Sonhos - seus significados na psicologia

Os sonhos, seus significados e a psicologia

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Sonhos são processos psíquicos vitais, experiências subjetivas, criados através da relação do nosso mundo interior com o exterior. São construções da nossa psique com função de regular e equilibrar nossa vida. Sonhar é uma forma de comunicação com nosso inconsciente e também com o inconsciente coletivo.

Eles começaram a ser objetos de estudo da psicologia com Freud – e um marco importante dessa inserção no campo científico é sua obra “Interpretação dos sonhos”, de 1899. É a partir daí que os sonhos começam a ser vistos como uma forma de comunicação da psique inconsciente. Posteriormente, Carl Gustav Jung e Marie Louise Von Fraz se debruçam sobre este tema e trazem contribuições muito importantes.

“Os sonhos fornecem informações extremamente interessantes a quem se empenhar em compreender o seu simbolismo. O resultado, é verdade, pouco tem a ver com preocupações mundanas como comprar e vender. Mas o sentido da vida não é explicado pelos negócios que se fez, assim como os desejos profundos do coração não são satisfeitos por uma conta bancária”, escreveu Jung.

Os significados dos sonhos

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Todos os elementos e conteúdos que aparecem nos sonhos possuem mensagens

A linguagem dos sonhos é a linguagem do inconsciente, dos símbolos. E os símbolos são sempre inesgotáveis em sentido e significados. Todos os elementos e conteúdos que aparecem nos sonhos possuem mensagens. São charadas.

O inconsciente está em constante movimento: às vezes queremos fazer uma coisa e fazemos outra, às vezes queremos uma palavra e achamos muitas outras – menos a que procuramos. Quando dormimos não é diferente. A construção do sonho não se dá  de forma linear e clara, pois nosso inconsciente está sempre em ação, o desconhecido, as sombras, aquilo que rejeitamos. Aquilo que ainda não tomamos consciência, aquilo que reprimimos, muitas vezes aparece no sonho através de um simbolismo estranho e confuso. É como um novo pedido que fazemos a nós mesmos sobre os assuntos que valem a pena olharmos com mais generosidade, atenção e coragem.

O papel do psicólogo

Os sonhos são difíceis de interpretar pois dizem sobre coisas que ainda não sabemos. Tendemos a explicá-los com base em nossas experiências já conscientes e por muitas vezes nos autossabotamos na conclusão dos significados. Acabamos não dando a atenção e “passamos por cima” dos conteúdos que podem dizer sobre coisas desagradáveis, por exemplo. Sempre temos muito a descobrir sobre nós. Marie Louise Von Fraz disse: “A dificuldade de interpretar nossos próprios sonhos é que não podemos ver nossas próprias costas. Se as mostrarmos para outra pessoa, esta poderá vê-las; nós não…”

Nesse caso, dentro de um processo de análise, os sonhos são vistos a partir de uma um olhar mais amplo. Psicólogo e sonhador podem, juntos, explorar estes conteúdos e chegar a interpretações enriquecedoras, que podem contribuir e esclarecer aspectos e dinâmicas da vida da pessoa.

Um bom exercício para quem quer dar mais atenção aos sonhos é anotá-los logo após acordar de manhã, nos primeiros minutos. A anotação facilita e organiza a lembrança. Ler os as anotações recorrentes e observar os elementos ou dinâmicas que se repetem, que se transformam, é uma atividade bastante interessante.

Como a interpretação pode melhorar sua vida

Os sonhos possuem uma inteligência superior capaz de produzir insights reveladores e criativos. Eles despertam a capacidade de produzir novas respostas às situações, sejam elas empregadas em nosso mundo interno ou externo. Existem casos de cientistas que antes sonharam com determinadas fórmulas e depois resolveram conscientemente.

Dar atenção aos sonhos é uma forma de dar atenção a si mesmo, e a medida que isso acontece vamos nos conhecendo, aprendendo sobre nós com nosso inconsciente. Isso pode melhorar a vida nos tornando mais despertos, mais observadores e menos “vítimas” de nós mesmos.

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Todos sonham

Não lembrar dos sonhos pode acontecer por simplesmente não dar atenção a eles. Quando dormimos, vamos mergulhando em níveis de sono. O sono REM é o quinto estágio e o mais profundo deles. Portanto, considerando o aspecto neurológico, ao atingir este nível temos mais chance de lembrar do que sonhamos. Mas isto não é regra, apenas uma contribuição neurológica, pois podemos lembrar de sonhos em níveis de sono leve.

Não lembrar dos sonhos não é necessariamente considerado um problema, mas lembrá-los é, sim, um sinal de saúde mental. O fato de se interessar sobre os sonhos, sentir curiosidade sobre eles e intencionar saber mais sobre o que eles tem a dizer já é disparador para que as lembranças aconteçam e se tornem mais recorrentes.

O diferencial da Psicologia Analítica

Durante os anos de 1907 e 1913, Jung trabalhou com  Freud, o criador da Psicanálise. Após o rompimento, dado por divergências entre as personalidades e convicções de cada um, Jung criou a Psicologia Analítica. Em 1916 ele escreveu o primeiro texto sobre “A função transcendente”, o qual fala sobre a capacidade da psique de transformar a si mesma, transcender a si mesma a medida que dialoga entre os opostos (consciente e inconsciente, luz e sombra, anima e animus…) rumo à versão completa do Ser. A Psicologia Analítica Junguiana é uma linha que trabalha com o Ser de forma integral – corpo, mente e espírito. Além do inconsciente pessoal de cada um, amplia-se o olhar para a existência de um inconsciente coletivo, uma teia de que todos fazemos parte e somos influenciados mutuamente. Além dos sonhos, as artes, a alquimia, os arquétipos, a sincronicidade são temas abordados através desta abordagem.

Nathália Noronha,  é psicóloga de orientação analítico Junguiana. Atende crianças, jovens, adultos e idosos no Rio de Janeiro na Zona Sul e Barra da Tijuca.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta