5 razões para fazer terapia familiar

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A terapia familiar ajuda famílias que estão passando por momentos de conflitos ou de estresse a encontrarem a harmonia novamente.

Às vezes, o relacionamento entre familiares não vai bem. Por familiares entende-se não somente a família nuclear (pai, mãe e filhos), mas também os avós, tios, primos, cunhados e todas as pessoas que compõem a árvore genealógica.

Os conflitos podem não ter um motivo exato, como uma briga, uma herança não recebida, uma rixa de longa data. Eles podem simplesmente surgir da diferença de personalidades e opiniões. Neste caso, é mais complicado acalmar as partes envolvidas porque nem sempre elas conseguem enxergar seus comportamentos problemáticos.  

Esta modalidade de terapia surgiu, então, para identificar os pontos de atrito no relacionamento entre familiares e encontrar soluções ágeis para tornar a vida de todos mais alegre.

Como funciona a terapia familiar?

As sessões acontecem em grupo e os membros da família são incentivados a falar de suas perturbações. O diálogo é a principal ferramenta do atendimento terapêutico. Enquanto um se manifesta, o outro escuta pacientemente. 

O exercício da empatia é encorajado para que um entenda o ponto de vista do outro e consiga mudar o seu comportamento.

A sessão pode ser feita tanto em cadeiras arranjadas em círculo quanto em um sofá confortável. A família vai escolher a maneira como se sente mais confortável para interagir. No primeiro encontro, o terapeuta apenas explicará o funcionamento da terapia e questionará a motivação de cada familiar para estar presente.

Em seguida, começa o trabalho. Vagarosamente, a família começa a se abrir e compartilhar frustrações, impasses e desejos.  

Para muitos, é assustador falar dos problemas abertamente, especialmente com as pessoas que estão envolvidas neles ou podem até ser a causa da angústia emocional. O receio e a ansiedade podem ser obstáculos para o diálogo sincero.

Esta preocupação é uma característica comum da terapia familiar, cujo objetivo principal é ajudar as pessoas a sentirem-se mais à vontade consigo mesmas e com os membros da família. Ao compreender o seu papel na estrutura familiar, cada pessoa se torna capaz de assumir a responsabilidade por seus erros.  

Por que fazer terapia familiar?

Algumas famílias podem ficar com medo de julgamentos de terceiros e desistir de pedir ajuda. Palavras maldosas como “você deveria ser capaz de cuidar da sua família” ou “eles são um bando de loucos” abalam a confiança de quem está pensando em procurar ajuda profissional.

Ainda existe a concepção de que os problemas familiares devem ser resolvidos dentro de casa. Até certo ponto, está afirmação está correta. Ninguém gosta de expor a sua privacidade, certo?

Porém, quando a família não consegue cultivar uma vida livre de impasses, o caso se torna sério. 

É provável que os problemas existentes no ambiente familiar hoje possuam raízes no passado. Desentendimentos que perduraram por anos a fio e tornaram a convivência insuportável. 

Não são raros os casos em que um parente apenas está disposto a perdoar o outro no fim da vida. Será que vale a pena ficar tanto tempo de mal com alguém que deveria ser próximo?

Nem todos conseguem lidar com os problemas na privacidade do lar. Algumas situações são extremas e desgastantes, abalando o emocional de todos os membros da família. Por que não procurar ajuda para aliviar o fardo e, ainda, encontrar uma maneira saudável de lidar com o problema?

Se ainda não está convencido, confira algumas boas razões para fazer terapia familiar

Fortalece relacionamentos

Quando temos uma oportunidade para falar com sinceridade sobre o que nos incomoda na atitude do outro, o laço de amizade e carinho cresce. Pode parecer contraditório, mas não é. Ao ouvir o outro com a mente e o coração aberto, conseguimos compreender as dificuldades do outro e entendê-lo melhor. 

É comum que filhos guardem segredos de pais e vice-versa. Mas certas coisas não devem ser mantidas em segredo. Pelo contrário, se tem sentimento envolvido, as habilidades de comunicar com coesão e de ouvir sem julgamento devem ser colocadas em prática.

Com a terapia familiar, os relacionamentos se fortalecem porque eles se tornam mais transparentes e compreensivos. 

Para alcançar este patamar, no entanto, a conversa pode ser dolorosa e emocional. É um passo necessário em direção ao alívio das aflições familiares.  

Liberta o passado 

As dores escondidas no passado têm grande impacto no presente, mesmo que nós não conseguimos vê-las. Filhos, em especial, tendem a sentir remorso dos pais pelos erros cometidos na infância e adolescência. Percebem que não foram amados, compreendidos ou protegidos como gostariam, e isso gera conflito.

Até mesmo quando a relação entre pai e filho é maravilhosa e super saudável, um ressentimento miúdo ainda pode residir no interior. 

É claro que os pais também podem ressentir os filhos por outras razões. Porém, a questão principal é que as pessoas costumam deixar o passado escapar no calor do momento, causando discussões e brigas desnecessárias. 

Elas agem de acordo com experiências passadas, à espera do mesmo comportamento que as tiraram do sério anteriormente, e apontam os erros alheios como a causa de sua infelicidade.

A terapia trabalha as mágoas passadas, abrindo espaço para a cura e a construção de um relacionamento com bases construídas no presente. Desse modo, o marido e a esposa cessam discussões banais que nunca chegam a um fim, os filhos perdoam os pais e vice-versa, os irmãos interagem melhor, e assim vai. 

Aprofunda o conhecimento de si mesmo

Com o autoconhecimento adquirido na terapia, o indivíduo afetado pelos problemas familiares consegue encontrar soluções mais práticas para solucioná-los. A adoção da comunicação não-violenta ou de uma postura livre de julgamentos são algumas delas. 

Além disso, cada membro da família se torna mais consciente de seus comportamentos destrutivos, o que abranda o diálogo. A culpa, então, deixa de ser apenas de um lado da história. Logo, “fazer as pazes” também fica mais fácil. 

O autoconhecimento também auxilia no processo de mudança dessas condutas desagradáveis. 

Promove o trabalho em equipe

Uma família é, de certa forma, uma equipe de pessoas.

Para que todos os afazeres do lar (pagamento de contas, serviço doméstico) sejam cumpridos, os membros devem estar unidos. Educar os filhos deve ser responsabilidade de ambos os pais, cada um pode contribuir ajudando na organização e limpeza da casa, e a tomada de decisão deve ser em conjunto.  

A terapia desenvolve o senso de trabalho em equipe nos familiares. Eles começam a compreender como podem emprestar suas habilidades e capacidades pessoais para criar um lar aconchegante e funcional para todos.

Da mesma forma, desenvolvem a comunicação assertiva, para expor suas necessidades e dificuldades uns com os outros, e a empatia, para entender o que é difícil para o próximo e procurar ajudá-lo.

Ajuda em qualquer situação

A terapia é uma excelente alternativa para famílias que sofreram perdas recentes ou passam por momentos de extrema dificuldade, como crise financeira ou impasses no casamento ou problemas com um parente que é viciado em drogas.

O terapeuta pode aliviar o estresse coletivo através do diálogo, exposição das emoções abaladas e táticas para solucionar os problemas. Ele serve como um pilar para ajudar a família persistir apesar dos desafios e reencontrar a felicidade no lar. 

O tratamento é igualmente eficiente em casos de problemas mais corriqueiros, como desentendimentos entre membros da família motivados por notas baixas, empréstimos não pagos, posturas mais rígidas, bullying na escola, e ausência de compreensão com erros de terceiros.

Outra situação em que a terapia familiar é extremamente eficaz é em casos que um parente possui um transtorno mental.

A família recebe orientações do terapeuta para saber como ajudá-lo a conviver com os sintomas e tornar o tratamento mais eficaz. Ademais, é importante que todos os membros saibam cuidar da própria saúde mental para não se sentirem sobrecarregados.

Honestidade e cooperação: procurando a terapia familiar

Na dinâmica familiar, é comum, após um conflito, os membros da família fingirem se esquecer do problema latente e seguirem adiante sem conversar apropriadamente. Até que um dia o problema retorna e o mesmo conflito se desencadeia. 

Isso acontece porque a raíz do problema não foi examinada. 

Ninguém sabe ou quer admitir as suas causas, ou uma pessoa pode até ter consciência da situação, mas ignora o que está a sua frente para evitar mais discussões. Ou seja, todos vivem adormecidos, apenas sobrevivendo até o próximo acesso de raiva.

Para tocar nos assuntos delicados que ameaçam desestruturar essa dinâmica fragilizada, a coragem e honestidade são requisitos básicos. É preciso abrir mão do ego e do orgulho. Esses são apenas obstáculos que nos impedem de enxergar a realidade.

Para que a terapia familiar cumpra seu propósito com sucesso, todos os membros da família envolvidos devem estar de acordo com o tratamento e cooperar com o terapeuta à medida que assuntos desconfortáveis começam a surgir.   

A mudança dos padrões de comportamento viciados que causam tanto sofrimento é possível, mas vagarosa. Somente após muita tentativa e erro e reflexão, conseguimos viver de acordo com padrões mais saudáveis.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.