírus, incluindo o do HIV, muito facilmente. Lesões causadas pela ausência de preparação adequada, ainda que pequenas, são portas de contaminação.

Confira abaixo formas de ter relações de forma segura:

  • A higiene deve ser feita antes do sexo. Um banho simples é o suficiente para deixar o corpo limpo para o ato sexual.
  • Não faça sexo vaginal ou oral após o sexo anal. Alguns homens enxergam esta ‘mistura’ como fetiche, mas ela jamais deve ser feita. O pênis carrega bactérias das fezes para outros locais. Logo, o órgão deve ser limpo ou a camisinha trocada por uma nova antes de uma nova penetração.  
  • O começo deve ser devagar. Movimentos bruscos podem ocasionar lesões, como já se sabe. Para preveni-las, o parceiro deve mover-se devagar até estabelecer um ritmo agradável para os dois.
  • O banho depois também é obrigatório. Pode dar preguiça, mas é para o bem do casal! Pule no banho com o seu parceiro após o sexo (dessa forma, vocês podem ter uma segunda rodada!).
  • O ambiente também deve ser limpo. As camisinhas usadas devem ser jogadas fora e os lençóis e toalhas separados para a lavagem depois.

Sexo anal: como decidir?

Agora que você já sabe como amenizar a dor e manter a saúde, está na hora de refletir sobre o seu próprio desejo sexual e partir para o diálogo.

Para as mulheres, a questão que costuma pesar é a pressão do parceiro. Mesmo que não tenham achado o sexo legal, continuam fazendo para agradar. Além de a relação sexual ser ruim, esta conduta permissiva é prejudicial para a saúde mental.

Ambos, homem e mulher, devem concordar em experimentar o sexo por vontade própria. Afinal, estar relaxado é imperativo para uma experiência gostosa. Se a primeira vez foi ruim, não é preciso tentar de novo logo em seguida. Com mais cautela e mais informação, o casal pode buscar uma nova experiência no futuro.  

Os homens também podem

Os homens também podem desejar uma experiência anal. Não há nada de “menos másculo” em demonstrar interesse ou curiosidade nela.

“O que vejo é que muitas vezes a questão da masculinidade impede a exploração corpórea total dos homens, ficando focados somente na estimulação da região pélvica, como se não pudessem sentir prazer em outras partes do corpo”, comentou um sexólogo da Vittude.

Esta concepção está equivocada!

Graças à próstata, glândula localizada abaixo da bexiga, na parte interna, os homens sentem prazer na região anal. Caso o parceiro demonstre interesse nesta atividade, o casal também deve engajar em uma conversa para decidir a forma mais segura e prazerosa de torná-la realidade.

Os cuidados para esta prática sexual são: lubrificante, preparação e uso de camisinha nos dedos ou luva de látex para proteger de bactérias.

Nas relações homossexuais

Entre casais homossexuais, existe uma questão sexual, semelhante ao tabu que persegue os casais héteros, que gera conflitos. Alguns homens gays associam a sensibilidade anal com feminilização e perda do lugar ‘de ativo da relação’. Consequentemente, não estão dispostos a tentar esta posição e julgam quem está.  

Este pensamento está enraizado na masculinidade tóxica e no machismo. Para superá-lo, o ideal é conversar com o parceiro sobre as expectativas relacionadas ao sexo.

O que dizem os sexólogos da Vittude sobre o sexo anal

Os nossos sexólogos têm alguns conselhos para os homens e mulheres que têm interesse no prazer anal.

Comunicação é o primeiro e principal ponto

Por receio do que a parceira vai pensar, muitos homens não conseguem levar o desejo pelo sexo anal para o casamento, afirma o psicólogo e sexólogo Giovane Oliveira.

“É comum ver casais que vão perdendo a intimidade justamente por não conversarem sobre a vida sexual e como está o prazer. A famigerada pergunta “foi bom pra você?” foi demonizada e taxada como errada e cafona, mas se não temos clareza do prazer do outro, como avançar?”.

Por vezes, não é fácil compreender sozinho que o prazer anal pode ser explorado entre o casal sem quaisquer indícios de perversão. Assim, se faz necessária a ajuda da psicoterapia.

Quebrar o tabu da prática sexual

Um passo importante é normalizar o assunto sobre obtenção de prazer na região anal. Essa é uma região erógena como qualquer outra, mas que exige cuidados e atenção quanto à higiene, especialmente, afirma Giovane.

Homens e mulheres têm sensibilidade na região anal por natureza. Na maioria das vezes, o que impede o casal de explorar essa parte do corpo são os próprios bloqueios morais e sociais.

Além disso, é importante lembrar que esta prática sexual não está associada somente com a penetração anal, mas também com massagens, toques e sexo oral.

Para avançar na questão

Antes de dar início às experimentações, o casal deve entender quais são os medos e as inseguranças um do outro para que possam trabalhá-las em conjunto.

“Uma tática é dividir o processo de exploração do prazer anal em etapas, começando com toques e carícias e seguir até onde o casal se sinta confortável. Depois de cada etapa, conversem novamente. Digam o que acharam, o que foi bom e o que pode ser melhorado.

Caso seja necessário, repitam essa mesma etapa até que seja boa o suficiente para querer mais. Prazer sexual só é legal quando consentido!”.

Quero marcar uma consulta com o sexólogo Giovane!

Não hesite em procurar ajuda da psicoterapia

Se uma das partes envolvidas, ou as duas, encontrarem dificuldades para elaborar a questão do sexo anal, é possível buscar ajuda de um psicólogo especializado em sexualidade humana.

Neste tipo de psicoterapia, as crenças e opiniões que permeiam o ato sexual do casal são exploradas para que seja possível compreender a origem dos impedimentos.

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“Na medida em que as duas pessoas do casal estiverem dispostas a explorar o prazer sexual em conjunto, não há nada nem ninguém que possa ou tenha o direito de questionar isso. O assunto pertence unicamente ao casal”, finaliza o sexólogo.  

A psicoterapia pode ser útil tanto para casais héteros quanto para homossexuais. Embora possa parecer estranho falar sobre as intimidades com alguém fora do relacionamento, à sexologia é uma área da psicologia voltada para ajudar casais.   

A Vittude trabalha com esta área e possui diversos sexólogos disponíveis para ajudá-lo a encontrar o prazer anal sem tabu e livre de vergonha!

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta