Sexualidade e disfunções sexuais

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante que o direito de se viver a sexualidade é tão fundamental e universal quanto o direito à vida. Mas o que envolve a sexualidade e o que são disfunções sexuais? Os temas são complexos e multifacetados e não há a pretensão de esgotá-los aqui. Porém, é importante falar sobre eles. A seguir, a psicóloga Ana Paula Gonçalves Donate, terapeuta cognitivo-comportamental e parceira da Vittude, aborda essas questões. Confira!

A sexualidade humana envolve o sexo biológico/gênero, orientação sexual ou orientação afetiva/sexual/romântica, identidade de gênero e expressão de gênero.

O sexo biológico/gênero corresponde ao sexo da pessoa: macho, fêmea ou intersexo (pessoas que possuem características de ambos os sexos).

A orientação sexual ou orientação afetiva-sexual/româtica refere-se à atração que o indivíduo sente. E pode ser heterossexual/heteroafetivo, homossexual/homoafetivo, bissexual/biafetivo, pansexual, assexual, entre outros.

A identidade de gênero diz respeito à identificação do próprio indivíduo: mulher, homem, transgênero.

E a expressão de gênero é como o indivíduo se expressa de acordo com os papeis da sociedade: feminino, masculino, andrógeno ou gênero fluído.

A sexualidade nasce com o bebê e se desenvolve em sua expressão ao longo da vida. Sua forma está sujeita ao contexto em que a pessoa está inserida, mas também ao desenvolvimento fisiológico e psicológico individual. A cultura influencia muito como as pessoas se relacionam e como veem a sexualidade dos outros e de si mesmo. Por isso, consideramos o desenvolvimento da sexualidade como algo multifatorial.

Como é a sexualidade em cada fase de vida

Infância

Nessa fase, a criança descobre os órgãos sexuais através do manuseio dos mesmos. Não há ideia sobre as manifestações sexuais, ou seja, não há intencionalidade ou desejo sexual. Ainda assim, alguns familiares tendem a ‘reprimir’ toda e qualquer manifestação relacionada aos órgãos sexuais, principalmente nas meninas.

Dos dois aos três anos começa a surgir a ideia de identidade de gênero – as crianças começam a identificar-se como menina ou menino. A experiência sexual atrelada ao desejo começa a surgir aos cinco anos. É quando surgem as primeiras dúvidas acerca da origem dos bebês e as curiosidades a respeito do corpo do outro (chamados “jogos sexuais”). A preocupação dos pais em relação à isso, se excessiva, tem impacto na vida sexual futura da criança, como a falta de valorização do prazer, culpa, a ideia de imoralidade e falhas no desenvolvimento das relações interpessoais, no campo afetivo e cognitivo.

Adolescência

Algumas diferenças que existiam entre meninos e meninas na infância se tornam mais evidentes. Nessa fase ocorre o amadurecimento do corpo físico e sexual que colaboram para a identidade sexual. A identidade de gênero e a orientação sexual tornam-se um pouco mais claras aqui. Outro evento importante é percepção e a definição do espaço que a mulher e o homem ocupam na sociedade.

É comum que hajam problemas no relacionamento familiar como uma forma de “autoafirmação” e o engajamento em grupos de identificação. Esses grupos são importantes no desenvolvimento emocional, cognitivo e relacional dos adolescentes, pois dão suporte e amparo. As meninas, que na fase anterior são mais reprimidas, passam a ter mais necessidade de controlar os desejos que tem em detrimento do que a sociedade pensa sobre isso. Tipicamente, isso tem impacto nas identificações das preferências e exposição de desejos para o outro ao longo de toda vida. Já os meninos podem crescer com a ideia de que precisam ter um desempenho acima da média. Diferente das meninas, eles tem uma valorização do corpo e da ereção, então tendem a ver relação sexual apenas como ejacular .

Fase adulta

Os indivíduos tendem a ter comportamento sexual referenciado a toda sua história de vida pregressa e principalmente de acordo como a família tratou as manifestações sexuais. A maturidade sexual vem aos 30 anos, porém acompanhada com os preconceitos e a educação sexual recebidos. As mulheres tendem a ter uma pressão social em relação a busca do orgasmo, enquanto os homens podem se sentir obrigados a oferecer o orgasmo à parceira (o). As disfunções sexuais podem ficar mais evidentes. Problemas comuns são ejaculação precoce e disfunção erétil. Já as mulheres, com a educação repressora e não envolvimento do seu corpo, podem desenvolver o vaginismo (dor na hora da relação sexual – causada muitas vezes pelo medo e estresse excessivo) e a dispareunia (dor intensa na relação sexual e logo após o ato). Nessa fase a terapia sexual pode ser incrivelmente útil para ajudar tanto os casais como um dos parceiros.

Terceira idade

É comum que não haja a valorização da sexualidade nessa fase, tanto para aqueles que estão mais próximos aos idosos, quanto pelos próprios idosos. Há muitos preconceitos, principalmente pela valorização daquilo que é jovem. É pressuposto que o idoso seja celibatário ou que tenha alguma disfunção no orgasmo, na excitabilidade ou no desejo sexual. Muitas vezes ele é considerado assexuado – o que não é real.

O sexo pode ser libertador e prazeroso na terceira idade

Os idosos sadios apresentam a resposta sexual conservada, embora existam algumas limitações a respeito do desconhecimento deles próprios. Os homens têm menos desejo e demoram mais para ter ereções, mas podem ter um coito prazeroso e satisfatório. As mulheres  tem menos lubrificação vaginal, porém isso pode ser corrigido com uso de lubrificantes.

E as disfunções sexuais?

As disfunções sexuais podem surgir por fatores biológicos, hormonais, sociais ou psicológicos. Existem muitas disfunções e há uma perturbação significativa que impacta a qualidade de vida do indivíduo ou do casal. Alguns fatores psíquicos que podem afetar a sexualidade são: preconceitos, ansiedade, depressão, estresse do casal ou individual, falta de comunicação eficaz, alterações do aspecto físico do parceiro, rotina, autoestima, idealização do parceiro.

A terapia cognitivo-comportamental pode colaborar de diversas formas com o desenvolvimento saudável da sexualidade e com o tratamento de disfunções sexuais. Através do atendimento de casal ou individual, pode auxiliar na identificação da dificuldade enfrentada e no estabelecimento, em conjunto com o paciente, de estratégias para lidar com o problema. Além disso, conta com estratégias específicas e eficazes para cada disfunção.

Plataformas como a Vittude podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda a requisitos específicos para atender a todos que precisem de acompanhamento. Acesse nosso site e confira você mesmo todas as oportunidades oferecidas!

Ana Paula Gonçalves Donate é psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental. Ela atende crianças, adolescentes e adultos.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

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