Rivotril

Rivotril: para que serve e quais seus efeitos na saúde mental

  |  Tempo de leitura: 9 minutos
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Rivotril (produzido pelo laboratório Roche) é um dos nomes comerciais do Clonazepam. Trata-se de um dos medicamentos mais vendidos no Brasil. Mas será que faz bem para a saúde? Por que estamos vendo um aumento considerável do seu uso entre jovens adultos?

A incrível popularidade do Rivotril traz, consigo, uma série de dúvidas — que pretendemos esclarecer neste post.

Siga a leitura e descubra porque esse medicamento é tão consumido e quais os perigos da banalização de seu uso.

O que é Rivotril e para que serve?

O Rivotril é um ansiolítico — ou seja, um tranquilizante — do grupo dos benzodiazepínicos (do qual também fazem parte diazepam, lorazepam, alprazolam, bromazepam, midazolam, clordiazepóxido, dentre outros).

Sua função essencial é inibir certas funções do sistema nervoso central, através de um efeito sedativo.

Mais precisamente, os benzodiazepínicos atuam potencializando a ação do GABA (ácido gama-aminobutírico), um neurotransmissor depressor, responsável por diminuir a excitação, agitação, tensão e o estado de alerta, trazendo relaxamento, sonolência e sensação de calma.

Em virtude de promover esse efeito, o uso de Rivotril é indicado para pessoas que sofrem com:

Como o Rivotril é vendido?

Certamente, enquanto lê esse artigo, você lembra de várias pessoas que conhece e que usam Rivotril. Ele parece tão cotidiano, tão comum, que até confere a impressão de que basta chegar na farmácia e pedir por uma caixa de comprimidos.

Mas não é bem assim. O Rivotril pertence à classe de medicamentos identificados pela “tarja preta”, o que significa que só pode ser vendido com prescrição médica e retenção da receita, pelo farmacêutico.

Isso deveria ser um bloqueio, uma forma de controle, reduzindo sua comercialização para pessoas que realmente necessitam do ansiolítico, obedecendo criteriosa avaliação médica.

No entanto, como não apenas o psiquiatra, mas sim qualquer médico, pode prescrever o medicamento, ele se transformou numa verdadeira “febre” de consumo.

Em uma consulta trivial, o paciente pode reclamar de situações corriqueiras, como preocupações com o trabalho, dificuldade para pegar no sono ou mesmo “dores de cotovelo”. Para diluir os entraves desses estados — que não são anormais, pois fazem parte da vida e serão superados, com atitudes, tempo e mudanças de hábitos — o médico pode acabar receitando Rivotril.

Por que essa prescrição seria um problema?

Vamos entender, com maior precisão, os efeitos nocivos do Rivotril, em outro momento do texto. Porém, de imediato, podemos nos propor um questionamento mais elementar: será que um remédio tarja preta é mesmo a melhor saída para os inconvenientes da vida? Não estaríamos amortecendo, em demasia, as contrariedades que deveríamos aprender a enfrentar?

É uma dádiva podermos contar com um artifício que nos possibilite uma rotina mais saudável, quando impedimentos severos nos paralisam ou causam danos notórios. Contudo, é preciso ter discernimento sobre a gravidade desses obstáculos.

Por exemplo: é natural não dormir bem, vez ou outra. Às vezes isso ocorre porque nossos hábitos noturnos não proporcionam o sossego necessário para que corpo e da mente “desliguem”. Pode ser consequência das xícaras de café, que consumimos até o avançado da hora. Ou de nos mantermos conectados, trabalhando, 5 minutos antes de ir para a cama. Nesses casos, seria mais oportuno alterar nossas práticas — e não passar a fazer um tratamento farmacológico para insônia, concorda?

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Da mesma forma, quando uma pessoa pergunta “posso tomar Rivotril quando estou ansiosa?”, ou “posso tomar quando estou nervosa?”, para receber a resposta adequada, precisa saber se esse “quando” é muito presente e sob quais circunstâncias se dá. Pois “estar” é muito diferente de “ser”.

O “estar” — temporário, ocasional — é absolutamente normal. O “ser” é que se torna preocupante e, de fato, necessita de tratamento correto, podendo — ou não — incluir medicação nesse processo.

>>> Leia também: Amitriptilina: conheça os efeitos deste antidepressivo

Motivos da popularidade do Rivotril

Quando referimos a popularidade do ansiolítico, não pensamos em seu uso destinado a quem, de fato, necessita — em função de um transtorno corretamente diagnosticado. O que indagamos é a banalização da prescrição e do consumo leviano, por milhares de pessoas.

O descritivo do tópico acima já aponta parte da resposta. Paz, serenidade, felicidade — a qualquer hora do dia, frente a qualquer situação. Quem não quer?

Porém, ainda que os efeitos sejam bastante cobiçados, é provável que a fama do remédio não tivesse tanto lastro, não fosse uma particularidade: ele é barato. O preço médio do Rivotril varia entre 6 e 20 reais. Isso ocorre porque já é antigo no mercado — característica que sempre incide sobre o valor de comercialização de medicamentos.

Outro fator que colabora para o sucesso das pílulas — ou gotas, visto que é vendido também em versão líquida — é a afinidade entre as sensações que o remédio proporciona e as demandas típicas do estilo de vida contemporâneo.

Iniciamos este texto falando sobre a constatação de que o Rivotril é um dos medicamentos mais vendidos no Brasil e interrogando sobre a adesão crescente de jovens adultos ao seu uso. Chegamos a um momento propício para pontuar as razões dessa propagação, enxergando, justamente, o bem-estar produzido pelo remédio como um “antídoto” — ainda que temporário — para uma infinidade de aflições, tão enfaticamente presentes no dia a dia.

Em nosso país, vivemos em meio a crises. A economia instável gera angústias reais, assombrando com índices de desemprego, dívidas, necessidade de reinvenção, de ser multitarefas, de se manter atualizado… Isso sem contar os entraves de trânsito, a ameaça de violência, o estresse! E, claro, ainda precisamos considerar os tempos “líquidos”, como conceituou Zygmunt Bauman, invadindo as relações pessoais, íntimas, deixando toda e qualquer segurança em estado de suspensão.

Como suportar toda essa pressão?

Como encontrar resiliência para chegar ao “dia seguinte” e ter um desempenho exemplar na reunião de negócios, na entrevista de emprego, na prova ou, mesmo, chegar relaxado à festa, aproveitar a noite e se divertir?

Se o Rivotril se projeta como solução é porque as dores que ele ameniza são reais, insistentes e, muitas vezes, aterradoras. Não questionamos a necessidade desse alívio. O que propomos é avaliação da escolha da medicação como válvula de escape, uma vez que ela não resolve o problema — que continuará a se repetir.

Qual seria, então, a recomendação mais efetiva? Sem dúvida, mesmo quando um tratamento farmacológico é indicado, a psicoterapia é a sugestão mais acertada. Afinal, ela trabalha na origem dos transtornos, focando no desenvolvimento de respostas psíquicas mais saudáveis — a longo prazo — consolidando a resiliência como elemento intrínseco à personalidade.

Efeitos colaterais: quais os sintomas que o Rivotril causa?

Dentre as principais reações adversas registradas, destacamos:

  • sonolência acentuada;
  • depressão;
  • insônia;
  • dores de cabeça;
  • gripe;
  • sinosite;
  • problemas respiratórios;
  • vertigem, perda do equilíbrio e tonturas;
  • coordenação motora anormal;
  • fraqueza muscular;
  • sensação de cansaço;
  • irritabilidade;
  • náuseas;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações na libido;
  • distúrbios de memória;
  • tentativa de suicídio ou ideias suicidas;
  • alucinações;
  • palpitações;
  • anorexia;
  • apetite aumentado;
  • perda de cabelo;
  • urticária;
  • cistite.

Muitas dessas reações são temporárias e podem ocorrer apenas na fase de adaptação ao medicamento. Porém, é sempre importante relatar qualquer anomalia ao médico, que poderá optar pela interrupção do tratamento ou substituição do remédio, de acordo com a análise do paciente.

Outra questão relevante — e bastante discutida — é a possibilidade do Rivotril ocasionar dependência física e psíquica. Essa condição dependerá do tempo de uso contínuo, da dosagem e das características individuais de cada paciente. Entretanto, adverte-se para que o consumo do remédio não ultrapasse 4 semanas ou poucos meses, de acordo com a orientação específica do médico.

Quando a dosagem inicial já não faz efeito, é um sinal de alerta para a dependência química. Nesses casos, a interrupção repentina do tratamento não seria o ideal, pois sintomas de abstinência tendem a aparecer. Alguns, são relativamente amenos (como câimbras, cansaço, dores musculares…), mas outros são mais críticos, tais como:

  • ansiedade acentuada;
  • distúrbio comportamental;
  • psicoses;
  • alucinações;
  • desrealização;
  • despersonalização.

Portanto, a sugestão é que a descontinuidade seja gradativa — e sempre com supervisão médica.

Quanto tempo dura o efeito do Remédio?

Em comprimidos, sublinguais ou solução oral, o Rivotril tem efeito rápido, levando de 30 a 60 minutos para começar a atuar no organismo. O efeito perdura até 8 horas em adultos e 12 horas, em crianças.

Qual é a vida útil do Rivotril?

Quando armazenado em condições adequadas (em temperatura ambiente e protegido do calor), a vida útil do remédio é de 36 meses, a partir da data de fabricação, no caso de comprimidos e sublinguais, e 24 meses, a partir da data de fabricação, no caso de solução oral.

Contraindicações e advertências

O Rivotril não deve ser usado por pessoas que apresentem:

  • hipersensibilidade a benzodiazepínicos;
  • doença de Alzheimer;
  • insuficiência respiratória grave;
  • doenças hepáticas graves;
  • histórico de dependência química;
  • glaucoma agudo de ângulo fechado.

Também deve ser evitado por idosos, grávidas e lactantes.

Seu consumo não deve ser combinado ao uso de álcool.

Em virtude de seus efeitos, dirigir, operar máquinas ou quaisquer outras atividades que requeiram agilidade mental, podem se tornar perigosas para quem faz uso de Rivotril.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.