Introdução
O TOC se caracteriza por pensamentos que não dão trégua e comportamentos que parecem obrigatórios.
A dúvida constante se trancou a porta, o incômodo intenso com objetos fora do lugar ou o medo persistente de contaminação podem consumir horas do seu dia e afetar sua qualidade de vida.
Estima-se que cerca de 4,3 milhões de brasileiros vivam com o transtorno ao longo da vida, muitos deles em silêncio, sem saber que o que sentem tem nome e, principalmente, tratamento.
Este conteúdo vai ajudar a entender o que está acontecendo, por que isso surge e quais caminhos existem.
O que é transtorno obsessivo compulsivo?
O TOC é um transtorno mental caracterizado por pensamentos repetitivos e indesejados (obsessões) que provocam ansiedade intensa, logo, levam a comportamentos ou rituais repetidos (compulsões) para tentar aliviar esse desconforto.
Drauzio Varella já alertou: “Muita gente acha que ver a mesa do escritório arrumadinha é TOC. Só que a coisa é mais grave do que isso.”
Não se trata de uma simples preferência por organização ou um incômodo passageiro com a bagunça.
Essas características só se tornam um transtorno quando começam a causar um prejuízo real na sua vida.
Seja no aspecto emocional, social ou profissional, elas atrapalham a sua rotina, seus relacionamentos e sua capacidade de aproveitar momentos simples do dia a dia.
É a diferença entre gostar da casa arrumada e se sentir paralisado pelo medo de que, se não arrumar, algo terrível vai acontecer.
Veja mais sobre o Dr. Drauzio Varella falando sobre a condição:
https://www.tiktok.com/@portaldrauziovarella/video/7488070120753958149
Como é uma pessoa com TOC?
Uma pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo costuma viver em alerta constante, como se a mente estivesse presa a um “loop” de preocupações.
Ela até reconhece que seus medos são exagerados, mas ainda assim sente necessidade de agir para aliviar a ansiedade.
Isso gera cansaço emocional, culpa e frustração.
Na tirinha abaixo, explicamos mais sobre como é o perfil de alguém com Transtorno Obsessivo-Compulsivo:
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TOC: sintomas para ficar em alerta
De forma geral, os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo se organizam em três pilares principais. Veja abaixo.
- Obsessões: são pensamentos, imagens ou impulsos que invadem a mente de forma repetitiva e indesejada. Eles vão além das preocupações comuns da vida real e envolvem temas como contaminação por germes, dúvidas constantes (trancar a porta, apagar o fogão), necessidade de simetria ou medo de que algo terrível aconteça consigo ou com quem ama.
- Compulsões: para aliviar a ansiedade insuportável causada pelas obsessões, a pessoa sente uma necessidade incontrolável de realizar comportamentos ou atos mentais repetitivos. Isso pode incluir lavar as mãos excessivamente, verificar fechaduras várias vezes, organizar objetos de uma forma específica ou repetir palavras em silêncio.
- Rituais: as obsessões e compulsões se organizam em rituais complexos. Eles seguem regras rígidas que a própria pessoa cria, como se fosse uma obrigação para evitar um mal maior. Podem ser diários ou semanais e, com o tempo, ocupam tanto espaço que a vida da pessoa passa a girar em torno deles.
Conhecer esses sintomas é importante porque estudos epidemiológicos apontam que a prevalência do Transtorno Obsessivo-Compulsivo na população brasileira varia entre 1,2% e 2,1%.
Em um país com cerca de 215 milhões de habitantes, isso representa aproximadamente 4,3 milhões de pessoas afetadas ao longo da vida.
Quais são os primeiros sinais de TOC?
Os primeiros sinais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo podem ser sutis e, muitas vezes, confundidos com manias inofensivas. Mas é importante prestar atenção quando certos comportamentos começam a tomar muito tempo e a causar sofrimento, como:
- pensamentos repetitivos que causam angústia;
- necessidade de conferir ou limpar várias vezes;
- medo constante de errar ou causar algo ruim;
- dificuldade de relaxar sem realizar rituais;
- sensação de perda de controle sobre os próprios atos.
Quais são os tipos de TOC?
Embora cada pessoa vivencie o Transtorno Obsessivo-Compulsivo de uma forma única, os sintomas costumam se agrupar em temas ou dimensões.
Conhecer os tipos mais comuns ajuda a identificar o transtorno.
E aqui, vale lembrar que nem todas as pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo têm as mesmas obsessões e compulsões.
Em algumas, os sintomas relacionados à limpeza são mais fortes enquanto, em outras, os sintomas de checagem se manifestam com maior frequência.
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TOC de limpeza
Trata-se da vontade irresistível de lavar as mãos repetidamente, fazer faxina em determinados cômodos ou na casa toda, limpar móveis específicos, entre outros. A lavagem das mãos pode ser intensa a ponto de feri-las.
A pessoa também tem aversão a locais sujos e objetos possivelmente contaminados, fazendo de tudo para evitá-los.
Roupas sujas também causam uma sensação desagradável. Quando seus trajes são manchados enquanto está na rua, a pessoa pode voltar para casa para se limpar, lavar a sujeira em um banheiro ou, em casos extremos, descartar a peça de roupa.
TOC de checagem
Verificar fechaduras de portas e janelas múltiplas vezes, bem como se o fogão está ligado e o gás não está vazando, são comportamentos comuns do Transtorno Obsessivo-Compulsivo de checagem. A pessoa não consegue sair de casa até que faça a sua rotina de verificação.
TOC de organização
Pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo costumam organizar roupas, sapatos, utensílios de cozinha, livros e outros objetos de acordo com o tamanho, cor, ordem alfabética ou outras categorias.
Elas determinam uma série de regras para que a organização corresponda às suas vontades, como objetos com textura, tamanho e aspecto semelhante. Essa obsessão pode levá-las a comprar objetos equivalentes para que eles não causem uma perturbação visual.
TOC de pensamentos proibidos
Pensamentos considerados “tabus”, como blasfêmia, atos de violência, atos sexuais específicos e qualquer coisa considerada imprópria pela pessoa, causam grande angústia para quem tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
Eles se alojam na mente dessas pessoas contra a sua vontade, fazendo com que elas descarreguem o estresse, medo e preocupação por tê-los através de condutas compulsivas.
TOC de simetria
Semelhante ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo de ordenação, esse sintoma consiste em organizar objetos de maneira simétrica.
Quaisquer vislumbres de assimetria, sejam em elementos que podem ser “consertados” ou não, causam aflição.
TOC de acumulação
Acumular objetos sem utilidade e em grande quantidade é um tipo de compulsão.
Se não fizer isso, a pessoa fica agoniada, como se estivesse fazendo algo errado.
Com o tempo, os objetos acumulados podem se espalhar pela casa e obstruir cômodos, caminhos e móveis.
Quando atinge essas proporções, o diagnóstico pode ser transtorno de acumulação no lugar de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
TOC de pensamentos intrusivos
Esses tipos de pensamentos envolvem cenários trágicos, de morte ou acidentes, com familiares, amigos e a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
Ela acredita que para evitar uma situação catastrófica, precisa engajar em algum comportamento compulsivo.
Por exemplo, ela pode ligar e desligar as luzes 50 vezes para “salvar” a vida de alguém querido. Se não fizer isso, se sente culpada.
Pensamentos intrusivos, como o próprio termo indica, são difíceis de combater e resultam em muito estresse e ansiedade no dia a dia.
Eles podem surgir a qualquer momento e roubar o sossego da pessoa com transtorno obsessivo compulsivo.
TOC de contagem
Necessidade de contar objetos, movimentos corporais e palavras ditas durante uma conversa.
A pessoa pode, por exemplo, contar quantos toques dá no joelho esquerdo ou montar padrões rítmicos e intercalados com uma quantidade específica de toques em várias partes do corpo.
Ela também pode contar quantos vasos decorativos existem em um cômodo ou quantas pétalas possuem as flores rosas de um jardim.
Imagem TOC (imagem de capa)
Causas do Transtorno Obsessivo Compulsivo
Ainda não foi especificada uma causa única para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, porém o DSM V aponta alguns fatores como contribuidores para seu surgimento.
Traumas, negligência dos pais, abuso físico ou sexual, experiências negativas e inibição constante na infância podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.
Da mesma forma, crianças que contraíram doenças infecciosas podem se tornar adultos extremamente preocupados com saúde e higiene pessoal.
Pessoas cujos parentes de primeiro grau têm ou já tiveram o transtorno têm mais propensão a desenvolvê-lo.
As chances são ainda maiores quando os parentes experienciaram os primeiros sintomas na infância ou adolescência.
Há, ainda, estudos que fazem a associação da causa do transtorno obsessivo compulsivo a deficits na comunicação entre regiões do cérebro que utilizam serotonina.
Alguns pacientes também apresentam diferenças no córtex frontal e estruturas subcorticais do cérebro, segundo pesquisas.
Quando uma pessoa com suspeita de Transtorno Obsessivo-Compulsivo visita um médico ou psicólogo, ela é questionada sobre seu histórico familiar, histórico de saúde e experiências de vida.
Dessa maneira, os profissionais da saúde conseguem associar alguns elementos ao surgimento do transtorno, mas não especificar uma causa.
Quando o TOC é considerado grave?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é considerado grave quando os sintomas consomem grande parte do dia e prejudicam áreas importantes da vida, como estudos, trabalho e relacionamentos.
Um estudo em escolas do Sul do Brasil mostrou que 18,3% dos adolescentes apresentaram sintomas obsessivo-compulsivos em um mês, e 3,3% tinham diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo no momento da avaliação.
Isso indica que, sem acompanhamento, o transtorno pode se intensificar ainda cedo.
TOC tem cura?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é considerado uma condição crônica, o que significa que, com os conhecimentos médicos atuais, não se fala tecnicamente em uma cura definitiva.
Mas muitas pessoas conseguem reduzir drasticamente os sintomas e retomar a qualidade de vida com acompanhamento adequado.
Então, em vez de falar em “cura”, o mais realista é pensar em controle e aprendizado para lidar com os pensamentos e comportamentos.
Tratamento para TOC
O tratamento para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo é bem estabelecido e altamente eficaz, e quanto mais cedo for iniciado, melhores são os resultados.
Ele geralmente combina duas frentes principais que se complementam: a psicoterapia e, em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico.
Terapia para TOC
A terapia é um tratamento eficiente tanto para crianças e adolescentes quanto para adultos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), em particular, demonstra bons resultados com esses pacientes.
O foco dessa abordagem psicológica é substituir padrões de comportamento e pensamentos disfuncionais por padrões saudáveis.
Deste modo, o paciente é capacitado a cuidar da qualidade de seus pensamentos e emoções de modo que impactem positivamente suas condutas e decisões.
Essa abordagem também descontrói crenças extremas e desconectadas com a realidade nutridas pelas pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
O psicólogo gradativamente expõe o paciente ao conteúdo das suas preocupações e ansiedade, como pensamentos catastróficos ou tabus, para que ele deixe de temê-los.
Se você ou uma pessoa próxima apresenta sintomas de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, não hesite em procurar um psicólogo ou psicóloga.
Como mencionado, esse transtorno pode facilmente interferir na qualidade de vida das pessoas.
É importante trabalhar crenças e medos associados ao transtorno para ter uma vida mais tranquila e satisfatória!
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Perguntas frequentes
Crianças podem ter Transtorno Obsessivo-Compulsivo?
Sim. Os sintomas podem aparecer ainda na infância, geralmente como medos excessivos e rituais repetitivos, exigindo atenção especializada.
Quem tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo sabe que os pensamentos são irracionais?
Na maioria dos casos, sim. A pessoa percebe que o medo é exagerado, mas sente dificuldade em resistir às compulsões.
Como posso ajudar uma pessoa que suspeito ter Transtorno Obsessivo-Compulsivo?
O mais importante é ter empatia e evitar críticas ou piadas. Não incentive os rituais (por exemplo, não tranque a porta para ela verificar de novo). Ofereça apoio para que ela busque ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra. Leia sobre o transtorno para entender melhor o que ela está passando.
Estresse pode piorar os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo?
Sim, o estresse é um dos principais fatores que podem desencadear ou agravar os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Períodos de pressão no trabalho, problemas de relacionamento ou outras mudanças significativas na vida podem aumentar a frequência e a intensidade das obsessões e compulsões.
Existe relação entre Transtorno Obsessivo-Compulsivo e ansiedade?
Sim, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo é classificado como um transtorno relacionado à ansiedade. A ansiedade é o motor principal do transtorno. As obsessões geram uma ansiedade avassaladora, e as compulsões são a tentativa desesperada de aliviar essa ansiedade. É um ciclo mantido pelo desconforto emocional.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo está ligado à inteligência?
Não há relação direta. Pessoas com qualquer nível de escolaridade ou capacidade intelectual podem desenvolver o transtorno.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo tem relação com perfeccionismo?
O perfeccionismo pode ser um traço de personalidade, enquanto o Transtorno Obsessivo-Compulsivo é um transtorno psiquiátrico. Uma pessoa perfeccionista busca a excelência e pode se frustrar com erros. Já a pessoa com TOC age movida pelo medo de que, se não fizer algo perfeitamente, uma catástrofe acontecerá.
Conclusão
O transtorno obsessivo compulsivo vai muito além de organização ou limpeza.
Ele envolve pensamentos invasivos, comportamentos repetitivos e um nível de ansiedade que pode comprometer a vida pessoal, social e profissional.
Os dados mostram que milhões de brasileiros convivem com esse desafio, muitas vezes em silêncio.
Se você se identificou com algum dos sintomas ou conhece alguém que esteja passando por isso, saiba que não precisa enfrentar essa luta sozinho.
Assim como um psicólogo orienta seus pacientes a darem pequenos passos para quebrar o ciclo do TOC, o primeiro passo para a sua jornada de cuidado pode ser dado agora.
Comece hoje mesmo a cuidar da sua saúde mental.
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