Tireoide

Tireoide: problemas endocrinológicos podem afetar sua mente

  |  Tempo de leitura: 9 minutos
Clique e encontre seu psicólogo !

Tireoide é uma glândula com formato semelhante ao de uma pequena borboleta. Pesa entre 15 e 25 gramas e está situada no pescoço, logo abaixo do pomo-de-adão.

Responsável pela produção de hormônios reguladores do organismo — chamados T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) —, quaisquer distúrbios na tireoide podem comprometer a saúde cardíaca, ciclos menstruais, capacidade de concentração, musculatura, intestino e humor.

Neste post, explicamos o que significa alteração da tireoide, suas implicações na saúde mental, bem como sintomas que alertam para necessidade de exames e possível tratamento.

Siga a leitura e esclareça suas dúvidas!

Como saber se estou com problema na tireoide?

Uma vez que o correto funcionamento da tireoide é essencial para uma série de funções de órgãos e tecidos do corpo, quando existe alguma anomalia na glândula, sintomas podem ser observados.

Sintomas do hipertireoidismo

A produção excessiva de hormônios tireoidianos, denominada hipertireoidismo (também chamada hipertiroidismo ou tirotoxicose), causa efeitos como:

  • alterações no ritmo cardíaco (arritmia, taquicardia ou palpitações);
  • insônia;
  • suor excessivo;
  • sensação de cansaço;
  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • fraqueza muscular;
  • menstruação irregular (por vezes muito curta ou com pouco fluxo);
  • diarreia;
  • aumento do apetite;
  • queda de cabelo;
  • tremores nas mãos;
  • perda de peso;
  • pele quente e intolerância ao calor;
  • dificuldade de raciocínio e concentração;
  • aumento visível da glândula (bócio) ou presença de nódulos na região;
  • agitação e hiperatividade;
  • olhos inchados ou saltados;
  • unhas quebradiças.

Sintomas do hipotiroidismo

Já a baixa produção dos hormônios tireoidianos ocasiona um distúrbio chamado hipotireoidismo (ou hipotiroidismo), cujos sintomas perceptíveis são:

  • pele ressecada;
  • sonolência;
  • dores nas articulações;
  • sensação de frio;
  • lentidão na fala;
  • prisão de ventre;
  • ressecamento ou queda de cabelo;
  • menstruação irregular;
  • inchaço facial;
  • pálpebras caídas;
  • aumento de peso;
  • retenção de líquido;
  • depressão;
  • palidez;
  • batimentos cardíacos mais lentos;
  • fadiga;
  • falhas de memória;
  • mãos e pés frios;
  • unhas frágeis;
  • baixa libido.

Caso perceba tais sintomas, procure auxílio médico. Ele orientará sobre exames — físico, de sangue, de captação de iodo radioativo ou de imagem — que detectarão o estado de saúde da tireoide. A partir dos resultados, indicará o tratamento específico para o transtorno.

Hábitos que podem prejudicar o funcionamento da tireoide

As causas de problemas na tireoide, geralmente, são de ordem congênita, resultado de medicamentos ou transtornos autoimunes.

No entanto, certos (maus) hábitos podem prejudicar a produção equilibrada de hormônios pela glândula. Descubra quais são esses vilões:

  • sedentarismo;
  • estilo de vida estressante (excesso de tensão, preocupações e pressão constante);
  • dormir pouco (o ideal é ter entre 7 e 8 horas de sono por dia);
  • consumo exagerado de cafeína (lembrando que ela não está presente apenas no café, mas também em certos chás, refrigerantes, energéticos e suplementos);
  • baixa ingestão de iodo;
  • alta quantidade de soja na dieta;
  • abuso de bebidas alcoólicas;
  • consumo frequente de refrigerantes diet;
  • tabagismo;
  • vegetais crucíferos crus consumidos em excesso;
  • baixa ingestão de gorduras saudáveis;
  • dieta rica em carboidratos (massas, bolachas, arroz branco, doces…) e açúcar, propriamente dito;
  • consumo frequente de margarina e outros óleos vegetais refinados.

Tireoide e saúde mental

Note que tanto nos casos de hipertiroidismo quanto nos de hipotiroidismo, sintomas psicológicos se manifestam. 

Muitas vezes, são justamente esses indícios que levam a pessoa ao médico. Afinal, quando humores e emoções não vão bem, toda a qualidade de vida sofre impactos.

É importante, portanto, realizar exames prévios de análise da tireoide, antes de começar tratamentos medicamentosos para transtornos mentais. Negligenciar esse cuidado pode levar a administração de remédios ou anos de terapia, sem os resultados esperados.

Insônia e ansiedade estão mais relacionadas aos sintomas de hipertiroidismo e depressão, por sua vez, é mais comum em pessoas que apresentam níveis de hormônios tireoidianos abaixo do normal — ou seja, hipotiroidismo.

Prejuízos cognitivos são similares nos dois tipos de distúrbios da tireoide. Memória deficiente, dificuldade de raciocínio objetivo, capacidade de concentração comprometida são alguns exemplos. 

Clique e encontre seu psicólogo !

Um diagnóstico apressado pode enxergar, nessa espécie de relato, quadros de transtorno do déficit de atenção — com ou sem hiperatividade.

Uma vez que o comportamento agitado é típico do hipertireoidismo, confundir a somatória de sintomas com o TDAH não é incomum.

O problema maior dos equívocos é que os tratamentos de distúrbios mentais podem agravar a situação, visto que a causa física é ignorada. 

Sem tratamento específico, o desequilíbrio da tireoide não se resolverá sozinho e tende a progredir, acentuando os sintomas iniciais. Além de, ocasionalmente, trazer doenças ainda mais complexas, como câncer.

Hipotireoidismo e depressão

A depressão, assim como a ansiedade, vem sendo discutida como “doença do século”.

A questão é que, quando se procura literatura sobre o assunto, as causas apontadas costumam versar sobre estilo de vida, reações a acontecimentos e padrões de comportamento (ou pensamento) tóxicos.

Certamente, tais fatores são desencadeadores de boa parte dos transtornos mentais em pauta. Contudo, o equilíbrio hormonal também representa uma face a ser investigada.

Perceba que quando falamos em tensão pré-menstrual (TPM), compreendemos perfeitamente como a alteração — temporária e natural — de hormônios pode ocasionar mudanças abruptas nos humores.

O ciclo menstrual é factual e a mulher que sofre com TPM consegue relacionar seu choro fácil, agressividade ou outras indisposições ao período.

Todavia, estas regras não se aplicam a todo sistema endócrino, cuja regularidade é menos objetiva em suas evidências.

A relação entre hormônios da tireoide e depressão exemplifica muito bem esse ponto. 

Exceto em situações nas quais o mau funcionamento da glândula se manifesta em bócio ou formação de nódulos na região, as doenças da tireoide são silenciosas. Ou melhor, de sintomas subjetivos, que podem ser atribuídos a outras causas.

Se você faz terapia ou toma remédios antidepressivos, mas não vê melhoras em seu estado, fica o alerta. Converse com seu médico, caso não tenha realizado exames que verifiquem os hormônios tireoidianos. É crucial descartar todas as possíveis causas físicas, antes de focar nas emoções.

Por outro lado, caso tenha hipotireoidismo, não tenha receios em comentar, com o endocrinologista, a presença de pessimismo, tristeza, desânimo ou outras indisposições. 

Quando não associamos a depressão aos problemas da tireoide, imaginamos que não convém relatar episódios de mal-estar psíquico a outro profissional que não seja o psicólogo ou psiquiatra. Porém, uma vez que tenhamos consciência da conexão entre hormônios e saúde mental, devemos deixar de lado tais pudores.

Problemas na tireoide podem agravar a depressão

Em pessoas predispostas à depressão, ocasionada por fatores psicológicos, o adicional da questão hormonal potencializa a vulnerabilidade aos pensamentos negativos e sensação de impotência.

Devemos considerar, ainda, que vários efeitos do hipotireoidismo impactam no dia a dia e na autoestima, favorecendo comportamentos deprimidos como seus reflexos.

Por exemplo, a sonolência, fadiga e dificuldade de concentração. Tais efeitos prejudicam a produtividade no trabalho, a convivência social, a realização de tarefas rotineiras. É natural que alguém, com tal quadro, se sinta cada vez mais deslocado e incapaz do pleno exercício de funções.

Esse sentimento de frustração, especialmente quando se desconhece a origem da queda do desempenho, sem dúvida, pode reforçar a autodepreciação.

Por sua vez, o ganho de peso, o inchaço ocasionado pela retenção de líquido e a queda de cabelo — outros sintomas do desequilíbrio na tireoide — podem comprometer a harmonia com a autoimagem.

A insatisfação com o corpo não é bobagem.

Agora, some às mudanças na aparência a falta de ânimo.

Querendo ajudar, familiares e amigos podem sugerir uma dieta restritiva e atividades físicas disciplinadas. Contudo, dependendo da dieta, ela pode até trazer mais danos. E os exercícios físicos se tornarão exaustivos ou impossíveis, dependendo do desequilíbrio hormonal.

Em decorrência, a pessoa pode ser interpretada como preguiçosa, relapsa, descuidada. Não apenas o espelho julga — os conhecidos, também. Isso, sem dúvida, abate ainda mais o estado de espírito, contribuindo para o avanço da depressão.

Esses são apenas alguns exemplos de como efeitos de desordens físicas podem agravar ou desencadear transtornos mentais. Quanto maior a atenção aos sinais do corpo, mais rápidos e assertivos são os tratamentos com os quais podemos contar. 

Não ignore nenhuma evidência de que seu bem-estar está comprometido. Busque ajuda médica e comente, com maior detalhamento possível, tudo o que observa como atípico. Seu depoimento honesto é imprescindível para que diagnósticos precisos sejam realizados com agilidade.

Tratamento para problemas na tireoide

Nos casos de hipertireoidismo, a primeira opção de tratamento é a prescrição de medicamentos antitireoidianos — tais como o metimazol — que reduzem a produção hormonal da glândula. 

Em quadros mais avançados do distúrbio, a ingestão de iodo radioativo ou cirurgia de retirada da tireoide podem ser as soluções mais indicadas. Nessas ocasiões, a reposição através de hormônios sintéticos orais, consumidos diariamente, será necessária para garantir a saúde endócrina.

Já diante do diagnóstico de hipotireoidismo, é preciso aumentar os níveis dos hormônios tireoidianos, o que é feito através da suplementação com remédios à base de levotiroxina. A dosagem recomendada deve ser ingerida todos os dias, antes do café da manhã, para evitar que a alimentação diminua seu efeito.

A posologia ideal de levotiroxina varia de pessoa para pessoa. Geralmente, o médico receitará uma dose mais baixa, para averiguar a resposta do organismo e, se necessário, a aumentará, gradualmente.

É fundamental que a administração do medicamento obedeça, rigorosamente, a orientação médica. A automedicação oferece grande risco à saúde, sendo capaz de gerar, inclusive, o hipertireoidismo como consequência.

Apesar de ser do tamanho de uma noz, a tireoide desempenha funções vitais. Fique atento aos sintomas de mau funcionamento e, em caso de qualquer suspeita, não protele a visita ao endocrinologista!

Este post foi útil para você? Deseja mais informações para cuidar de sua saúde física e mental, com a atenção que elas merecem? Então assine nossa newsletter e receba, em sua caixa de emails, notificações de nossos conteúdos e novidades!

Clique e encontre seu psicólogo !

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.