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Quais os benefícios da resiliência no trabalho e como a empresa pode impulsioná-la?

O mercado contemporâneo é ágil, complexo e cheio de desafios. Os colaboradores da sua empresa encaram eles de frente ou ficam paralisados e com vontade de sair correndo? 

Diferentes posturas em relação à resiliência no trabalho são normais e a maioria dos trabalhadores não será resiliente por natureza. Mas isso pode ter graves consequências para a sustentabilidade do negócio. 

Por isso, é importante aprender exatamente o que é este comportamento diferenciado, que pode parecer bastante abstrato num primeiro momento, e entender como pode ajudar os funcionários a desenvolvê-lo.

Afinal, essa não é uma responsabilidade exclusiva deles. É função do RH, dos gestores de saúde e dos líderes organizar treinamentos e outras iniciativas para que, no fim, esse seja um ganha-ganha. 

Neste texto, te contaremos tudo sobre o assunto com as pesquisas e informações mais recentes feitas por especialistas! 

Você vai ver:

O que é resiliência no trabalho?

A resiliência, ao contrário do que muitos pensam, não nasceu no campo de estudo da psicologia. 

Ela foi descrita pela primeira vez no campo da engenharia e da física para explicar a capacidade de um corpo voltar à posição anterior, ou seja, sem deformar-se, depois de ter sido submetido a alguma pressão. 

Apesar disso, este conceito logo foi inserido no contexto das ciências da mente para identificar pessoas que atravessaram situações traumáticas, mas que conseguiram recuperar-se rapidamente

Entender que características psicossociais possibilitaram esta resposta mais rápida do que a média das pessoas foi de grande interesse para que pudessem ser desenvolvida em outras pessoas. 

Hoje, especialistas como Souza e Cerveny entendem que as relações sociais e o ambiente ao entorno têm grande influência para o desenvolvimento desta habilidade. 

Assim, em primeiro lugar, ambos podem tanto adoecer um trabalhador como deixá-lo mais saudável e, o mais importante: o ambiente de trabalho é o local ideal para aprender a ser mais resiliente!

Qual a importância de desenvolver resiliência no trabalho?

Uma situação perigosa para uma pessoa pode ser desafiadora para outra. Ou seja, enquanto a saúde mental de uma pessoa se enfraquece, a outra pode se fortalecer. 

Estados mentais opostos como estes também produzem efeitos opostos na qualidade e agilidade do trabalho desempenhado. 

Lembrando, inclusive, que habilidades comportamentais podem ser até mais importantes do que competências técnicas em momentos de crise. Basta pensarmos que a resiliência pode ser o que diferencia um líder inspirador de um líder tóxico, por exemplo. 

Veja só:

Inovação e aprendizado

Empresas inovadoras são as que ocupam as primeiras posições na sua área de atuação. No mercado contemporâneo, pode ser a diferença inclusive entre prosperar e ter que fechar as portas.

Neste sentido, profissionais resilientes são fundamentais. Mas, para que esta competência seja construída, é preciso entender que existe uma curva de aprendizado diferente para cada profissional, dependendo de quão desenvolvida é esta habilidade para cada um. 

Isso envolve entender quem já tem uma tendência natural à resiliência no trabalho, quem está mais adaptado a cenários desafiadores, quem está há menos tempo na empresa (e pode estar menos adaptado à sua cultura), etc. 

Bem-estar dos colaboradores

O cuidado com a saúde mental dos colaboradores pode e deve ser uma responsabilidade das empresas. Mas isso não significa que os profissionais não possam fazer a sua parte também. 

Mudar a mentalidade em relação aos desafios pode significar esforçar-se para superar seus limites ao invés de ficar paralisado em situações difíceis. 

É claro que isso não é simples e, em muitos casos, apoio psicoterapêutico vai ser necessário, mas a vontade de mudar esse mindset também faz muita diferença no desfecho da situação. 

Trabalho em equipe

Em situações de crise, é muito comum que as equipes precisem se reunir e trabalhar em conjunto para buscar uma solução. 

Agora imagina esses dois cenários: uma equipe está desesperada e paralisada pelo medo enquanto a outra está focada e confiante de que vão superar o problema atual. Fica muito óbvio adivinhar qual vai trazer resultados melhores para a organização. 

Além disso, uma única pessoa resiliente, otimista e encorajada numa situação desafiadora pode mudar totalmente o clima da primeira equipe, que não consegue sair do lugar por só enxergar a parte negativa.

6 dicas para ajudar os colaboradores no aprendizado desta soft skill

Antes de continuarmos falando deste assunto, precisamos te perguntar: sua empresa está fazendo a sua parte para não atrapalhar este aprendizado?

Como você viu acima, o ambiente profissional tem um impacto significativo no desenvolvimento da resiliência no trabalho. 

Assim, um local saudável, que valoriza o bem-estar dos colaboradores e tem lideranças que apoiam e encorajam, é ideal para não sobrecarregar os funcionários e impossibilitar que eles sejam resilientes. Afinal, a resiliência é um atributo de pessoas saudáveis.

Mas, se a organização está afogando os funcionários com uma quantidade excessiva de horas extras, desconsiderando seus limites orgânicos e preocupando-se apenas com a sua produtividade, ou seja, com o que ele gera de lucro para a empresa, é impossível ser resiliente.

Neste caso, é bem possível que eles adoeçam por não aguentar as pressões externas. Afinal, desenvolver esta habilidade não significa deixar de ser humano. 

Agora que deixamos isso claro, vamos ver como você pode efetivamente colaborar com os colaboradores da sua empresa!

Realizar workshops com especialistas

Entender o conceito de resiliência no trabalho não é algo simples, como você já viu. Até hoje, não existe um consenso absoluto entre os especialistas, embora cada vez mais pesquisas aprofundadas estejam sendo feitas.

Por isso, uma ótima opção é contar com pessoas que possam explicar a resiliência na teoria e na prática. Até porque, quando um conceito é mais abstrato, muitas vezes ilustrá-lo com exemplos práticos da rotina de trabalho pode facilitar bastante. 

Este também é um espaço não só para aprender passivamente, mas também para tirar dúvidas e realizar dinâmicas entre líderes e liderados. Algo que pode ser muito importante para o desenvolvimento desta habilidade. 

Utilizar a RAW Scale

Resiliência é um conceito altamente subjetivo, por isso difícil de ser mensurado. Em contrapartida, para fazer um diagnóstico do nível de resiliência no trabalho, é necessário conseguir medi-la de alguma forma.

Justamente por isso foi criada a RAW Scale, que significa Escala de Resiliência no Trabalho. Ela foi criada na Austrália, em 2013, e só em 2018 começou a ser aplicada no Brasil, já que precisou ser traduzida considerando aspectos da realidade social e cultural do nosso país. 

Através do nível de resiliência, é possível entender também o nível de estresse dos trabalhadores e traçar estratégias para melhorar a saúde mental – já que ambos estão bastante relacionados. 

Incentivar o relacionamento entre colegas  de trabalho

Ter uma rede de apoio é fundamental para a construção desta competência, como já foi dito. Afinal, uma pessoa que não tem com quem dividir vitórias e inseguranças, sente-se muito mais sozinha e fragilizada, o que impacta sua saúde mental negativamente. 

Pessoas resilientes são pessoas autoconfiantes. Assim, ter conexões próximas no ambiente profissional aumenta a sensação de pertencimento, diminui o estresse e tem outras inúmeras vantagens. 

Segundo um artigo da Society for Human Resources Management, os líderes que se aproximam dos colaboradores também acabam ajudando muito neste processo. 

Promover oficinas de mindfulness

Treinar o cérebro para facilitar respostas mais funcionais diante de situações adversas é uma das atividades mais importantes para formar pessoas resilientes. 

Um artigo da Harvard Business Review mostrou estudos em que a prática:

  • aprimora a performance no trabalho;
  • aumenta a flexibilidade cognitiva;
  • melhora a precisão de análises;
  • aperfeiçoa a resolução de problemas.

Não por acaso ela tem despertado tanto a atenção das empresas. As respostas são realmente eficazes, especialmente quando é instituída uma rotina de exercícios diária. 

Oferecer oficinas como essa, seja presencialmente ou através de tecnologias digitais aprimora as respostas do sistema nervoso e também pode servir como um momento de pausa no trabalho, algo que também é extremamente benéfico para o equilíbrio da mente – terreno necessário para a construção deste e outros hábitos saudáveis. 

Encorajar os colaboradores

Outra ação simples, mas que auxilia bastante a aprimorar o nível de resiliência no trabalho é falar sobre os pontos fortes dos profissionais. O mesmo artigo da SHRM aponta que trabalhadores de todos os níveis precisam e se beneficiam quando são elogiados. 

Mas, claro, não estamos falando de sair elogiando todas as pessoas por qualquer motivo. É essencial que isso seja feito de maneira sincera e considerando as qualidades específicas de cada um. 

O objetivo é que os colaboradores acreditem mais em si mesmos. Afinal, se eles ficarem presos no medo e na insegurança, considerando que não serão capazes de enfrentar um desafio, fica muito mais difícil fazê-lo. 

Oferecer psicoterapia como benefício

Para crescer no ambiente profissional, tornar-se uma pessoa resiliente é muito importante. E para se tornar uma pessoa resiliente, o autoconhecimento é fundamental. 

Entender em que momento da vida você está, entender quais são seus desejos para o futuro e ter clareza o suficiente para fazer um plano de ação, por exemplo, são questões muito importantes e que podem ser trabalhadas a fundo com psicólogos. 

Além disso, cada colaborador pode entender quais as travas emocionais – como um medo excessivo diante de um gatilho específico – podem estar bloqueando uma melhor performance e a manutenção do seu bem-estar. 

Afinal, é muito difícil que a saúde mental de qualquer pessoa não fique muito fragilizada num cenário de instabilidade, elevada carga de trabalho e pressão por resultados – coisas que acontecem com praticamente todos os trabalhadores. 

Características de profissionais resilientes

Mas afinal, o que pessoas com a resiliência desenvolvida têm de diferente? Veja uma lista de algumas das habilidades mais importantes!

Flexibilidade

É muito comum confundir resiliência com rigidez. Ou seja, achar que nada abala pessoas resilientes e que elas são firmes como rochas. Mas esta concepção não poderia estar mais equivocada. 

A verdade é que as pessoas resilientes têm uma “elasticidade emocional” muito grande. 

Uma situação pode, sim, deixá-la fragilizada, mas a sua resposta não é a de submeter-se ao sofrimento muito menos de se enraivecer e tomar atitudes precipitadas. 

Ao contrário destes dois extremos, a pessoa resiliente não se fecha para seus sentimentos, mas busca o seu equilíbrio interior e, a partir daí, consegue ter a flexibilidade de voltar a um estado mental saudável, em que ela pode fazer escolhas melhores e, aí sim, encarar os desafios de frente. 

Autogerenciamento do estresse

Uma pessoa resiliente é o oposto daquela que se desespera e age impulsivamente – muitas vezes deteriorando relações de trabalho. 

Sua reação, diante de uma crise, é buscar mecanismos para controlar o estresse, recuperar o equilíbrio interno e analisar a situação racionalmente para identificar as melhores soluções ou estruturar a melhor forma de agir. 

Vulnerabilidade

Os primeiros estudiosos da resiliência, pesquisadores ingleses e americanos, antes deste termo existir, nomeavam o hábito de resistir às adversidades sem comprometer a saúde mental de invulnerabilidade. 

Mas, recentemente, cientistas já entenderam que resiliência e invulnerabilidade não são sinônimos. Afinal, estamos falando de uma habilidade que é equivalente à resistência ao estresse. 

Não significa que uma pessoa fique invulnerável diante de situações estressantes, mas que ela é capaz de adotar uma postura que a proteja das suas vulnerabilidades. Isso só é possível através de inteligência emocional, autoconhecimento e uma dose de compartimentalização.

Otimismo

Acreditar que é possível encontrar uma solução diante de um problema e que tudo ficará bem, mesmo quando parece improvável, é um hábito altamente positivo de pessoas resilientes. 

Mas ter força mental para ser otimista nem sempre é fácil. 

Na verdade, nossa tendência é focar muito mais nas coisas ruins do que nas coisas boas. Por isso, além das técnicas que já citamos, a psicologia positiva possui técnicas que podem ajudar. 

Sua premissa é olhar para os comportamentos saudáveis dos seres humanos e estudá-los para que sejam reproduzidos, ao invés de focar nas patologias e buscar meios de solucioná-las – como a psicologia tradicional faz. 

Como a resiliência no trabalho melhora a saúde mental?

A resiliência é a musculação da saúde mental. 

Assim como precisamos fortalecer a musculatura do corpo para prevenir o desgaste nas articulações, dores oriundas de má postura, entre outros sintomas que podem prejudicar muito nosso bem-estar, precisamos desenvolver a resiliência para nos proteger dos efeitos negativos que as adversidades geram na nossa saúde emocional

Para Brent Gleeson, autor de best sellers sobre liderança, CEO da TakingPoint Leadership e colunista da Forbes, a resiliência é melhor desenvolvida quando praticada. 

Fazendo uma correlação com corredores, por exemplo, não se aprende a correr uma maratona apenas quando ela acontece. Muitos dias, meses e até anos de treinamento precedem este “main event”. 

Como já foi dito, o estresse afeta de maneira muito menos significativa uma pessoa resiliente. Considerando que ele é a porta de entrada para um grande número de adoecimentos, inclusive a síndrome de burnout, que tem afetado 1 a cada 4 colaboradores e, desde 2022, é considerada uma doença ocupacional. 

Ou seja, produz consequências bastante negativas para as empresas. 

A Vittude é uma empresa referência em saúde mental organizacional. Para nós, saúde mental é inegociável e requer uma solução completa. 

Por isso, nosso portfólio de soluções envolve ferramentas de diagnóstico, diversos tipos de atividades educativas e a plataforma de psicoterapia, com mais de 3.000 psicólogos rigorosamente selecionados para que cada colaborador tenha um desfecho positivo. 

Nosso objetivo é que você tenha sucesso, por isso oferecemos um alto nível de personalização, que permite adequar nossos serviços às necessidades específicas da sua empresa.

Converse com um de nossos especialistas para desenvolver a resiliência no trabalho entre seus colaboradores, criar um programa de saúde mental ou estruturar outras iniciativas. 

Carol Motta

Redatora sênior, especialista em SEO On Page, cientista social e com experiência em conteúdos de saúde e RH. Trabalha para viver num mundo em que as pessoas sejam mais saudáveis e as organizações, mais inclusivas.

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