Behaviorismo

Behaviorismo: guia completo sobre a Psicologia Comportamental

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

Behaviorismo é uma teoria psicológica que objetiva estudar a psicologia através da observação do comportamento, com embasamento em metodologia objetiva e científica fundamentada na comprovação experimental, e não através de conceitos subjetivos e teóricos da mente como sensação, percepção, emoção e sentimentos.

É uma das três principais correntes da Psicologia, junto com a psicologia da forma (Gestalt) e psicologia analítica (Psicanálise).

Neste artigo, vamos falar da origem do behaviorismo e os principais conceitos da psicologia comportamental.

O que é Behaviorismo

O nome Behaviorismo tem origem no termo em inglês Behavior, que significa comportamento. 

O Behaviorismo, também chamado de Comportamentismo ou Comportamentalismo, tem como objeto de estudo o comportamento. Essa teoria psicológica defende que a psicologia humana ou animal pode ser objetivamente estudada por meio de observação de suas ações, ou seja, observando o comportamento.

Os Behavioristas acreditam que todos os comportamentos são resultados de experiência e condicionamentos. As figuras influentes do Behaviorismo incluem os psicólogos John B. Watson e B.F. Skinner, que estão associados ao condicionamento clássico e ao condicionamento operante, respectivamente.

Diferença entre e a Psicanálise e o Behaviorismo

A Psicanálise investiga os conflitos psíquicos resultantes de sonhos, lembranças reprimidas e delírios. Freud acreditava que a mente é responsável por decisões conscientes e inconscientes que ela toma com base nos impulsos psíquicos. O id, o ego e o super-ego são três aspectos da mente que Freud acreditava compor a personalidade de uma pessoa

O Behaviorismo estuda o comportamento de forma direta, com base no ambiente e no condicionamento em que vive o indivíduo ou animal. 

História e origem do Behaviorismo

Os estudos do Behaviorismo iniciaram-se no século 19, a partir de um trabalho do psicólogo John B. Watson, intitulado de ”Psicology as the Behaviorist views it”, traduzindo para o português: “Psicologia como um comportamentista a vê”. Esse estudo teve como referências as teorias dos filósofos russos Vladimir Mikhailovich Bechterev e Ivan Petrovich Pavlov.

Entre 1920 até meados de 1950, o behaviorismo se tornou a escola dominante de psicologia, com o propósito de estabelecer a psicologia como uma ciência objetiva e mensurável. Os estudiosos e pesquisadores do behaviorismo estavam envolvidos em criar teorias que pudessem ser descritas e medidas de forma clara e prática. 

Principais conceitos do Behaviorismo

A Psicologia comportamental não possui um único conjunto de teorias, seus estudos são debatidos por diversos autores. 

Os principais tipos de Behaviorismo são o Behaviorismo metodológico, influenciado pelo trabalho de John B. Watson, e o Behaviorismo radical, que foi iniciado pelo psicólogo Burrhus Frederic Skinner.

Condicionamento clássico e Condicionamento operante

Os behavioristas acreditam que os comportamentos podem ser aprendidos por meio do condicionamento. Isto é, as condições do ambiente têm influência direta no comportamento do indivíduo ou animal. 

O condicionamento clássico está ligado à escola do Behaviorismo metodológico (ou behaviorismo clássico), enquanto que o condicionamento operante, faz parte dos estudos do Behaviorismo radical, como veremos mais adiante. 

Behaviorismo Metodológico

O Behaviorismo metodológico foi o ponto de partida do Behaviorismo, fundado por John B. Watson, com base nas teorias sobre condicionamento do russo Ivan Pavlov. 

O Behaviorismo metodológico (ou clássico), se opõe ao mentalismo e introspeccionismo, ou seja, descarta os estudos relacionados a mente, pensamento e emoções. É baseado através de observação e experimentação. 

Essa abordagem defende que o comportamento pode ser previsível e controlado a partir de estímulos. 

Na educação, a teoria comportamental de Watson defende que o comportamento do indivíduo pode ser moldado e ajustado, capaz de fazer com que uma criança tivesse determinada formação de caráter ou exercesse qualquer profissão que escolhessem para ela, por exemplo.

Condicionamento Clássico: “O cão de Pavlov”

A experiência mais conhecida para explicar o condicionamento clássico é a chamada “Cão de Pavlov”, que foi realizada com um cachorro que saliva ao ver comida, e também a qualquer sinal ou gesto que lembrava a chegada da sua refeição. 

Nessa experiência, Pavlov treinou cachorros para que eles salivassem mesmo que a comida não estivesse por perto. Pavlov tocava um sino toda vez que alimentava os cachorros. Com o passar do tempo, os cachorros começaram a associar o barulho do sino à comida, e ficavam famintos e salivantes a cada som emitido pelo sino, mesmo que seus potes de comida estivessem vazios. 

Com isso, concluiu-se que os seres vivos já nascem com certos reflexos, ou seja, possuem determinada reação a partir de ações específicas. 

Condicionamento clássico: Pequeno Albert 

Um outro experimento do condicionamento clássico foi realizado por Jhon B. Watson juntamente com uma aluna de pós-graduação Rosalie Rayner, onde um bebê de nove meses de vida, chamado de Albert, que vivia em um orfanato e tinha um comportamento tranquilo, foi exposto a um rato branco e outros animais peludos, como um coelho e um cachorro, um algodão, lã, jornal em chamas e outros estímulos que não assustavam o pequeno Albert. 

O teste prosseguiu e o bebê foi colocado para brincar com um rato de laboratório, que a princípio não causava medo à criança. Mas neste experimento, Watson e Rayner faziam um barulho muito alto com um martelo, assustando Albert e o fazendo chorar. Depois que esse procedimento foi repetido por várias vezes, o bebê começou a sentir medo do rato mesmo antes do som alto ser reproduzido. 

O bebê passou cerca de um ano sendo submetido a vários testes, associando os outros elementos que antes não lhe causara medo, ao estrondoso som produzido por Watson e sua assistente. Novamente, quando apresentavam ao bebê somente o elemento, mesmo que sem fazer o estrondoso barulho, o bebê chorava e demonstrava medo.

No final dos experimentos, o bebê passou de muito tranquilo e calmo a um bebê com ansiedade e episódios de angústia. 

Isso mostrou que o bebê havia aprendido a associar a sua resposta, o medo que sentia e o choro provocado, a um outro estímulo que antes não lhe causava medo.

Behaviorismo Radical 

O Behaviorismo radical, corrente comportamentalista de Skinner, surgiu em oposição ao behaviorismo metodológico.

Essa abordagem considera que os comportamentos observáveis eram manifestações externas de processos metais invisíveis, como o autocontrole, o pensamento, entre outros. Porém, defende que era mais conveniente estudar os comportamentos observáveis. Com isso, ele pretende dizer que as emoções não dão origem à nossa conduta, pois também fazem parte do modo de agir. Ou seja, o comportamento não é consequência do livre arbítrio, mas sim das consequências dos seus atos, sejam positivos ou negativos. 

Skinner contribuiu grandemente com a criação do Condicionamento Operante, um método de aprendizado que ocorre através de reforços (positivos ou negativos) e punições. O objetivo é entender a relação entre os comportamentos de um animal ao seu ambiente. 

Para Skinner, o comportamento é reforçado através das suas próprias consequências. Partindo da premissa que o indivíduo busca sobreviver, se proteger, se autorrealizar, entre outras ações que sentem necessidade, à medida que alcançasse o seu objetivo, o comportamento se repetiria. Esse mecanismo de repetição é chamado de operante, sendo que se for seguido de um reforço positivo ou reforço negativo, a probabilidade de ele se repetir, aumenta. Enquanto que se for seguido de uma punição, a probabilidade do comportamento ser repetido, diminui.

Em outras palavras, essa teoria propõe que para um comportamento desejado ser alcançado, deveria ser incentivado através de uma recompensa, se estivesse agindo corretamente, e se estivesse agindo errado, receberia uma punição. 

Reforço (positivo ou negativo) e Punição

Os reforços são divididos em positivos ou negativos, ambos têm o objetivo de estimular a repetição de comportamentos que tem como consequência uma premiação positiva. 

  • Reforço positivo: quando algo bom é adicionado, por exemplo alimento cai na caixa, para ensinar um novo comportamento. 
  • Reforço negativo: quando algo ruim é removido, por exemplo, uma corrente elétrica é interrompida, para ensinar um novo comportamento. 

Já as Punições têm o objetivo de cessar ou diminuir a frequência de um comportamento, pois sua consequência é algo ruim.

  • Punição: Quando algo ruim é adicionado, por exemplo, multa de trânsito, para ensinar a parar um comportamento. 

Condicionamento operante: “A caixa de Skinner”

Skinner comprovou a sua teoria através de um experimento chamado “Caixa de Skinner”, que consistia em colocar um rato dentro de uma caixa fechada com uma alavanca, que ao passo que o rato interagisse com a barra, ativava um mecanismo que oferecia ao animal algumas recompensas como água, alimento ou luz, e em alguns modelos, emitia choques.

A partir dos critérios estabelecidos pelo experimentador, como aproximação do animal até a barra, se tocava com a pata, se encostava o focinho, se pressionava a barra várias vezes o alimento era entregue a ele, como uma recompensa. 

Foi observado que quando recompensado, o rato aumentava a frequência dos movimentos que tinha a recompensa como resultado. Assim como os movimentos que não lhe gerava nenhuma recompensa, eram diminuídos.

Através do resultado dessa experiência, Skinner passou a fazer modelagem de diferentes padrões comportamentais, em diferentes espécies.

Principais diferenças: condicionamento clássico X condicionamento operante  

As principais diferenças entre o condicionamento clássico e o condicionamento operante é que o condicionamento clássico destaca que o estímulo neutro (comida, rato branco e objetos) pode ser transformado em um estímulo condicionado (quando é adicionado o som ou barulho), produzindo uma resposta conforme às condições que foram transformadas o estímulo neutro.

Enquanto que o condicionamento operante, envolve condicionamento voluntário, ou seja, o indivíduo controla através das consequências.

Ou seja, no condicionamento clássico, a associação não pode ser controlada, e no condicionamento operante, a associação entre comportamentos e resultados é aprendida. 

Influência do Behaviorismo na atualidade 

O Behaviorismo é adotado por diversas instituições e sociedade, como escolas, empresas, grupos de trabalho, entre outras que visam observar o comportamento humano.

O estudo do comportamento pode ajudar a melhorar o aprendizado ou motivação ao estudo ou trabalho em ambientes diversos, através de sistemas de punições e premiações e as observações do que ocorre após esses estímulos.

Gostou do artigo? Assine a nossa newsletter e receba, em seu e-mail, notificações e informações sobre novas publicações do site!

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.