Sobrepeso e obesidade

Sobrepeso e obesidade, quando os sentimentos e as emoções estão relacionados

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Você passa os dias lutando contra a balança. O sobrepeso e obesidade incomodam cada vez mais. Mas, se você não estivesse lutando contra o peso o que desejaria em sua vida?

As dificuldades para mantermos um peso saudável, hábitos de vida saudáveis, ou ainda para nos sentirmos satisfeitos com nosso corpo, perpassam por fatores biopsicossociais. Inicialmente, se formos olhar a partir de uma perspectiva mais social/cultural podemos observar o quanto nos comparamos constantemente a sedutoras criações da mídia, sempre aparentemente mais inteligentes, mais ricas, mais magras, mais sexies, mais bem-sucedidas, etc. Isto, para algumas pessoas, é um dos fatores causadores de ansiedade, insatisfação e sentimento de inferioridade. Para muitos, gerando inclusive uma decepção com a vida que vivem de uma maneira geral. A mídia inclui diferentes meios de comunicação, como revistas, televisão, instagran, facebook, entre outros. Através destes meios, acreditamos numa ilusão de beleza e sucesso e muitas vezes, como disse Sandra Aamodt em uma TED talk, “ aprendemos a medir nosso valor com a balança errada”.

Ideal de peso inadequado

Um ponto muito importante nisso tudo é que, geneticamente, apenas 10% da população mundial é biologicamente preparada para possuir um corpo que se encaixe dentro dos padrões de magreza estabelecidos pela mídia. Assim, mais de 80% das pessoas que fazem algum tratamento ou dieta ganham de volta o peso perdido após 5 anos. Estas pessoas, supostamente teriam que ficar em “manutenção” pelo resto da vida e muitas vezes às custas de muito sofrimento. O ideal de peso criado por cada um, muitas vezes, não é adequado ao que é possível geneticamente para aquela pessoa, que acaba se auto impondo metas grandiosas e difíceis de serem alcançadas em pouco tempo e quase impossíveis de serem mantidas a longo prazo. Desta forma, não alcançar ou não manter essas metas é interpretado pelo sujeito como um fracasso e uma prova de que ela não é capaz ou não tem valor.

É como se fosse um círculo vicioso. A pessoa não está se sentindo bem com o peso ou imagem corporal, se auto impõe dietas restritivas difíceis de serem mantidas, tem um lapso na dieta, interpreta o lapso como uma falha pessoal, sente culpa e frustração, come compulsivamente. Consequentemente, sente culpa, tristeza e frustração, se auto avalia como incapaz, coloca novas metas para perder peso (numa tentativa de controle) e inicia-se o ciclo novamente. Normalmente é assim que acontece.

Sobrepeso e obesidade x Emoções

Desta forma, o comer compulsivo ou mesmo a dificuldade em manter hábitos saudáveis está muito relacionada com as emoções. Comemos porque nos sentimos tristes ou frustrados e também comemos quando estamos felizes e entre amigos. Deixamos de fazer uma atividade física porque estamos cansados ou tristes e desanimados, bebemos em excesso para tentar se esquivar de alguma emoção desconfortável, como tristeza, medo ou raiva e assim por diante.

Além disso, um grande problema é quando estes esforços para evitar emoções desconfortáveis (o que é feito através de diferentes tipos de comportamentos citados anteriormente) somados a frustrações em relação a autoimagem e autoestima se tornam o centro de nossa atenção. Ou seja, deixamos de fazer coisas que realmente são importantes para nós, coisas que de fato valorizamos na vida, na tentativa de evitar desafios, ansiedade, obstáculos, etc. Ou ainda, quando nos concentramos tanto em uma área da nossa vida e não conseguimos investir em outras áreas.

Muitas vezes, depositamos tanta energia nas questões relacionadas ao corpo que nos afastamos das relações interpessoais, como a relação com nossos amigos, familiares ou amorosas. Da mesma forma, podemos nos dedicar tanto ao trabalho e nos desligarmos do cuidado com nós mesmos, com nosso corpo, nossa saúde mental e bem-estar. Ou seja, investimos toda nossa energia em uma determinada área da vida e as outras, que também são importantes para nós, ficam abandonadas ou menos investidas. Esquecemos que nossa vida é feita de um conjunto de dimensões: relações interpessoais, trabalho/estudo, vida social, saúde e bem-estar, entre outros, e que é muito importante nos mantermos “vivos” em tantas quantas forem importantes para nós.

O papel da psicoterapia

A psicoterapia é uma ferramenta que pode nos ajudar a clarificar esses valores de vida, ou seja, o que realmente é importante para cada um. Ao mesmo tempo que nos ajuda a construir objetivos e metas mais realistas que estejam de acordo com esses valores. Além disso, o processo da terapia nos auxilia a encontrarmos uma nova forma de lidar com as emoções, de forma a não agirmos tanto no piloto automático ou termos atitudes impulsivas.

Trabalhando com clarificação de valores e com a regulação das emoções é possível que tenhamos um corpo mais saudável e além disso, que possamos direcionar nossas ações para uma vida mais valiosa de ser vivida. É possível não passarmos a vida toda apenas numa luta contra a balança, contra hábitos não saudáveis, e contra as emoções e sim VIVERMOS.

E então…Se você não estivesse lutando contra o peso o que desejaria em sua vida?

Renata Klein Zancan é psicóloga clínica e parceira da Vittude. Doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-RS, mestre em Psicologia Clínica pela UNISINOS, pós graduada em Saúde Mental e Coletiva pelo IPGS e graduada pela UNIJUÍ. Agende uma consulta com a Renata!

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental. Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.