terapia corporal reichiana

Terapia Corporal Reichiana: você conhece essa terapia energética?

  |  Tempo de leitura: 10 minutos

A terapia corporal reichiana atua simultaneamente nos aspectos orgânicos e energéticos do corpo humano. O corpo, emoções e pensamentos são vistos como partes de um todo que, quando em equilíbrio, reproduzem saúde e bem-estar.

Seja qual for à situação (transtorno mental, problemas dentro de casa, luto, doença física), esta terapia trabalha para aliviar tensões e elevados níveis de estresse originados por ela. As intervenções corporais e a bioenergética são os pontos-chave do tratamento terapêutico. 

Terapia corporal

A terapia corporal utiliza exercícios e táticas para eliminar tensões e dores musculares crônicas. A fala também é usada para que o paciente seja capaz de digerir suas crenças, pensamentos e emoções negativas.

O que nós sentimos é experienciado por todos os cinco sentidos – audição, tato, paladar, olfato e visão – mesmo que não tenhamos a capacidade de perceber esse fenômeno.  

As respostas instintivas para situações de perigo são um bom exemplo. Quando nos sentimos ameaçados, nosso cérebro envia comandos a todas as partes do nosso corpo para fugirmos. A circulação sanguínea se altera bem como os batimentos cardíacos. É provável que sentimentos de terror e preocupação se instalem.

O corpo todo vivencia essa experiência, podendo “guardar” algumas dessas sensações negativas. Quando isso acontece, perdermos a habilidade de lidar com determinadas situações ou sentimentos. Esse acúmulo de energia negativa pode resultar em dores crônicas e doenças variadas.

Geralmente, o nosso corpo guarda sentimentos referentes a experiências que não tínhamos a capacidade de compreender enquanto aconteciam. Por isso, muitas dos resultados das investigações da terapia corporal reichiana apontam para as vivências da infância.

Alguns exemplos de terapias corporais são as massagens terapêuticas, a radiestesia e e a terapia crânio sacral.

Como surgiu

Desenvolvida pelo médico e psicanalista austríaco Wilhelm Reich (1897-1957), aluno e grande admirador das teorias desenvolvidas por Sigmund Freud, a terapia corporal reichiana promove a união da medicina e da psicologia.

Através de estudos próprios, Reich descobriu que os distúrbios mentais estão associados às determinadas alterações no corpo físico. O desequilíbrio emocional afeta todos os sistemas que compõem o corpo, como respiratório, circulatório, hormonal e digestivo. 

Enquanto trabalhava como psicanalista, Reich analisava os pacientes a partir da relação entre o corpo e a mente. Além de levar em consideração o que era dito, prestava atenção nas formas de expressão do paciente. 

O tom de voz, a linguagem corporal, os olhares, os gestos, as expressões faciais, entre outros fatores da comunicação não-verbal, complementavam as informações compartilhadas verbalmente pelo paciente.

Além disso, ele incentivava seus pacientes a modificarem a postura, a respiração e algumas expressões corporais durante a sessão. Porém, muitos tinham dificuldade para acatar suas orientações. Então, Reich passou a ajudá-los por meio de intervenções corporais. Assim, criou diversas técnicas para auxiliar o tratamento psicoterapêutico. 

Os alunos de Reich que deram continuidade aos seus estudos desenvolveram o que hoje é chamado de Terapia Bioenergética, medicina alternativa que combina exercícios físicos e respiração para retirar bloqueios energéticos.

Ressaltamos que a terapia corporal reichiana não é o mesmo que Reiki, embora os nomes sejam similares. Esta é uma terapia japonesa que consiste na imposição de mãos para reduzir o estresse e promover o relaxamento.

Aspectos fundamentais

A questão energética é um elemento de significância na terapia corporal reichiana. Reich acreditava que uma espécie de energia vital circulava pelo corpo, promovendo o seu funcionamento sadio. A ela, o psicanalista atribuiu o nome de bioenergia, ou orgone. 

É possível que ela permaneça estagnada em diferentes partes do corpo por muito tempo e em irradie em diferentes intensidades, criando as couraças musculares.  

As couraças são como mecanismos de defesa criados pelo corpo em momentos de adversidade. Elas servem para proteger o ego da realidade. Nelas, estão contidas memórias reprimidas, geralmente da infância, e conflitos internos que se tornam verdadeiras prisões energéticas.

Consequentemente, a energia não flui através do corpo como deveria. Por conta da intensidade da contração muscular, as couraças podem afetar órgãos e originar doenças crônicas. 

O organismo, sobretudo, fecha-se para evitar sensações e sentimentos ruins como uma forma de proteção. Porém, as emoções positivas também são bloqueadas. A pessoa encouraçada, então, atinge um estado de dormência e tem dificuldades para expressar emoções. 

Principais contribuições da Terapia Corporal Reichiana 

Reich propôs que a manipulação das couraças libera o fluxo de energia acumulada. Ele desenvolveu três terapias com técnicas próprias para estimular a liberação da energia. 

Há sete segmentos de couraça muscular: cervical, peitoral, diafragmático, abdominal, ocular, oral e pélvico. Cada um deles contém um pouco da história emocional do indivíduo, armazenando suas dores e alegrias desde os primeiros momentos da infância. A técnica para liberá-las chama-se vegetoterapia. 

Outra técnica desenvolvida para liberar o inconsciente adormecido no corpo é a análise do caráter. Reich associou a formação do caráter ao encouraçamento, pois o fluxo natural de energia vital fica parado no corpo.   

Esse processo é tido como comum do desenvolvimento humano porque todos nós passamos por situações negativas as quais não conseguimos lidar quando jovens. Dessa forma, guardamos as emoções ruins juntamente com as memórias de incidentes passados

Os campos energéticos do corpo, então, enrijecem, forçando o organismo a viver num estado de alerta constante. A tensão muscular é, novamente, um mecanismo de defesa diante de experiências traumáticas, dolorosas ou ameaçadoras. 

Por fim, há a orgonoterapia. Esta abordagem terapêutica constitui-se no contato físico com o outro, especialmente nas regiões onde se encontram as couraças. O toque tem a intenção de conhecer a história biológica, energética e emocional do paciente. 

Também pode ser descrita como uma massagem. Além do relaxamento, procura restaurar a conexão da pessoa com seu corpo. As couraças, à medida que as sessões de orgonoterapia prosseguem, vão se desfazendo por conta da liberação de energia. 

A ligação reestabelecida entre corpo e mente permite que o paciente retome o controle sobre suas reações e emoções, agindo com foco no presente.

O tratamento

Pode-se afirmar que a terapia corporal reichiana objetiva o renascer do paciente. Após a liberação de energia estagnada, ele passa a viver uma vida nova. Tudo permanece o mesmo, mas o seu interior muda por completo. 

O tratamento é estruturado de acordo com as necessidades individuais de cada um, mas sempre envolverá intervenções físicas e expressões verbais.  

O tratamento visa diversos benefícios. O paciente sente-se mais confiante e feliz. Os conflitos passados que o aborreciam deixam de ter o mesmo peso emocional, pois as emoções negativas impregnadas neles são dissolvidas.

Assim, o paciente, livre dessas bagagens emocionais, é capaz de se redescobrir sua personalidade e aptidões através do autoconhecimento.

Durante o acompanhamento terapêutico, a história de vida da pessoa e seu padrão de comportamento são analisados. A avaliação da história de vida torna possível a identificação da relação do paciente com os pais e eventos marcantes da infância. Através deles, o terapeuta entende como aquela pessoa específica estruturou as suas defesas e formula soluções para reestruturá-las ou eliminá-las.

O padrão corporal diz respeito ao comportamento do paciente no mundo e a linguagem do corporal que utiliza para se expressar. Tudo é analisado: a posição da cabeça, dos ombros, dos braços e pernas, o tom de voz, a forma de olhar e o nível de entusiasmo do paciente ao realizar movimentos.  

Técnicas utilizadas na Terapia Corporal Reichiana

As técnicas comumente utilizadas nesta terapia incluem movimentos corporais e respiratórios, massagens reichianas, e a fala. Ao falar dos conflitos que o atormentam, o paciente começa a tomar consciência das sensações que atingem o corpo. 

Os exercícios de respiração auxiliam o paciente a entrar em contato com seu interior, encontrando emoções reprimidas. Já os movimentos corporais estimulam processos ontogenéticos (período desde a fertilização do ovo até a formação do organismo de determinada forma de vida). 

A massagem reichiana ajuda estimular os campos energéticos e dissolver tensões musculares. Os fluxos bioenergéticos são reorganizados com a aplicação de toques. Mas, sobretudo, a massagem procura aliviar os pontos de couraça no corpo. 

A foto-estimulação, considerada um dos testes mais relevantes nos exames neurofisiológicos, age em campos específicos do cérebro e auxilia o reprocessamento de memórias de cunho emocional.

Outras técnicas consistem em visualizações, expressões faciais, técnicas posturais, alongamento, relaxamento, e etc. 

Para quem é indicado

Como a terapia corporal reichiana possui grande foco na resolução de conflitos por meio do contato com memórias e emoções reprimidas, é excelente para pessoas que desejam resolver questões inacabadas. Assuntos que, mesmo após anos, trazem dor e sofrimento.

Ela também é indicada para quem busca uma vida mais equilibrada. De vez quando, vale a pena conferir como está o fluxo de energia circulando por nosso corpo já que não percebemos quando estamos estagnados. 

A terapia reichiana é apropriada tanto para solucionar impasses quanto para preveni-los. O tratamento pode ser feito por todos que enfrentam alguma forma de adversidade, algumas delas sendo: depressão, ansiedade, fobias, síndrome do pânico, enxaqueca, hipertensão, gastrite, distúrbios menstruais e asma.

Finalmente, a terapia auxilia a lidar com sentimentos que talvez sejam complexos demais para nós lidarmos sozinhos, como raiva, medo, insegurança, desânimo e autossabotagem.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.