Psiquiatra não é coisa de gente doida

Psiquiatra não é coisa de “gente doida”

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Você tem medo de ir ao psiquiatra? Se o preconceito de que frequentar um psicólogo é para gente esquisita já existe, quando se fala de psiquiatria isso se torna ainda mais forte. A psiquiatria ainda é muito associada aos hospícios. Ao tratamento de pessoas com diagnósticos mais graves associados à transtornos mentais. Mas, não é somente nesses ambientes que trabalham os psiquiatras.

Outro estigma que existe em torno da psiquiatria é de que o profissional só serve para receitar muitos remédios, sem um diagnóstico aprofundado, encaminhando para psicólogos logo em seguida. Essas afirmações surgiram a partir de preconceitos. Elas prejudicam a aceitação e tratamento de pacientes que precisam do trabalho deste profissional. Vamos derrubar esses mitos?   

Como é a consulta com um psiquiatra?

Devido à psiquiatria ser uma especialidade médica, a primeira consulta com um psiquiatra tem muito em comum com aspectos de outras consultas médicas. O primeiro passo é realizar a anamnese, ou seja, colher um histórico clínico do paciente. Este histórico deve ser bastante detalhado, por isto pode demandar tempo. Além disso, nesse processo são analisados hábitos como relacionamentos pessoais e familiares, ambiente de trabalho, atividades de lazer e hobbies.

Em seguida é feito o exame físico do paciente. Avalia-se o sistema cardiovascular e outros elementos a partir dos sintomas indicados. Existem doenças que pertencem ao domínio da neurologia e psiquiatria, como o Alzheimer, Epilepsia, AVC e outras lesões, que podem ser identificadas em exames de imagem. Por isso é tão importante requisitar alguns exames antes de qualquer diagnóstico.

O exame psíquico acontece desde o momento em que o paciente entra no consultório, por meio da observação cuidadosa de aspectos do comportamento, discurso, humor, atenção e outros. Este exame vai sendo complementado ao longo das consultas com testes, conversas e questionários.

O exame psíquico é essencial, pois a grande maioria dos transtornos psiquiátricos não são visíveis, a não ser por suas manifestações clínicas. Nesses casos, os sinais e sintomas são detectados a partir de técnicas e metodologias específicas de avaliação, com calma e cuidado. Depois de diagnosticada a situação, o tratamento adequado se inicia.

Quais são os tratamentos em psiquiatria?

Existem três grandes grupos de tratamento dentro da psiquiatria:

  • Tratamento Psicoterápico: aquele feito sem a prescrição de medicamentos;
  • Tratamento Farmacológico: aquele feito com medicação psiquiátrica (antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, entre outros);
  • Tratamento Combinado: quando é necessário unir os dois anteriores para a melhor eficiência do tratamento.

Qualquer tratamento só inicia após o esclarecimento ao paciente dos objetivos da abordagem, sua duração e custos. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, dentre os transtornos psiquiátricos mais frequentes estão:

  • Transtornos do Humor: depressões, transtorno distímico, bipolaridade e suicídios;
  • Transtornos de Ansiedade: síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade generalizada, fobia social, agorafobia e outras fobias específicas.
  • Transtornos de Alimentação
  • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
  • Esquizofrenia
  • Doença de Alzheimer
  • Autismo

Todos esses transtornos podem ser tratados a partir da consulta com um psiquiatra e também com o auxílio de psicólogos.

Você precisa de um psiquiatra?

De certo modo, todas os seres humanos que possuem um cérebro poderiam consultar com um psiquiatra. Mas será que você precisa de um? Nós já tratamos aqui sobre a diferença entre psicólogo e psiquiatra para te ajudar nessa decisão. Entretanto, veja a seguir em quais casos o psiquiatra é recomendado.

Cada médico em sua especialidade respectiva existe em função dos diferentes transtornos que agridem a saúde das pessoas. Assim como precisamos do médico oftalmologista para tratarmos de doenças nos olhos, precisamos do psiquiatra para tratar doenças da cérebro.

As doenças do cérebro que dizem respeito à especialidade psiquiátrica são as que acometem as funções psíquicas. Humor, vontade, percepção, pensamento, senso de orientação, capacidade de prazer, de trabalho ou relacionamento, afeto, memória, concentração, entre outras, são algumas das funções mentais passíveis de sofrer algum tipo de transtorno.

Depressão, disfunções sexuais, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia, anorexia nervosa, dependência de drogas e doenças clínicas relacionadas às emoções são problemas tratáveis pela psiquiatria. A ideia de vincular a psiquiatria somente às psicoses é caso de pura desinformação. A psicose é somente uma das inúmeras alterações mentais da competência da psiquiatria.

O que fazer antes de sua primeira consulta ao psiquiatra?

Se você acredita estar passando por alguma das situações citadas anteriormente, antes de realizar a consulta com um psiquiatra é importante anotar a lista de sintomas que você tem tido nas últimas semanas para apresentar todos ao profissional. Levar registros de saúde física ou mental, assim como alertar sobre os remédios que tem consumido, também é importante para melhorar a avaliação. Quanto mais informação você fornece ao psiquiatra, mais ele poderá te ajudar.

Aproveite sua primeira consulta para tirar dúvidas com relação ao diagnóstico e aos tratamentos oferecidos, para que não restem confusões antes de começar as visitas periódicas. Com todas essas informações, se algum dia um profissional da saúde lhe aconselhar a procurar um psiquiatra, não precisa se desesperar. Será somente mais um profissional capaz de te ajudar a ter uma vida mais saudável, física e mentalmente.  

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.