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Autocompaixão: o que é e como desenvolvê-la

A falta de autocompaixão fica evidente na vida das pessoas quando, ao cometerem um erro, são naturalmente muito autocríticas. O primeiro comportamento tende a ser se envergonhar ou se repreender por ter sido tão burro ou incompetente.

Por outro lado, quem tem autocompaixão entende que falhas fazem parte de qualquer ser humano e, apesar de ser importante se atentar para evitar os mesmos erros, também é preciso se acolher com carinho e ternura diante das dificuldades.

Mas, afinal, por que é importante tratar a si mesmo como você trataria a um amigo e, nem sempre, ser tão exigente consigo mesmo? A resposta para esta pergunta você encontra ao longo da leitura deste artigo, vem conferir!

O que é a autocompaixão?

A autocompaixão se trata da capacidade de ter um olhar mais compassivo para as adversidades e desafios da vida, o que é o oposto de se julgar, se punir e se criticar excessivamente por não ter conseguido ser ou fazer algo.

É sobre compreender que você é um ser humano imperfeito, que vai errar em determinadas situações. E a forma mais saudável de lidar com tudo isso é se acolhendo e se aceitando, o que não significa que não se deva cultivar uma postura de aprendizado para sempre evoluir cada vez mais.

Além disso, para entender o que é autocompaixão, é necessário ter clareza que não se trata de sentir pena de si mesmo, ser uma pessoa fraca ou conviver com pensamentos irrealistas.

Quais são os componentes da autocompaixão?

Para compreender melhor, é preciso se aprofundar nos três elementos que definem a autocompaixão:

Autobondade

Contribui para o combate do comportamento autocrítico em relação aos seus erros, substituindo-o por atitudes mais amorosas e encorajadoras consigo mesmo.

Humanidade compartilhada

Aceitação do fato de que desconfortos e imperfeições fazem parte da vida e é preciso reconhecer que todos erram e enfrentam dificuldades. É a humanidade compartilhada que nos coloca em pé de igualdade.

Mindfulness

Estar consciente em relação ao aqui e ao agora e, mesmo que o estado atual seja de sofrimento, aceitá- lo com gentileza e amorosidade, ou seja, sem julgamentos.

As diferenças entre autocompaixão e autoestima

Muitos confundem autoestima e autocompaixão, mas são conceitos distintos. Vamos entender cada um deles?

A autoestima, segundo a psicologia, é definida como a avaliação subjetiva que uma pessoa faz sobre si mesma, sendo que esta pode ser positiva ou negativa. 

Na cultura ocidental, a autoestima está muito atrelada a “se destacar em meio à multidão”, ser acima da média. No entanto, é impossível que todo mundo esteja acima da média o tempo todo, não é mesmo?

Por mais que você possa se destacar em determinados assuntos e segmentos, a partir da sua avaliação subjetiva sempre haverá uma pessoa mais inteligente ou bem-sucedida por aí. Dessa forma, você está suscetível a oscilar entre se sentir bem e mal com mais facilidade, o que impacta a autoestima.

Cria-se, portanto, um looping infinito de altos e baixos, em que você passa por momentos de prazer e alegria, elevando os níveis de autoconfiança, mas em seguida se sente inseguro e insatisfeito.

E é nas horas difíceis que colocamos à prova a nossa capacidade, o que, em muitos casos, gera autocrítica em excesso e um olhar impiedoso e pouco acolhedor. Pensamentos negativos tendem a invadir a sua mente e desencadeiam ainda mais medo, ansiedade e inseguranças.

Em uma sociedade que demanda perfeição, a avaliação subjetiva que fazemos sobre nós mesmos muitas vezes é ruim a ponto de levar a autoestima lá para baixo. Mas pare e pense um pouquinho: será que você trataria assim um amigo ou familiar que cometeu um erro ou está passando por uma fase ruim?

Ou seria mais compreensivo, amoroso e gentil? Normalmente, é assim que tratamos quem precisa de cuidados em um momento difícil. Oferecemos palavras de incentivo, consolo e ternura: isso é compaixão!

A dificuldade está em ter o mesmo comportamento consigo mesmo, que é a autocompaixão. Ou seja, diante de um desafio ou adversidade, é ter um olhar mais compassivo e oferecer a si mesmo compreensão e acolhimento, exatamente como você faria com outra pessoa.

Autoestima

  • Avaliação do seu próprio valor, que pode ser positiva ou negativa;
  • Exige que você se sinta melhor e superior aos outros;
  • Abandona você quando mais precisa dela.

Autocompaixão

  • Não envolve avaliação ou julgamento;
  • É uma forma de lidar com as mudanças e desafios da vida pautando-se em aceitação e gentileza;
  • Exige o entendimento e a aceitação de que todos os seres humanos são imperfeitos;
  • Está sempre presente, mesmo quando tudo parece dar errado e, diante do sofrimento, é uma forma de se acolher.

Como a autocompaixão impacta os relacionamentos interpessoais?

Ao cultivar um olhar compreensivo e gentil consigo mesmo, você gera retornos positivos nos seus relacionamentos pelos seguintes motivos:

  1. Passa a exercer com mais facilidade a empatia, habilidade que se trata de conseguir se colocar no lugar do outro;
  2. Não permite que seus erros e dificuldades te coloquem em uma posição de inferioridade em relação ao outro.

Em muitos casos de relações tóxicas, o abusador consegue manipular a vítima de tal forma que ela se sente inferior ou incapaz diante de seus erros.

A autocompaixão, por sua vez, ensina a pessoa a ouvir e validar seus sentimentos, lidar com a culpa e se acolher. Ao cuidar de si, você não está sendo egoísta e sim contribuindo para a construção de relações saudáveis.

Quais são os benefícios da autocompaixão?

A autocompaixão gera diversos efeitos positivos na vida de uma pessoa. Confira os principais:

Eleva a autoconfiança

A falta de autocompaixão gera sentimentos de raiva e frustração, afinal, você começa a acreditar que não é capaz  de lidar com as adversidades que a vida coloca no seu caminho.

Por outro lado, quando se tem um olhar gentil, amoroso e compreensivo com os seus erros e dificuldades, você passa a entender que faz parte ser imperfeito e precisar se desenvolver em alguns aspectos. Afinal, ninguém nasce perfeito, não é mesmo?

Com isso, você se sente muito mais confiante porque muda a maneira de encarar equívocos, inseguranças e medos, lidando com eles de maneira mais natural e positiva.

Desenvolve a resiliência

A resiliência é a capacidade de encarar os problemas e se recompor, ou seja, continuar mesmo depois de se sentir abatido e abalado pelas situações difíceis. É sobre se adaptar e superar os obstáculos, algo que é muito difícil de se fazer quando não há autocompaixão.

Conforme você reconhece a importância de olhar para os seus erros de outra forma, passa a responder às frustrações e estresses do dia a dia de uma maneira mais saudável, sendo capaz de se recuperar mais rápido após as quedas.

Reduz a autocrítica

Analisar o seu comportamento e entender onde errou é importante, mas até onde a autocrítica é saudável?

É preciso se atentar à punição excessiva, afinal, se não for controlada acaba se tornando extremamente nociva para o seu bem-estar e a saúde mental.

Vivemos em uma sociedade que, de certa forma, demanda a perfeição. Por isso, quando erramos, nos culpamos demais.

A autocompaixão, por sua vez, reduz essa voz autocrítica tão severa e nos faz entender que falhar é humano e completamente normal e esperado.

Muda a sua perspectiva sobre os erros

Reconhecer os seus erros é fundamental, mas entrar em uma espiral de culpa sem fim não é saudável (e não muda o fato de que você errou e precisa seguir em frente).

Ao aprender a se acolher nos momentos difíceis, você tende a sair mais rápido daquela situação e enxergar os seus erros como um aprendizado. Ou seja: errar se torna uma oportunidade de aprender algo sobre si mesmo e a sua evolução como ser humano.

Aumenta o seu autoconhecimento

A autocompaixão eleva o seu autoconhecimento, afinal, você passa a entender melhor as suas dores e dificuldades. Além disso, também aprofunda uma visão mais realista sobre as próprias limitações.

Reduz sentimentos negativos

A falta de autocompaixão faz com que você se critique excessivamente e cultive a culpa, fazendo com que  sentimentos negativos aflorem com mais facilidade.

Com isso, há uma tendência maior a desenvolver esgotamento, ansiedade, depressão e insatisfação com a vida no geral.

Melhora a sua qualidade de vida

Conviver constantemente com sentimentos de culpa e autocrítica é muito nocivo para o bem-estar de qualquer pessoa.

Desenvolver a autocompaixão, portanto, é essencial para viver melhor, com mais equilíbrio e saúde mental, afinal, você passa a aceitar as suas imperfeições e lidar de maneira muito mais saudável com os erros e as dificuldades.

Como cultivar a autocompaixão?

Existem várias formas de desenvolver a autocompaixão. Para alcançar os resultados desejados, é preciso transformar a sua mentalidade e o seu comportamento, ou seja, não é algo simples, mas possível.

Mindfulness, ou atenção plena, é sobre estar concentrado no momento presente. E qual é a sua relação com a autocompaixão?

Bom, em primeiro lugar é necessário reconhecer e compreender o seus erros e sofrimentos, aceitá-los para, assim, tratar a si mesmo com gentileza e amorosidade.

Viver o presente tem uma relação direta com não se preocupar com o que aconteceu no passado ou o que pode vir a acontecer no futuro. É lidar com sabedoria com os equívocos, aceitando que eles fazem parte do processo da vida e não são motivo para julgamentos e punições.

Diante dessa visão, existem algumas formas de praticar a autocompaixão no seu dia a dia. São elas:

  • Ser gentil consigo mesmo assim como você seria com um amigo, colega, familiar ou até mesmo comum estranho;
  • Ser o seu aliado diante das dificuldades e não agir como o seu próprio inimigo;
  • Aceitar os seus sentimentos, sejam estes bons ou ruins, pois fazem parte de quem somos;
  • Manejar a autocobrança, tendo clareza sobre até que ponto é saudável se cobrar e encontrar um equilíbrio;
  • Estabelecer limites, compreendendo que isso é natural e esperado para se viver com mais bem-estar;
  • Desenvolver amor próprio, ou seja, se amar mais mesmo com as suas imperfeições;
  • Evitar viver em função da aprovação alheia, afinal, a sua vida não pode ser medida pelos olhares dos outros;
  • Amar a sua companhia, sabendo valorizar os momentos de solitude;
  • Parar de absorver tudo, agindo como uma esponja emocional que vive apenas para resolver os problemas alheios;
  • Evitar pensamentos negativos, principalmente sobre si mesmo. Nem tudo o que você pensa é um fato;
  • Desenvolver a auto responsabilidade, tendo clareza de que você é responsável por si mesmo, inclusive pela sua felicidade e realizações;
  • Cultivar a gratidão para enxergar o lado positivo da vida e celebrar desde as pequenas até as grandes vitórias, além de procurar sempre aprender com seus erros;
  • Escolher quais serão as suas batalhas, pois você definitivamente não precisa se envolver com tudo e saber quando se afastar pode ser libertador;
  • Preste atenção em como você se enxerga em todos os aspectos para ter certeza de que não está se vendo apenas pelos olhares dos outros.

Como a terapia contribui para o desenvolvimento da autocompaixão?

A terapia é uma ferramenta bastante valiosa em termos de autoconhecimento.

O processo é contínuo e acontece com o auxílio de um psicólogo, profissional que pode ser especializado em uma ou mais abordagens da psicologia, e é capacitado para conduzir todas as questões que são trazidas pelo paciente.

As sessões podem ser trabalhadas de formas diferentes de acordo com a abordagem, mas, no geral, a terapia é uma vivência que coloca o indivíduo frente a frente com seus padrões de comportamento e o auxilia na compreensão de seus gatilhos.

Além disso, o profundo autoconhecimento gerado ao longo da terapia contribui para que, pouco a pouco, o indivíduo vivencie mudanças de comportamento e mentalidade a fim da conquista de mais qualidade de vida e bem-estar.

Neste artigo você aprendeu que a autocompaixão é muito importante para a manutenção do bem-estar. Para continuar aprendendo sobre outros assuntos relacionados à saúde mental, navegue pelo blog da Vittude!

Bruna Cosenza

Escritora, produtora de conteúdo freelancer e LinkedIn Top Voice 2019. Autora de "Sentimentos em comum" e "Lola & Benjamin", escreve para inspirar as pessoas a tornarem seus sonhos reais para que tenham uma vida mais significativa.

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