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5 maneiras de lidar com a indiferença sem sofrer

  |  Tempo de leitura: 9 minutos

A indiferença é um sentimento que machuca. Ele passa uma mensagem dolorosa para quem o recebe: “eu não me importo com você”. Esta apatia incompreensível nos causa angústia e temor. Passamos a elaborar razões para explicar a insensibilidade do outro, mas nem sempre conseguimos encontrar uma explicação boa o suficiente. 

O que fazer, então, diante desse comportamento? Como não se deixar levar pela impassibilidade alheia?

O que é indiferença?

Este sentimento está associado a uma forma de desapego insensível e fria. O indivíduo indiferente não se importa com os sentimentos alheios. Se suas ações causam sofrimento, ele não liga. Se resultam em felicidade, ele também não se importa. Ou seja, é uma pessoa que parece ser uma casca oca incapaz de sentir e se emocionar.

Como seres humanos que convivem em sociedade, queremos interagir, sentir, rir, chorar, conversar, sonhar, fracassar, tentar outra vez. É a experiência completa que torna a vida tão emocionante.

A pessoa indiferente se afasta de praticamente todas as suas vivências, consciente ou inconscientemente, pois não consegue estabelecer uma ligação concreta com elas. Este sentimento é capaz de roubar o interesse pela vida e pelas pessoas, e necessita ser combatido.

No relacionamento amoroso, a indiferença chega de mansinho. Ela se instala silenciosamente, mas seus resultados são caóticos. Quando isso acontece, muitos já começam a questionar se vale a pena insistir ou se devem seguir em frente. Afinal, como é possível ficar em um relacionamento com uma pessoa que não sente?

A indiferença nos relacionamentos

A vida é composta por momentos bons e ruins. Os bons se tornam lembranças calorosas que, com o passar dos anos, gostamos de reviver. Já os ruins nos causam sofrimento e embaraço. Procuramos esquecê-los o mais rápido possível, embora seja mais fácil lembrar-se de ocasiões negativas do que positivas.

Em nenhuma circunstância, é saudável reagir com indiferença. Embora este sentimento possa ser útil às vezes, nos protegendo de emoções desagradáveis que ainda não sabemos como lidar, o mais sábio a se fazer é encarar as situações negativas de frente.

Os relacionamentos também são feitos de momentos de extrema felicidade e de brigas e descontentamentos. A apatia não ajuda a amenizar as discussões ou a “ensinar uma lição” ao parceiro. Pelo contrário, ela ajuda a criar paranoia e desconfiança, além de deixar o outro ansioso perante a falta de respostas. 

É a sensação de estar sendo ignorado que dói. De repente, há um distanciamento entre o casal que não existia antes, levantando todo o tipo de questão sobre a longevidade do relacionamento. Será que o amor enfim acabou? O que você fez para receber esse tratamento? Quem é o culpado por isso?

É possível, até mesmo fácil, reagir a uma acusação, um tom de voz alterado ou um desentendimento. Um parceiro indiferente, entretanto, não se importa com as nossas retaliações. Com administrar o abismo emocional que subitamente se abriu entre vocês?

Como lidar com a indiferença sem sofrer?

Para um relacionamento adquirir o status de duradouro, deve ser cultivado através do diálogo constante, demonstrações de afeto e pequenos acordos silenciosos entre o casal. Por exemplo, você acompanha o seu parceiro naquele churrasco que ele quer ir e ele assiste a aquele filme que você tanto deseja ver no cinema. 

Quando a possibilidade de conversa se esvai, o relacionamento está em um estado crítico. Por isso, a comunicação é o primeiro item desta lista de maneiras de lidar com este sentimento causador de incertezas, feita especialmente para ajudar você.  

Por mais que o foco deste artigo seja o relacionamento amoroso, essas dicas podem ser utilizadas tanto com relacionamentos familiares quanto de amizade. Qualquer forma de relacionamento precisa de manutenção para sobreviver.

Inicie uma conversa

É possível que você não tenha percebido os pequenos acontecimentos que levaram a situação atual devido à correria do dia a dia e ao lugar comum onde os relacionamentos costumam estacionar com a convivência de anos. 

Conversar sobre o que está se passando na cabeça do parceiro é o melhor caminho para se livrar de suas desconfianças. Já deixo claro: é possível que esta conversa não seja nada agradável ou simples. 

Pode ser que seu parceiro tenha guardado meses ou até anos de descontentamentos com o relacionamento, pois não tinha coragem de exteriorizar suas verdadeiras emoções. Apesar da possibilidade de sofrimento, dialogar sobre o que está perturbando o relacionamento é o primeiro passo para encontrar a solução.

Modifique pequenos acordos

Talvez o relacionamento precise de pequenas mudanças para reencontrar a vivacidade. Se os acordos atuais não estiverem mais funcionando, seja por mudança de interesses ou objetivos de vida, está na hora de fazer novos. Esta renovação é uma forma de dar atenção às necessidades do parceiro bem como as suas. 

Para fazer isso, é preciso ser compreensível e paciente. Os novos acordos podem envolver experiências diferentes das que você está acostumado, mas é sempre bom dar uma chance ao novo em vez de recusar de primeira. A indiferença do parceiro pode ser motivada por várias razões e uma delas pode ser a mesmice da rotina. 

Seja realista 

Muitas vezes, deixamos nossas emoções falarem mais alto. Elas circundam a nossa mente em uma nuvem de desejos e expectativas que pode nos cegar para a realidade. 

Ao iniciar um relacionamento, devemos estar cientes que nem sempre a outra pessoa vai retribuir nossos sentimentos na mesma intensidade ou agir conforme esperamos. Caso contrário, corremos o risco de cair em desilusão. 

Nesses casos, uma das pessoas pode demonstrar falta de interesse. A comunicação novamente se faz necessária para compreender as expectativas do outro sobre o relacionamento para evitar sofrimentos futuros.

Fuja da culpa

É comum nessa situação querer culpar-se pela frieza expressada pelo parceiro. Muitos acreditam que o comportamento do outro, dentro de um relacionamento, é uma resposta ao seu próprio. Assim, atribuem a culpa da conduta indiferente do parceiro a algum feito cometido por eles mesmos e se torturam por terem errado.  

Esqueça-se da culpa. 

Nos relacionamentos, às vezes temos atitudes que não percebermos ou não conseguimos explicar com clareza. Isso porque costumamos projetar traumas de infância, memórias boas e ruins, anseios e nossos próprios comportamentos no outro. Nem sempre o que nós fazemos ou o que outro faz é por “pura maldade”. 

Acima de tudo, somos pessoas imperfeitas com neuras próprias que, se estiverem causando algum tipo de sofrimento, devem ser devidamente tratadas. Por isso, devemos pensar menos em procurar culpados e mais em assumir a responsabilidade por nossos atos

A diferença está no sentimento. Ao tomar a responsabilidade dentro do relacionamento, sentimos a necessidade de ação, de consertar os erros e procurar caminhos mais positivos. A culpa, por outro lado, é paralisante e julgadora. 

Se não há o que fazer, afaste-se

Se você tentou de tudo para administrar a indiferença e nada deu certo, considere se afastar da pessoa. Não vale a pena ficar preso a um relacionamento sem sentimento por comodismo ou conveniência.  

Conviver com um parceiro apático é cansativo e sobrecarrega o emocional porque vivemos à procura de agradar o outro ou sanar dúvidas referente aos seus sentimentos. Como não podemos controlar as pessoas, o melhor a se fazer é procurar um novo amor em outro lugar. 

Términos são dolorosos, mas necessários tanto para a sua felicidade quanto a do seu parceiro. Faça isso da maneira mais amigável possível, sem acusações ou atribuição de culpa, para proteger os seus sentimentos. Não hesite, pois o tempo eventualmente cura as feridas do fim da relação.  

A carência afetiva pode ser a sua inimiga

A carência afetiva tornou-se um problema comum do século XXI. Muitas pessoas acabam apegando-se a outras para preencher o vazio emocional dentro delas. Relacionamentos podem perdurar por necessidade em vez de por amor, tornando-se uma fonte de afeto nada saudável.

Ao deparar-se com a indiferença, o correto é procurar compreender suas origens e encontrar soluções para despertar os sentimentos adormecidos dentro da relação. 

Porém, como vimos no ponto anterior, nem sempre dá certo. Por vezes, duas pessoas estão melhores separadas, vivendo as próprias vidas e correndo atrás de objetivos próprios, do que unidas em um relacionamento sem amor. 

A carência afetiva pode deixá-lo cego para esta realidade e tentar convencê-lo a insistir no relacionamento por medo de ficar sozinho ou ser rejeitado. Portanto, se você sentir que:

  • Não consegue viver normalmente sem o parceiro.
  • Precisa aguentar a impassibilidade porque não vai encontrar outro relacionamento se este não der certo.
  • É melhor permanecer em um relacionamento ruim do que correr o risco da rejeição.

É possível que a carência afetiva esteja impedindo você de deixar um relacionamento sem futuro, criando sofrimento através de especulações, baixa autoestima e medo.

Se você possui grande dificuldade de lidar com a indiferença no relacionamento e acredita que um empurrãozinho será benéfico, um psicólogo pode ajudá-lo a compreender seus sentimentos. Na terapia, você também pode compreender as complexidades da mentalidade por trás da carência afetiva.

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta